SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | TERÇA-FEIRA, 09 DE AGOSTO DE 2022
SAÚDE EMOCIONAL

Vença os traumas causados pela pandemia

Período de isolamento social causado pela pandemia da Covid-19 afetou a vida e a saúde mental de pessoas no mundo inteiro

Da Redação
Publicado em 29/07/2022 às 18:44Atualizado em 29/07/2022 às 19:15

O período de isolamento social, que durou quase dois anos e foi causado pela pandemia da Covid-19, afetou a vida e a saúde mental de pessoas no mundo inteiro. Para se ter ideia, um estudo publicado pela National Library of Medicine analisou 500 casos de ansiedade e depressão e chegou a conclusão que todos eles estavam ligados à crise da Covid-19. Além disso, de acordo com um resumo científico, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no primeiro ano de pandemia, a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou em 25%. No fim de 2020, surgiu o termo “Coronofobia”, classificado como um medo extremo de contrair a infecção e tem sintomas de ordem física, psicológica e comportamental.

Mas a verdade é que, em muitos casos, mesmo após o fim do isolamento social, o medo não deixou de fazer parte da vida das pessoas. “A pandemia afetou a saúde mental de grande parte da população. A situação financeira difícil, o acúmulo de dívidas, o medo de pegar Covid e a morte de pessoas próximas gerou tristeza, insônia, irritação, angústia e crises de ansiedade nas pessoas. Todos esses fatores causados pela pandemia fizeram com que os quadros de depressão aumentassem muito nesse período juntamente com os índices de suicídio”, explica a psicóloga Vanessa Gebrim, especialista em Psicologia Clínica pela PUC/SP.

Muitos medos e inseguranças foram desencadeados durante o período de isolamento, além da dor que muitos tiveram que passar ao perder pessoas próximas e, na maioria das vezes, não poderem nem se despedir. “Em alguns casos, mesmo com as restrições sendo diminuídas, existem algumas pessoas que encontram uma dificuldade muito grande devido ao trauma sofrido. Esse comportamento do medo exagerado é conhecido como a “síndrome da gaiola” e ocorre quando a pessoa se isola totalmente. A gaiola agora está aberta, mas algumas pessoas estão fragilizadas demais ou adquiriram transtornos neste período de pandemia”, diz.

Para ajudar a identificar os sinais de traumas causados pela pandemia, a psicóloga listou as principais dicas. Confira:

Medo de sair de casa

A verdade é que todo mundo foi afetado pela pandemia e a casa de cada um continua sendo eleita como o lugar mais seguro para se estar. “O que acontece é que, mesmo com as flexibilizações, muitas pessoas acabam não conseguindo sair de casa ainda. O medo é um sentimento irracional e faz parte da vida. Uma pista que a pessoa passou do limite saudável é quando esse medo causa transtornos de funcionalidade afetando as relações com amigos, família e trabalho”, entende Vanessa.

 Aumento no estresse

Devido ao medo de contaminação, entrar em contato com as pessoas e não ter o controle do que acontece, acaba gerando muito estresse. “Isso se torna ainda pior quando paramos para pensar que encontrar outras pessoas é justamente o que espalha o vírus. Ficar nervoso com coisas pequenas, que antes costumavam não importar, também pode ser um dos sinais de que o estresse pode ter aumentado por conta do isolamento”, complementa.

 Sinais físicos

Quando sentidos em excesso, o medo, preocupação e estresse podem começar a ser sentidos de forma física. “Existem alguns sintomas que são comuns à coronofobia como palpitações, dificuldades para respirar e prejuízos no sono. Quando a situação chega nesse nível, é necessário entender a importância de procurar ajuda para cuidar dos próprios sentimentos e encontrar uma forma de diminuir os sentimentos ruins, sejam eles psicológicos ou físicos”, alerta a psicóloga.

 Fobia social

Em muitos casos, todo o sentimento de medo e insegurança pode acabar se transformando em fobia social. “Um dos principais sintomas é a pessoa ficar muito nervosa ao sair de casa e isso acaba gerando problemas no sono e no apetite, além de ataques de ansiedade. Além disso, se quando sai, ela fica o tempo todo preocupada mesmo tomando todos os cuidados, isso pode ser indício de que algo não está bem. É importante se manter atento nesses sinais para buscar ajuda se necessário”, completa.

 Medo de ficar doente

Sentir um recorrente medo de estar doente é um dos principais sinais deixados pela pandemia. “Muitas pessoas desencadearam pavor de tocar em superfícies por medo de pegar algum vírus, além de começarem a procurar médicos de forma frequente com a suspeita de estar doente. Muitos não vão mais para lugares cheios e também não tocam em coisas que outras pessoas tenham tocado antes da higienização necessária. O que acontece é que, no âmbito emocional dessa questão, muitas pessoas têm se sentido triste, culpado ou com medo além da conta - por si e pelos familiares”, conclui Vanessa Gebrim.

 
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