Justiça de Rio Preto quebra sigilo para investigar origem de barras de ouro
Empresário e gerente comercial tiveram a liberdade concedida mediante pagamento de fiança

A Justiça de Rio Preto concedeu liberdade provisória a um empresário de 39 anos, dono de uma empresa recuperadora de metais, e ao funcionário dele, um gerente comercial de 36 anos, que foram presos em flagrante na quarta-feira, 22, após simularem um roubo de barras de ouro visando receber indenização do seguro.
Após passarem a noite na carceragem da Deic, patrão e funcionário foram submetidos a audiência de custódia nesta quinta-feira, 23. Com a concordância do Ministério Público, a prisão preventiva foi substituída por pagamento de fiança no valor de 2 salários-mínimos cada um (equivalente a R$ 3.242) e medidas cautelares como proibição de contato com eventuais vítimas (clientes) e testemunhas e não se ausentar da cidade sem autorização judicial.
“Não se olvide da gravidade do caso, contudo cuida-se de delito cometido, em tese, sem violência ou grave ameaça e ambos os custodiados são primários. A mercadoria foi integralmente recuperada. Não houve pagamento de indenização pela seguradora”, fundamentou a juíza Gislaine Faleiros Vendramini.
Desdobramento
Ainda é incerta a composição das nove barras douradas apreendidas e sob custódia da Polícia Civil. Enquanto o funcionário alega serem peças em ouro, o empresário afirma que é latão. O material também não estava acompanhado de nota fiscal.
Em razão da suspeita sobre a origem do metal, o promotor José Silvio Codogno requereu, e a juíza autorizou, a quebra do sigilo dos aparelhos celulares e demais equipamentos eletrônicos apreendidos, determinando que sejam submetidos à perícia técnica, visando à coleta de dados e elementos aptos a esclarecer os fatos em investigação. “Porquanto tais objetos são comumente utilizados para a prática do crime de tráfico de substâncias entorpecentes. Ademais, o acesso ao conteúdo poderá revelar a identidade de coautores e partícipes, bem como indicar a eventual existência de organização criminosa voltada à mercancia ilícita”, escreveu a magistrada.
Dificuldades financeiras
Em depoimento, o gerente comercial afirmou que foi chamado pelo empresário para realizar uma ação que “não seria legal”. A simulação sobre o roubo das barras de ouro, segundo ele, teria como pano de fundo dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa.
O funcionário alega que aceitou o plano sem qualquer oferta de recompensa. Já o empresário fez uso do direito constitucional ao silêncio.
Fazia parte da rotina do funcionário a entrega de mercadorias a clientes em São Paulo.
Nas redes sociais da recuperadora, havia uma publicação que tratava especificamente de serviços prestados a joalheiros. “Não existe volume pequeno demais. A gente orienta o volume mínimo recomendado para compensar o frete. Cada grama de ouro ou prata do seu resíduo pode voltar para o seu negócio”.
A página foi tirada do ar após a prisão do empresário.
Uma testemunha informou à polícia que a empresa foi roubada três vezes em um curto período.