Polícia Civil indicia dono de garagem e gerente por dezenas de golpes contra clientes em Rio Preto
Para o delegado Jonathan Marcondes Stopa, há provas consistentes de estelionato em continuidade delitiva e lavagem de dinheiro

A Polícia Civil de Rio Preto indiciou o empresário Rodrigo Júnior Veronezi e o gerente Emmanuel Alberto Benitez Saucedo, respectivamente dono e gerente da empresa Veronezi Veículos Multimarcas, por estelionato e lavagem de dinheiro mediante dezenas de negociações fraudulentas de carros e caminhonetes. O inquérito elenca 37 vítimas, entre proprietários de veículos e compradores, e estima um prejuízo que ultrapassa R$ 2 milhões. Rodrigo está preso preventivamente em Goiás e aguarda recambiamento para o estado de São Paulo. O inquérito segue para análise do Ministério Público.
De acordo com as investigações, conduzida pelo delegado Jonathan Marcondes Stopa, do núcleo 3º/7º Distritos Policiais, ao longo de meses, Rodrigo teria estruturado uma estratégia de captação de veículos em consignação, prometendo aos proprietários a revenda em curto prazo, com posterior repasse dos valores, o que, na maioria dos casos, não se concretizava.
Após firmar contrato de consignação, os automóveis eram vendidos ou financiados a terceiros, muitas vezes sem ciência ou autorização dos proprietários e sem qualquer repasse financeiro.
A reportagem apurou que os veículos foram negociados por valores entre R$ 36 mil e R$ 129 mil. O relatório enumera automóveis como Jeep Compass, Amarok, IX-35, FastBack e modelos populares, como Ford Ka, Sandero e Astra.
“Os elementos colhidos indicam que havia atuação organizada na captação de vítimas, inclusive com buscas ativas em plataformas digitais para identificar interessados em consignar veículos ou adquirir automóveis, ampliando o alcance da atividade ilícita. As tratativas eram conduzidas de forma centralizada, em ambiente reservado, com participação direta de Rodrigo e Emmanuel, este na condição de gerente, os quais mantinham controle das negociações tanto com vendedores quanto com compradores, evidenciando atuação conjunta”, escreveu.
Durante as investigações, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Rodrigo, com apreensão de veículo, computadores, chaves e CPU, todos ainda pendentes de análise pericial.
Após constatar que o empresário havia fugido, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do empresário, que foi localizado no estado de Goiás.
Em virtude do número de vítimas, um segundo inquérito foi instaurado, com pedido de quebra de sigilo bancário e bloqueio de bens com o objetivo de identificar o fluxo financeiro e eventual ocultação patrimonial dos investigados e suas esposas, bem como garantir o ressarcimento das vítimas, além da apuração de outros possíveis envolvidos. O número de pessoas prejudicadas direta e indiretamente pode chegar a 100, segundo a Polícia Civil.
“No tocante ao crime de lavagem de dinheiro, há indícios consistentes de que os investigados se utilizaram das referidas pessoas jurídicas (VeroneziVeículos Ltda e Veronezi Multimarcas Ltda) como instrumentos para recebimento, movimentação e dissimulação dos valores obtidos ilicitamente, além da utilização de contas de terceiros e de operações de financiamento em nome de pessoas alheias às negociações, sem ciência ou consentimento destas”, fundamentou o o delegado.
Ele pediu a manutenção da prisão preventiva de Rodrigo e a aplicação de medidas cautelares a Emmanuel, como proibição de sair da cidade sem autorização judicial e obrigação de comparecimento a todos os atos do processo.
Ouvido neste segunda-feira, 6, Emmanuel afirmou que conheceu Rodrigo em 2024 e que sua função consistia em localizar, principalmente por meio de redes sociais, proprietários particulares interessados em vender veículos, oferecendo consignação pelo prazo de 30 dias, mediante contrato em nome da empresa de Rodrigo, o qual seria o único responsável pelas negociações. Ele alegou ainda que não possuía conhecimento aprofundado sobre o mercado automotivo, tabela FIPE ou dinâmica de compra e venda de veículos, e assim, não sabe dizer se o veículo era revendido mais caro ou mais barato.
Ao Diário, o advogado dele, Juliano de Mendonça Turchetto informou que Emmanuel não tem relação alguma com práticas ilícitas e se apresentou voluntariamente à Polícia Civil, oferecendo meios de colaborar com as investigações.
"Ele não pode ser considerado culpado antes de sentença penal condenatória e provas que demonstrem algo em seu desfavor", afirma.
A reportagem não localizou a defesa de Rodrigo.