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INVESTIGAÇÃO

Polícia de Rio Preto faz 'pente-fino' em ocorrências para identificar redes de agiotagem

Operação Montes de Socorro mapeou 34 denúncias e apontou alvos como um colecionador de armas

por Joseane Teixeira
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Delegados Daniel Leal, Everson Contelli e Jonathan Marcondes (Joseane Teixeira 28/05/2026)
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Delegados Daniel Leal, Everson Contelli e Jonathan Marcondes (Joseane Teixeira 28/05/2026)
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A Operação Montes de Socorro, deflagrada pela Polícia Civil de Rio Preto nesta quinta-feira, 28, para combater o crime de agiotagem, foi resultado de um verdadeiro pente-fino que identificou 34 boletins de ocorrência de naturezas diversas, como ameaça, invasão de domicílio e difamação, mas que tinham como pano de fundo a contratação de empréstimos informais com aplicação de juros abusivos.

Desse mapeamento resultou a expedição, pela Justiça de Rio Preto, de 11 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária.

“Quando a nossa inteligência identificou que a agiotagem estava pulverizada em grupos criminosos, o primeiro passo foi fazer uma reunião de trabalho para conseguir mapear os casos nos três núcleos policiais de Rio Preto. Porque essa vítima chega na delegacia, fala que foi ameaçada, mas não conta muito bem a história. Depois, lá no final, ela faz o relato de uma dívida. Por que isso? Porque, obviamente, ela está subjugada, ela está indo procurar a delegacia numa última esperança de procurar socorro”, explicou o delegado seccional Everson Contelli, durante coletiva de imprensa. Ele estava acompanhado dos delegados Daniel Leal e Jonathan Marcondes, que participaram da operação.

Durante o cumprimento dos mandados de busca – todos em endereços residenciais, foram apreendidas armas e simulacros com um dos investigados que tem registro de CAC (caçador, atirador e colecionador).

“O perfil das vítimas são pessoas vulneráveis que, por algum motivo, estão endividadas e encontram dificuldade para conseguirem empréstimo na rede formal do Sistema Financeiro Nacional. Nós temos relatos de toda espécie, de agressão até ameaça com arma, que na verdade se construiu em uma situação de extorsão”, disse Contelli.

O seccional afirma que os valores emprestados são relativamente baixos, entre R$ 1 mil e R$ 5 mil, mas as vítimas não conseguem honrar a dívida em razão dos juros aplicados. “Nós temos relatos de vítima que pegou emprestado R$ 1 mil e, na hora de negociar, essa dívida estava em R$12 mil.

Reportagem publicada pelo Diário no dia 10 de maio contou a história de uma mãe atípica que, sem receber pensão do pai da criança, recorreu a agiotas para comprar óleo de canabidiol para tratamento do filho. Ao não conseguir cumprir com o acordo, ela teve a casa invadida por criminosos, que ameaçaram atear fogo no imóvel.

As ameaças praticadas por agiotas foi o que fundamentou os pedidos de prisão temporária.

Segundo Contelli, os investigados poderão responder por usura, extorsão e lavagem de dinheiro, podendo incorrer também em associação criminosa.

“A polícia passa a analisar o material apreendido. Nós temos planilhas e equipamentos para aprofundar as investigações na questão da lavagem de dinheiro. Até porque a origem desse dinheiro, normalmente, não está muito clara. Em alguns casos, pode até decorrer, sim, de tráfico de drogas.