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TENSÃO

Brasileiros da região de Rio Preto relatam situação na Ucrânia após invasão russa

Alan Patrick está no hotel de Kiev, junto a colegas brasileiros do mesmo time e do clube Dynamo. No local já estão concentrados 31 jogadores brasileiros

por Joseane Teixeira
Publicado em 24/02/2022 às 20:54Atualizado em 25/02/2022 às 09:28
Alan Patrick, de Catanduva, que tem passagens por Santos e Flamengo e hoje joga no Shakhtar Donetsk. Ele está em hotel de Kiev junto com outros jogadores brasileiros (Divulgação)
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Alan Patrick, de Catanduva, que tem passagens por Santos e Flamengo e hoje joga no Shakhtar Donetsk. Ele está em hotel de Kiev junto com outros jogadores brasileiros (Divulgação)
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O início do bombardeio russo a cidades da Ucrânia, nesta quinta-feira, 24, provocou tensão em muitos brasileiros que têm familiares no país invadido pelo exército de Vladimir Putin. Um deles é aposentado Osnir Alves de Mattos, 56 anos, que tem um filho morando há 10 anos no país europeu. Nascido em Urânia, mas morador de Rio Preto, Robson André Gavioli de Mattos, 32, é padre na cidade de Khmelnytsky, relativamente distante das áreas de conflito.

Ele gravou um vídeo para tranquilizar amigos e familiares brasileiros, preocupados com a segurança dele. “Eu ‘tô’ bem. No momento eu ‘tô’ numa conferência, nos confins da Ucrânia, próximo às fronteiras da Hungria e Eslováquia. Agradeço a todos que lembraram de mim”.

Apesar disso, o religioso afirma que os ataques estão acontecendo em várias partes do país, em pontos estratégicos, como bases militares e aeroportos.

De Rio Preto, o pai mantém contato frequente com o filho para garantir que ele está fora de perigo. “Estou preocupado, mas confiante. Meu filho recebeu um chamado de Deus, e creio que Ele não vai nos desamparar. Tenho esperança que a paz será restabelecida”, disse Osnir.

Mais preocupado está o jogador do Novorizontino, Daniel Jesus, que está emprestado para o time VPK-Ahro, de Shevchenkivka, da segunda divisão da Ucrânia.

Morando desde maio do ano passado em Dnipro, quarta maior cidade da Ucrânia, ele foi informado que a região é possível área de ataque. “Estou com medo. Minha prioridade agora é sair daqui. O clube dispensou os atletas para voltarem para casa. A embaixada brasileira orientou os jogadores a se reunirem em um hotel de Kiev. O espaço aéreo está fechado, mas com todos os brasileiros juntos, fica mais fácil traçar um plano de retirada”, disse.

Outro jogador da região que tenta sair da Ucrânia é o meia Alan Patrick, de Catanduva, que tem passagem pelo Santos e pelo Flamengo e hoje joga no Shakhtar Donetsk, um dos maiores clubes do país. Ele postou nas redes sociais uma imagem do mapa do país europeu com a mensagem: “Pray for Ukraine” (reze pela Ucrânia, na tradução).

Segundo a assessoria de imprensa do atleta, ele já está no hotel de Kiev, junto a colegas brasileiros do mesmo time e do clube Dynamo. No local já estão concentrados 31 jogadores brasileiros. O Brasil é o país com mais estrangeiros no Campeonato Ucraniano.

Parte do elenco gravou um vídeo de apelo ao governo brasileiro para que providencie a retirada deles, com os familiares, do país. Eles contam que falta combustível na cidade e que o espaço aéreo da Ucrânia está fechado, dificultando qualquer deslocamento de avião. Vias terrestres e ferroviárias são os prováveis caminhos para deixar o país neste momento.

Em entrevista à BBC News Brasil, o embaixador do Brasil em Kiev, Norton Rapesta, disse que está discutindo estratégias com o Itamaraty para retirar os atletas brasileiros da Ucrânia.

(Com Agência Estado)

‘Vamos ter esperança e fé’, diz ucraniana

Iryna Mokhonchuk Dias, 34 anos, é ucraniana e vive em Rio Preto (Guilherme Baffi 16/2/2022)
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Iryna Mokhonchuk Dias, 34 anos, é ucraniana e vive em Rio Preto (Guilherme Baffi 16/2/2022)

A ucraniana Iryna Mokhonchuk Dias, 34 anos, conversou com a mãe, que está na Ucrânia, após a invasão da Rússia. Na semana passada, ela disse com o Diário que tinha esperança de que a guerra não fosse deflagrada pelo país vizinho. Agora ela espera que seja encontrada uma solução. “Tenho esperança de que não aconteça coisa pior. Vamos ter esperança e fé”, afirmou Iryna nesta quinta-feira, 24.

Iryna contou que a mãe e os seus sobrinhos estão apavorados. “As crianças não foram para a escola. Não tem gasolina nos postos de combustíveis”, afirmou a ucraniana, que mora em Rio Preto há 11 anos. A família dela tem comida armazenada e a mãe organizou um porão para que possa se abrigar se for necessário. Ela disse que gostaria de trazer todos para o Brasil.

A família de Iryna está na cidade de Zhorany, localizada apenas a 20 quilômetros da fronteira da Polônia e a cerca de 25 quilômetros da Bielorrússia, que foi um dos pontos por onde as tropas da Rússia entraram no país. A maior preocupação dela é com a irmã e com o cunhado, que trabalha na fronteira.

(Colaborou Rodrigo Lima)