AÇÃO PENAL

MP denuncia mulher por homicídio de idoso em Rio Preto e destaca crueldade

Consta em laudo do IML que não foi possível contabilizar o número de golpes de faca desferidos contra Marco Tomé de Souza, de 63 anos

por Joseane Teixeira
Publicado em 17/08/2026 às 10:30Atualizado em 17/08/2026 às 10:37
Idoso foi morto dentro de casa com 66 facadas (Polícia Civil / Arquivo pessoal)
Galeria
Idoso foi morto dentro de casa com 66 facadas (Polícia Civil / Arquivo pessoal)
Ouvir matéria

O Ministério Público de Rio Preto denunciou a auxiliar de produção Marielza Ferreira, de apenas 24 anos, pelo homicídio do aposentado Marco Tomé de Souza, de 63 anos, morto em maio deste ano, dentro de sua própria casa no bairro Vila Mossoró, com ao menos 66 golpes de faca – segundo laudo necroscópico. A vítima era cadeirante.

De acordo com as investigações, Marielza vivia em uma edícula alugada pelo idoso.

Dias antes do crime, houve uma discussão em razão do atraso no pagamento do aluguel. Marielza ainda estava devendo dinheiro de um celular que o aposentado comprou a pedido dela.

Testemunhas afirmam que Marco teria ido até o local de trabalho dela para cobrá-la, o que a deixou irritada. Esse teria sido o motivo do assassinato, segundo a Polícia Civil.

Na tarde de um domingo, 24 de maio, o idoso (que usava muleta para deslocamentos dentro de casa e uma cadeira de rodas para deslocamento fora), estava dentro da residência, quando Marielza pulou o portão e o atacou com dezenas de golpes de faca por praticamente toda a região torácica, abdominal, cervical e até no rosto.

O aposentado ainda conseguiu gritar por socorro e chamar atenção de uma vizinha, mas morreu antes da chegada da ambulância.

Laudo do Instituto Médico Legal aponta que a vítima usou as mãos para tentar se proteger. O documento aponta que, em razão dos múltiplos ferimentos, não foi possível contabilizar exatamente o número de golpes sofridos.

“A denunciada ainda teve tempo de tomar banho e trocar de roupas, quando foi surpreendida ainda no local por policiais militares e presa em flagrante, argumentando falsamente aos policiais que ‘tinha discutido com a vítima e pegou uma faca para se defender’”, segundo trecho da denúncia, assinada pelo promotor Evandro Ornelas Leal.

Marielza foi denunciada por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Em interrogatório, a mulher afirmou que não bebe e não é usuária de drogas. Ela também não registra qualquer antecedente criminal, segundo consta em relatório policial.

A denúncia já foi aceita pela Justiça e a ré está presa preventivamente na cadeia feminina de Tupi Paulista.

A Defensoria Pública, por meio de advogado dativo, apresentou resposta à acusação, indicando que pleiteará a absolvição da acusada nas alegações finais.