SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEXTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2022
COMPORTAMENTO

Vacinação impulsiona retomada do turismo

Apesar da insegurança com relação ao vírus e das restrições, as pessoas estão se sentindo mais confortáveis para viajar

Luciana Vinha
Publicado em 16/07/2021 às 16:35Atualizado em 19/07/2021 às 15:07

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COMPORTAMENTO

Vacinação impulsiona retomada do turismo

Apesar da insegurança com relação ao vírus e das restrições, as pessoas estão se sentindo mais confortáveis para viajar

Luciana Vinha
Publicado em 16/07/2021 às 16:35Atualizado em 19/07/2021 às 15:07

Depois de mais de um ano adiando planos de viagem, a vacina se torna uma luz no fim do túnel para quem ficou em casa até agora. Em todo o país já são mais de 100 milhões de brasileiros vacinados, que veem no imunizante um passe de liberdade para que a vida volte ao que era antes da pandemia. Apesar de o plano nacional de imunização ainda não ter contemplado todas as faixas etárias, aqueles que já tomaram as duas doses ou que estão aguardando a segunda, têm impactado no setor de turismo que está otimista, embora a previsão seja de que a recuperação total só aconteça a partir do ano que vem, indicam especialistas.

Para o gerente de vendas da agência de viagens CVC, do Plaza Avenida, Hélio Isidoro Geraldo Filho, a procura por viagens tem crescido de forma lenta, mas significativa. "A recuperação total deste mercado ainda vai demorar, mas a tendência é de que em poucos meses possamos alcançar os números de antes da pandemia", afirma.

De acordo com ele, o avanço da vacinação trouxe um fôlego para o setor. "No início, o público estava inseguro, a pandemia prejudicou muito o setor. De março a dezembro do ano passado, por exemplo, nossas vendas não cobriram sequer a meta de um mês fraco de vendas, e agora, com a vacina, as pessoas estão se sentindo mais encorajadas para voltar a viajar. Com relação ao ano passado, tivemos um aumento, em média, de 400% na procura por pacotes de viagens", avalia.

Hélio destaca que 80% dos clientes fecharam pacotes para este semestre, inclusive pessoas da terceira idade. "Sempre ouvimos o comentário de que agora estão vacinados", destaca. Segundo ele, os destinos mais procurados têm sido os nacionais, devido ao excesso de restrições em outros países, e que o Nordeste é o campeão, principalmente Maceió e Natal. Ele faz ainda um importante alerta para quem está aguardando completar a imunização para poder viajar: "A vacinação já é um fato, e a lei do mercado já está acontecendo. Quem tem a intenção de viajar deve aproveitar o momento para aproveitar as promoções e fechar pacotes, porque a tendência, depois de mais de um ano de retração, é de que os preços comecem a subir", aconselha.

Para a diretora da Iza Travel Turismo, Izameire Sanitá de Azevedo, a vacinação é uma esperança para que o mercado do turismo se recupere, principalmente as agências internacionais. "A nossa vacinação e a global interferem muito para que os países abram as fronteiras e recebam turistas. A procura ainda tem sido lenta. A porcentagem de aumento das vendas com relação ao ano passado é de mais ou menos 50%", explica.

Segundo ela, que prevê subir para 80% até o final do ano, até mesmo os idosos, agora vacinados, estão retomando e voltando a fechar pacotes. "Percebemos que eles estão mais seguros para viajar, principalmente pelo Brasil. O destino mais procurado por eles é o Nordeste, e sempre indicamos hotéis e locais com protocolos bem severos", enfatiza.

A procura por viagens mais curtas, chamadas de "bate e volta" também está crescendo com a vacinação. De acordo com o diretor e proprietário da Agência de Viagens Lucas Castro Tour, Lucas Wagner Pirovani de Castro, Capitólio, em Minas Gerais, tem sido uma das atrações turísticas mais procuradas, além do roteiro religioso para Aparecida do Norte, que ele considera o favorito dos clientes da terceira idade, e também viagens corriqueiras para São Paulo. "Cada faixa etária que avança no plano de vacinação contribui para aumentar a procura de reservas. Temos em média cerca de 120 clientes que já fecharam para esse semestre, além daqueles que ainda não confirmaram", comemora.

Cautela é a palavra-chave

Rita Ambrósio Ruffo, 29, e Luis Guilherme Ruffo, 32, desde que se casaram, há quatro anos, o casal tem o hábito de realizar ao menos uma viagem por ano, mas com a pandemia as coisas mudaram um pouco, e agora, com a volta gradativa do turismo, fizeram um viagem recente, no mês passado, para Natal, no Rio Grande do Norte.

"Mantivemos todos os cuidados possíveis, sempre usando máscara, higienizando as mãos, e nos aproximando e mantendo contato com outras pessoas apenas quando necessário. Os locais por onde passamos estão seguindo todas as normas de segurança para evitar o contágio", reforçam.

O casal aguarda a chegada da faixa etária para poder se vacinar, e confessa ter observado que, apesar de algumas pessoas ainda demonstrarem receio, outras estão se comportando de forma mais tranquila, inclusive foi notória a presença de idosos.

Wagner Bortoletto Filho, 53, é voluntário atuante de um Movimento Escoteiro e antes da pandemia costumava fazer ao menos uma viagem internacional e uma nacional por ano, além de vários passeios dentro do Estado. "A maior parte das viagens sempre estava relacionada à participação em eventos do Movimento, onde aproveitava as férias para também viajar pela região (país/Estado) onde era realizado. Em 2020, estava programado ir para a Polônia, e em 2021, para a Argentina e Irlanda, porém, as três viagens foram canceladas, pois se tratavam de eventos que reuniriam milhares de jovens de diversos países", explica.

"Já tomei a primeira dose da vacina e no início de agosto recebo a segunda. Estou ansioso para poder viajar novamente, sinto muita falta de participar dos grandes eventos. Para o segundo semestre deste ano tenho a intenção de fazer outra caminhada de vários dias acampando. A travessia da Serra Fina, na Serra da Mantiqueira está nos planos, pois creio que, para mim, este ainda será o tipo de viagem mais seguro neste período."

É tempo de celebrar, de viver

Cleusa Luiza Gonçalves, 54, já tomou sua primeira dose da vacina há menos de um mês e aguarda ansiosa pela segunda. Ela conta que antes da pandemia viajava com bastante frequência, para diversos destinos turísticos do Brasil, mas que já não faz mais as malas há um bom tempo, a não ser para viagens curtas até São Paulo para visitar o filho.

Segundo ela, que até o momento não teve Covid-19, e, assim como a maioria das pessoas, acredita que o único meio de poder voltar a viajar e com um pouco mais de segurança é através da vacina, com a imunização completa. "Ainda sinto medo, e por mais que eu queira, prefiro aguardar a situação melhorar e também tomar a segunda dose, por isso ainda não tenho nenhuma viagem marcada. Viajar é bom demais, e creio que com o avanço da vacinação isso está cada dia mais perto, e só então me sentirei segura. O mais importante é priorizar a vida", aconselha.

Terezinha Soares de Jesus, 59 anos, viaja pelo menos duas vezes ao ano, e sempre que surge uma oportunidade. Ela revela que não cancelou nenhuma viagem durante a pandemia, e que se sentiu segura em realizá-las. "Em outubro do ano passado fui para Paraty, no Rio de Janeiro, e em novembro para Aparecida do Norte e Campos do Jordão, no Estado. Segui todos os protocolos de segurança e foi tudo muito tranquilo, sem nenhum problema", ressalta.

Apesar disso e de estar com muita vontade de viajar novamente, Terezinha conta que agora está receosa e não tem nenhuma previsão de viagem. Ela já tomou a primeira dose da vacina em junho, e prefere aguardar até que toda a população seja imunizada e as restrições impostas pela pandemia sejam retiradas.

"Fui acometida pela Covid-19 em janeiro, permaneci internada por 27 dias, dos quais 17 foram na UTI, entubada. Uma experiência muito assustadora, até mesmo porque não tenho nenhuma comorbidade. Estou muito ansiosa para que tudo volte ao normal e possamos ser livres novamente para ir e vir sem restrições. Creio que com a vacinação ficaremos mais tranquilos para poder viajar, apesar do fato de que devemos continuar atentos com todos os protocolos para a segurança de todos", alerta.

(Arquivo Pessoal)

(Fotos: Arquivo Pessoal)

(Arquivo Pessoal)

 
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