Júri condena PM a 29 anos de prisão por execução de homem em Cedral
Comparsa recebeu a pena de 17 anos por ter auxiliado no crime, motivado por uma dívida de R$ 300 de droga

Em júri popular com 12 horas de duração, o conselho de sentença decidiu que o policial militar Eduardo José de Andrade e o açougueiro Pierre Henrique de Souza são culpados pelo homicídio de João Gonsalves Filho, então com 39 anos, cuja ossada foi encontrada em um canavial do município de Cedral em abril de 2023. Eles foram condenados a penas de 29 e 17 anos de prisão, respectivamente.
A reportagem apurou que o conselho de sentença reconheceu com integralidade os termos da pronúncia, de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver.
Desaparecido em dezembro de 2022, a ossada da vítima foi encontrada quatro meses depois, com uma perfuração no crânio compatível com tiro de pistola "ponto 40".
O inquérito, conduzido pelo delegado José Rubens Macedo Paizan, coloca o soldado Eduardo José de Andrade como mentor do crime, que teve como motivação uma dívida de R$ 300 em cocaína. O PM atuaria como fornecedor de droga na cidade e seria pessoa temida entre os moradores.
Também em razão de uma dívida com o PM, o açougueiro Pierre Henrique de Souza teria sido convencido a participar do homicídio.
Após uma testemunha afirmar que viu a vítima entrando no Gol branco que pertence ao policial militar, a Polícia Civil identificou câmeras de monitoramento que confirmaram a versão.
Além da acusação de homicídio, o PM foi condenado também por tráfico de drogas e posse de drogas para consumo pessoal.
O julgamento foi marcado por um debate técnico entre o promotor Evandro Ornelas Leal e os advogados, Mauro Ribas Júnior e Carlos Sereno Vissechi. Sustentando negativa de autoria, a defesa dos réus se dedicou a contestar as provas e tentou provar que eles não estiveram na cena do crime.
Eduardo e Pierre estavam presos preventivamente e não poderão recorrer em liberdade.
Justiça e recurso
"O Ministério Público entende ter sido feito justiça pelo Tribunal Júri, mais uma vez tendo os jurados contribuído com o combate à violência e em defesa da vida", disse o promotor Evandro Ornelas Leal.
Já os advogados Mauro da Costa Ribas Júnior e Carlos Sereni Vissechi informaram que vão recorrer da sentença.
"A defesa já interpôs recurso pedindo anulação do júri porque entende que a decisão dos jurados foi manifestamente contrária à prova dos autos. Vamos aguardar o julgamento pelo Tribunal da Justiça de São Paulo", afirmou Ribas.
"Temos provas que contrariam o resultado e vamos recorrer. Saio confiante do trabalho realizado. Foi um júri bonito", completou Carlos Sereno.
O julgamento começou 10h30 e terminou 22h.