Diário da Região
CONSELHO DISSOLVIDO

Júri Popular é cancelado após réu ameaçar juíza de morte em Rio Preto

Ex-policial militar acusado de homicídio ainda confessou homicídio e disse: "vou continuar matando"; juíza determinou avaliação mental do acusado

por Da Redação
Publicado há 2 horasAtualizado há 34 minutos
Réu fez ameaças em videoconferência (Reprodução)
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Réu fez ameaças em videoconferência (Reprodução)
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Em júri popular realizado nesta quinta-feira, 12, no Fórum de Rio Preto, o conselho de sentença foi dissolvido e o julgamento cancelado após o réu, Eduardo José de Andrade (ex-policial militar) direcionar ameaças de morte à juíza Gláucia Véspoli Oliveira, que presidia a sessão. Por meio de videoconferência, o réu, que é mantido em cela separada no Centro de Detenção Provisória Guarulhos II, afirmou: “eu vou cortar a cabeça da doutora Gláucia porque eu tenho autorização para isso”.

Condenado no ano passado a 29 anos de prisão por outro homicídio, ele disse ainda ter memorizado o rosto dos sete integrantes do conselho de sentença e jurou que mataria todos.

"No dia 27 de fevereiro de 2025, eu fiquei 10 minutos no plenário. Foi o suficiente para eu 'ganhar' (perceber) que tinham três jurados homens e quatro mulheres. Eu vou cortar a cabeça de um por um e vou mandar na casa deles no dia em que eu sair daqui", garantiu.

Diante da clara intimidação, os jurados sorteados para o segundo julgamento confessaram temor e a sessão foi encerrada.

A pedido da advogada Nayara Gabriela Ramos Thibes, foi instaurado incidente de insanidade mental, procedimento pericial solicitado quando há dúvida sobre a higidez mental do acusado. “Nossa conduta será pleitear o encaminhamento do réu a tratamento em hospital de custódia”, afirma.

Pronunciado por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, Eduardo seria julgado pela morte de Tiago de Paula, ocorrida em novembro de 2022, em Cedral. Segundo informações do processo, ele estava sentado em frente de casa quando foi surpreendido por dois homens e morto por um deles com diversos tiros. O crime estaria relacionado a dívidas com traficantes, já que Tiago seria usuário de drogas.

Além do ex-policial militar (ele foi expulso após o envolvimento nos homicídios), Tiago da Silva Ferreira foi pronunciado como corréu, por ter auxiliado na ação. Porém, o processo foi desmembrado para julgamento individualizado.

Durante o Júri Popular, ao ser dada a palavra ao réu, a juíza Gláucia orienta que ele não é obrigado a falar, mas Eduardo responde: "Eu matei, eu não me arrependo, e quando eu sair para a rua, eu vou continuar matando".

Eduardo ainda isenta Tiago, dizendo que ele não teve qualquer participação na morte, a não ser estar ao lado dele no momento dos tiros.

Ao Diário, a advogada Nayara, que atua juntamente com o advogado Mauro da Costa Ribas Júnior, afirmou que Eduardo é uma pessoa reservada e pouco falava sobre a acusação a ele imputada.

“Nesses casos, a defesa se atém às provas e nossa tese, desde o início, era a de negativa de autoria. A situação de ontem, 12, foi desconfortável para nós também, mas evidencia um episódio de surto que exige tratamento adequado”, disse.

A advogada explica que não pretende pedir revisão criminal do primeiro julgamento, caso seja declarada a inimputabilidade do réu, ou seja, a incapacidade de Eduardo de entender o caráter ilícito da conduta praticada.

“Até porque não pretendemos que ele seja solto, mas que seja acompanhado diariamente por equipe médica especializada, com o tratamento medicamentoso mais eficaz e em local apropriado, ou seja, um hospital de custódia”, completa.

A partir da decisão pela perícia, o pedido é encaminhado ao Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc), que vai nomear um psiquiatra forense para entrevistar o réu, bem como analisar relatórios médicos anteriores – caso houver.