Dono de garagem em Rio Preto entra na mira da Polícia Civil após golpe em dezenas de clientes
Empresário, que é também pastor, vendeu e financiou diversos carros sem comunicar proprietários, nem repassar valores; Veículos estão sendo bloqueados

Um empresário e pastor entrou na mira da Polícia Civil de Rio Preto após vender ou financiar dezenas de veículos e não repassar os valores para os proprietários. Ele administrava uma garagem no bairro Vila Maceno, mas o estabelecimento foi fechado repentinamente. Até o momento, o 3º Distrito Policial concentra mais de 30 vítimas, mas o número pode passar de 80, segundo apuração preliminar da reportagem. “Estamos bloqueando os veículos negociados indevidamente. É importante que os compradores também se apresentem na delegacia”, alertou o delegado José Luiz Barbosa.
Uma das vítimas é o sargento da Polícia Militar Vanderson Conejo. Acompanhado da advogada, ele compareceu à Central de Flagrantes nesta quinta-feira, 11, para denunciar ter sido vítima de estelionato pelo garagista.
Ele afirma que, mediante celebração de contrato, deixou o carro na garagem do empresário para ser vendido e descobriu posteriormente que o automóvel foi financiado para um comprador, sem sua autorização e sem repasse de qualquer quantia .
O sargento conseguiu identificar o comprador, que mediante boa-fé devolveu o carro, no entanto, o policial está enfrentando dificuldades para cancelar o contrato de financiamento.
Outra vítima foi o tatuador Anderson Martin, o Chapolim. Ele deixou um Jeep Renegade consignado por 30 dias para venda na garagem. Após respostas evasivas do empresário, ele foi ao local nesta quinta-feira, 11, e encontrou as portas fechadas.
Havia seis pessoas na frente da garagem, todas vítimas. Elas foram o primeiro grupo a comparecer na delegacia.
"O garagista disse que havia conseguido vender o meu carro em um consórcio e me pediu para preencher o recibo de venda. Eu preenchi, mas o documento está comigo. Descobri o casal que comprou meu veículo, são pessoas simples que não sabiam de nada", conta.
Anderson amarga um prejuízo de R$ 72 mil, mas disse que há pessoas que perderam em torno de R$ 180 mil. As vítimas formaram um grupo no WhatsApp, que ultrapassou 100 integrantes.
Polícia Civil mobilizada
Segundo o delegado José Luiz Barbosa, titular do 3º Distrito Policial, os casos estão sendo concentrados em um único boletim de ocorrência, que já teve 17 atualizações para inclusão de mais de 30 vítimas.
“À medida com que elas vão comparecendo à delegacia, já estamos ouvindo formalmente e, a partir dos relatos apresentados, bloqueando os veículos nas situações em que fica configurado o estelionato”, explica.
Barbosa afirmou que ainda não é possível estimar o número de pessoas prejudicadas, porque nesta sexta-feira, 12, mais clientes aguardam para registrar denúncia na delegacia, e outras vítimas estão registrando boletim de ocorrência on-line ou até mesmo em outras unidades policiais – como o caso do sargento Conejo, que procurou a Central de Flagrantes.
Ainda de acordo com o delegado, é importante que clientes que tenham adquirido veículos na garagem compareçam ao 3º DP para prestarem informações sobre como foi formalizado o negócio.
“O estelionato absorve crimes como falsidade ideológica e falsidade de documentos. Por isso, para evitar possível responsabilização criminal, os compradores devem apresentar provas de que agiram de boa-fé, porque também podem ser vítimas”, explica.
Barbosa não descarta a expedição de mandado de prisão contra o empresário, caso ele não se apresente após a intimação.
A reportagem tentou contato na garagem, mas o telefone está desligado. O espaço segue aberto para manifestação.