SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEGUNDA-FEIRA, 24 DE JANEIRO DE 2022
INDENIZAÇÃO

Policiais de Rio Preto pedem indenização de R$ 500 mil por exibição de foto com Bolsonaro

PMs acusam a revista Veja de dano moral por associar a foto, tirada em 2018, a um artigo com o título "O Horror das Polícias Militares no 7 de setembro", em referência a atos de 2021

Gabriel Vital
Publicado em 21/10/2021 às 16:53Atualizado em 21/10/2021 às 17:09
Revista Veja usou foto do presidente Jair Bolsonaro com policiais militares de Rio Preto na época da campanha (Reprodução/Veja)

Revista Veja usou foto do presidente Jair Bolsonaro com policiais militares de Rio Preto na época da campanha (Reprodução/Veja)

Os policiais militares José Thomaz Costa Junior, Norberto Anacleto Junior, João Henrique Bonome, João Braz Cezarette e Guilherme Borges Alves Rodrigues ingressaram com ação na 3ª Vara Cível de Rio Preto contra a revista Veja, a quem acusam de dano moral pela exibição de uma foto, tirada em 2018, na qual eles aparecem com o presidente Jair Bolsonaro, na época ainda candidato ao Planalto. A foto acompanha um artigo de opinião assinado pelo jornalista Matheus Leitão sob o título "O Horror das Polícias Militares no 7 de setembro".

O artigo faz uma crítica à participação de policiais militares nos atos convocados pelo presidente Bolsonaro no dia 7 de setembro de 2021, em apoio ao seu governo. Mas os policiais de Rio Preto argumentam que a foto foi tirada de contexto, já que foi capturada em 2018, quando o então candidato a presidente visitou Rio Preto. Na ocasião, esses mesmos policiais faziam a escolta do então candidato.

Indenização

Na ação, distribuída na última terça-feira, 19, os policiais pedem que a revista pague R$ 100 mil de indenização a cada um, totalizando R$ 500 mil. O advogado dos militares alega, na petição inicial, que a matéria, considerada "difamatória", vem causando "constrangimentos a Entidade Militar e a seus colaboradores, que arduamente e diariamente dedicam suas vidas à proteção da sociedade e ao combate contra a violência, sendo colocados em situação de absurdo desrespeito a Entidade."

A ação indica ainda que, no caso do policial José Thomaz, que ocupa o cargo de major, a divulgação da foto junto da matéria vem lhe causando "incontáveis prejuízos" e que a permanência da publicação "pode lhe causar mais transtornos do que já vem suportando." Além de José Thomaz, Anacleto e Rodrigues estão na ativa, enquanto Bonome e Cezarette estão aposentados.

"Há evidentes demonstrações de danos morais em razão das ilícitas exposições da vinculação da referida imagem e da falsa acusação de confirmações das adesões dos requerentes, ao ato político reivindicatório, especialmente tendo em vista toda a repercussão com a replicação da matéria, causando lhes pavor e pânico, a qual veio com maior ênfase declarar repudia a adesão dos policiais", escreve o advogado na inicial.

O defensor ainda acrescenta: "Cumpre frisar, que as referidas imputações ferem diretamente as reputações dos requerentes, as quais foram construídas ao longo de décadas de trabalho, agora vem a serem maculadas em razão da pretensa notícia, com potencialidade, como visto acima, de ser replicada de caluniosa nos meios digitais."

Retirada da publicação

Além da indenização, a defesa dos policiais pede que a Justiça conceda liminar para a imeditada retirada da publicação do site da revista, sob pena de multa de R$ 5 mil por dia em caso de descumprimento. A decisão está a cargo do juiz Antônio Roberto Andolfatto de Souza.

O argumento é de que "nada justifica a manutenção desse conteúdo, na medida em que, repisa-se, não há sequer indícios de fatos concretos de interesse público ou críticas prudentes, mas um plexo de imputações falsas aos Requerentes com o único objetivo de abalar suas reputações de guardiões da Segurança Pública."

Outro lado

A reportagem tentou contato com a revista Veja, mas, até o momento, não obteve uma resposta.

 
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