CRIME CONTINUADO

Sobe para 47 o número de vítimas enganadas por garagista em Rio Preto

Delegado afirmou que vai dividir os casos em vários inquéritos para dar celeridade nas respostas às vítimas

por Joseane Teixeira
Publicado há 1 horaAtualizado há 50 minutos
Lucas e a esposa Rosemeire perderam um Honda HRV (Edvaldo Santos 12-03-2026)
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Lucas e a esposa Rosemeire perderam um Honda HRV (Edvaldo Santos 12-03-2026)
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Somente o 3º Distrito Policial de Rio Preto concentra 47 vítimas do golpe aplicado pelo proprietário de uma garagem de veículos do bairro Vila Maceno que desapareceu após vender ou financiar carros, caminhonetes e até motos deixadas em consignação sem comunicar ou repassar valores aos proprietários.

O número de pessoas prejudicadas, no entanto, pode passar de 100, já que a Polícia Civil também considera como vítimas os clientes que adquiriram os veículos mediante fraude, uma vez que recai sobre o empresário a suspeita de falsificação de documentos e assinaturas para formalização de contratos de venda ou financiamento. O prejuízo ultrapassa a cifra de milhões de reais.

“A nossa orientação, neste momento, é que os proprietários de veículos e os compradores conversem para tentarem chegar a um denominador comum. Trata-se de um caso complexo e a composição pode ser a melhor saída”, disse o delegado Jonathan Marcondes Stopa, que vai conduzir a investigação.

Visando dar celeridade na resposta às vítimas, ele afirmou que vai dividir os casos em inquéritos diversos. A reportagem identificou entre os boletins de ocorrência registrados que o empresário se apropriou de valores da venda de veículos como Jeep Compass, Audi A4, Toyota Corolla, caminhonete Ranger XLT, entre outros populares.

Vítimas

Uma das vítimas é Lucas Rocha Santos, que perdeu um Honda HR-V ano 2016.

“Deixamos o carro em consignação em novembro de 2025 e o proprietário disse que se não vendessem em 30 dias, me daria o dinheiro do carro. Na segunda-feira, 9, ele disse para eu ir na garagem, que ele estava com o dinheiro. Fui e não o encontrei. Ele pediu para eu voltar 18h30, mas a garagem já estava fechada. Liguei e ele orientou para encontrá-lo em um posto. Fiquei esperando duas horas e ele não apareceu. Na terça-feira, 10, a garagem já estava fechada, sem nenhum carro”, revelou.

Policial militar, advogado, engenheiro, pescador, corretor de imóveis, tatuador figuram entre os clientes prejudicados. Ou seja, pessoas de diversas condições socioeconômicas.

Paradeiro desconhecido

O paradeiro do empresário é desconhecido. Ele não atende mais as ligações.

“Nós ainda estamos aguardando os boletins de ocorrência registrados em outras delegacias, bem como registrados on-line. Toda a investigação será concentrada no 3º DP, por isso é importante que eventuais vítimas procurem esta unidade”, orienta o delegado.

Direitos

Especialista em Direito Civil, o advogado Alexandre Shimizu Clemente entende que a composição entre os prejudicados mostra-se como a solução mais célere e eficaz. O prejuízo ficaria dividido entre os envolvidos nos negócios fraudulentos.

“Devemos nos atentar para aqueles que compraram veículos valendo-se de financiamento bancário. Nestes casos, o consumidor deve, munido do boletim de ocorrência, buscar o agente financiador e solicitar a desistência do financiamento. Eventuais valores pagos poderão ser devolvidos, abatendo-se multas e tributos que já recolhidos”, explica.

Contudo, para aqueles que adquiriram o carro e efetuaram o pagamento à vista, diretamente para o lojista, a solução, segundo o especialista, será procurar o Poder Judiciário para reaver do intermediário (lojista) os seus prejuízos - quer aqueles que compraram, quer aqueles que venderam e não conseguiram reaver o bem ou o dinheiro.