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Padre rio-pretense morre em missão na Ucrânia

Enquanto o país vivia o êxodo de refugiados durante conflito com a Rússia, padre Robson Gavioli de Mattos fez o movimento contrário: assumiu seu posto como missionário

por Joseane Teixeira
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Padre Robson Mattos (Arquivo pessoal)
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Padre Robson Mattos (Arquivo pessoal)
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Morreu neste sábado, 6, aos 36 anos, o padre rio-pretense Robson Gavioli de Mattos, que trabalhava em missão na Ucrânia há 14 anos.

Segundo o pai, Osnir Alves de Mattos, Robson sofreu complicações de saúde após uma cirurgia no joelho. A família acompanha junto à Igreja Católica os procedimentos para o traslado do corpo ao Brasil.

Ainda não há data para a cerimônia de despedida.

O padre deixa os pais Osnir e Creuza, responsáveis por apresentar a ele os preceitos religiosos que norteraram sua caminhada na fé.

Em Rio Preto, ele celebrava missas na Paróquia Santuário das Almas.

Fé e coragem

"Se eu voltar para o Brasil por causa da guerra aqui na Ucrânia, em vão será meu ministério sacerdotal".

Assim dizia Padre Robson sempre que questionado sobre os perigos do conflito internacional, que foi justamente o motivo que o levou em missão para o território hostil.

Em fevereiro de 2022, o Diário contou a história de coragem e fé do religioso, que foi ao encontro da área de conflito, enquanto refugiados tentavam deixar o país.

Quando a guerra escalou, Robson estava em uma conferência a sete quilômetros de duas fronteiras (Hungria e Eslováquia), mas decidiu voltar para o seu posto em Khmelnytsky.

A cidade onde o religioso atuava não é próxima a nenhuma fronteira, mas está na rota dos refugiados que seguem para a Polônia. Por isso, a igreja tem funcionado como base de apoio, oferecendo descanso, banho e alimentação para dezenas de famílias. Quem se aloja, repõe também as energias espirituais. “Não deixamos o irmão seguir jornada sem uma palavra de vida e esperança”, disse Robson ao Diário.

O rio-pretense era responsável pela missa das crianças, celebrada todos os domingos de manhã.

Apesar da incerteza sobre o futuro, ele tinha confiança no propósito que o levou até a Ucrânia. “Fui sorteado entre dezenas de missionários para estar neste país. Minha mãe disse para eu voltar para casa. Respondi para ela: ‘mãe, eu já estou em casa’”.

A última visita ao Brasil foi em 2023, quando passou 20 dias com a família.