Motoristas de app divulgam carta de protesto e organizam cortejo de trabalhador morto
"Usou o acerto trabalhista para comprar um veículo elétrico e ficar mais perto da família", disse porta-voz da categoria; Wilsiano Soares Teixeira será levado para Itu

A comunidade de motoristas por aplicativos de Rio Preto está organizando o cortejo do corpo de Wilsiano Soares Teixeira, vítima de latrocínio por dois criminosos durante uma corrida. O corpo ainda não foi liberado do Instituto Médico Legal, porém, após os procedimentos de tanatopraxia pela funerária, será levado para a cidade de Itu, onde mora parte da família. A vítima deixa a esposa e duas filhas.
Segundo Marcos Vinicius Scarpelli, representante da categoria, Wilsiano trabalhava como caminhoneiro e utilizou o acerto trabalhista para adquirir um carro elétrico. "Com certeza ele queria passar mais tempo perto da família e ter mais flexibilidade de horário. O carro elétrico é um bom investimento para quem trabalha com transporte por aplicativo", disse.
Ele divulgou nesta sexta-feira, 12, uma carta em nome da categoria de motoristas, manifestando tristeza, indignação e revolta diante do assassinato cruel, praticado por motiv o fútil: divergências em relação ao troco da corrida.
"Neste momento de dor, prestamos nossa solidariedade aos familiares, amigos e colegas do motorista, desejando força para enfrentar uma perda irreparável. Nenhuma palavra é capaz de amenizar o sofrimento causado por uma tragédia tão cruel.
Ao mesmo tempo, não podemos permanecer em silêncio diante da crescente insegurança enfrentada diariamente pelos motoristas por aplicativos. Há anos a categoria alerta sobre os riscos da atividade e cobra medidas mais eficazes de proteção aos profissionais que movimentam milhões de corridas e geram bilhões em receitas para as plataformas", consta no documento".
A categoria critica a falta de mecanismos mais rigorosos de identificação, monitoramento e prevenção de ocorrências.
"Um exemplo é a plataforma permitir que terceiros solicitem a corrida. A gente nunca sabe se quem está embarcando é realmente a pessoa que fez o pedido. Isso dificulta a decisão do motorista em recusar, ou até mesmo em denunciar, caso seja vítima de um crime", afirma Marcos.