Prevenção o ano todo
Um em cada três casos de câncer de mama pode ser curado se for descoberto no início

Outubro chega ao fim, mas permanece a importância de conscientizar as mulheres sobre a prevenção do câncer de mama, já que o cuidado é necessário o ano todo. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), este é o tipo mais comum de doença maligna no Brasil, perdendo apenas para os carcinomas (basocelular e espinocelular) e melanoma – o câncer de pele ainda é o tipo de tumor que mais causa mortes de mulheres.
De acordo com o Inca, um em cada três casos de câncer de mama pode ser curado se for descoberto no início. Mas, por medo ou desinformação, muitas pessoas atrasam o diagnóstico. Quando identificado precocemente, pode ser tratado, impedindo que o tumor se espalhe para outros órgãos.
Em sua fase inicial, o câncer de mama apresenta sinais e sintomas que servem de alerta, aumentando as chances de tratamento e cura. “É preciso ficar atenta às alterações na pele, como mudança de cor ou textura mais espessa (com aspecto de casca de laranja), além de vermelhidão ou descamação do bico e da aréola. Em alguns casos, o nódulo pode se tornar volumoso, sendo possível observar um aumento do volume da mama ou de uma área específica”, afirma o mastologista Marcos Miqueletti, do Austa Hospital.
"Todos esses são sinais que podem estar relacionados ao câncer de mama. Quanto aos sintomas, é possível que a mulher sinta dor e tenha uma sensação de mama mais quente e inchada”, orienta.
O médico pontua que nem sempre os tumores de mama causam dor, principalmente nos estágios iniciais. “É um sintoma que geralmente aparece tardiamente, já nos estágios mais avançados. Isso não é bom porque as pessoas costumam procurar ajuda médica apenas quando sentem algum desconforto”, diz.
O especialista explica que basicamente existem dois tipos: Não-invasivos, mais superficiais e sem potencial de causar metástase (células cancerosas que se espalharam para uma nova área do corpo); e invasivos, que como o próprio nome diz, podem invadir a circulação sanguínea e linfática e se espalhar para outras partes do corpo. “Por essa razão, quanto mais precocemente o diagnóstico, maior a chance de cura”, destaca.
AUTOEXAME

O ato de palpar e sentir as mamas no dia a dia é fundamental para que a mulher reconheça suas variações naturais e possa identificar qualquer alteração suspeita. O mastologista Marcos Miqueletti explica que a incidência de câncer de mama começa aumentar a partir dos 40 anos e se potencializa depois dos 50.
Apenas 10% dos casos são diagnosticados antes dos 40 anos e, pelo fato de não ser muito frequente a ocorrência de tumores de mama nessa faixa etária, as mulheres mais jovens ainda não fazem parte dos grupos de rastreamento, que é a realização de exames em pacientes assintomáticas.
Por essa razão, o médico enfatiza o quanto é importante que essas pacientes mais jovens sejam orientadas sobre como realizar o autoexame e a buscar imediatamente ajuda médica para esclarecer qualquer alteração suspeita. Já para as mulheres a partir dos 40 anos, a recomendação é que, além do autoexame, façam anualmente a mamografia, seguindo as orientações da Sociedade Brasileira de Mastologia.
“Diante de qualquer suspeita, qualquer sinal ou sintoma, a paciente deve procurar imediatamente um médico de sua confiança, de preferência um mastologista, que é um especialista em mamas”, orienta Miqueletti.
De acordo com o médico, o processo consiste inicialmente na realização de uma anamnese, que é uma entrevista direcionada para a queixa da paciente. Em seguida é feito o exame físico, e posteriormente os exames de imagem. Na presença de alterações que justificam uma investigação mais apurada, é feita a biópsia da lesão, que pode ser excisional (remoção de todo o tumor) e incisional (remoção de apenas um fragmento do tumor).
“Se for possível diagnosticar um câncer de mama antes que ele atinja a corrente sanguínea e linfática, o tratamento é mais simples, podendo estar relacionado ao cirúrgico, apenas, ou associado ao radioterápico e ao uso de bloqueadores hormonais. Isso vai depender das características de cada tumor e da fase em que é feito o diagnóstico”, explica. (LV)
HÁBITOS SAUDÁVEIS

Prevenir não significa apenas fazer os exames de rastreamento recomendados regularmente, mas também escolher, desde cedo, hábitos saudáveis que protegem a saúde de modo geral.
“Fatores ambientais e hábitos podem potencializar ou diminuir o risco para o desenvolvimento do câncer de mama, entre outros tipos da doença. Praticar atividade física regularmente e ter uma alimentação adequada contribui significativamente, podendo diminuir o risco da doença em até 30%, segundo alguns estudos”, diz o mastologista Marcos Miqueletti. (LV)
ENCONTRAMOS ALGUM REFÚGIO NA FÉ

A vida muitas vezes nos surpreende. Somos colocados à prova, vivenciando situações inesperadas de dor e fragilidade. Foi por volta do ano de 2011 que surgiram os primeiros sintomas, e depois de me submeter a vários exames preventivos, tive o diagnóstico que comprovou a existência de um tumor.
Nesta fase, somente encontramos algum refúgio na fé. Depositei confiança em Deus, primeiramente, mas também nos médicos e em meus familiares, que nunca faltaram com seu amor.
É importante salientar a disposição de retornar à vida normal todas as vezes que se faz possível. Hoje, após 10 anos, tenho a segurança de afirmar que estou curada.
Cristine Weigert, aposentada – Rio Preto
NÃO ERA ‘SÓ CABELO’, ERA O MEU CABELO!

Há exatos quatro anos, em um autoexame de rotina, observei um caroço na mama esquerda. Achei muito estranho, fiz a mamografia e o diagnóstico de câncer de mama veio no mesmo dia.
A quimioterapia foi um momento difícil, pois com ela veio uma avalanche de reações: Enjoos, náuseas, vômitos, dores, prisão de ventre, gosto metálico na boca, cansaço... e a queda de cabelo - que foi o que realmente me fez cair a ficha sobre a doença. Cheguei a cortar mais curto para não sentir tanto, mas não adiantou. Quando começou a cair, eram tufos, para o meu desespero. E daí precisei raspar. Minhas filhas e meu marido que rasparam meu cabelo.
Embora ouvisse de muitas pessoas que era "só cabelo” e que cresceria rápido, para mim aquilo era horrível porque já estava frágil fisicamente e, com a queda do cabelo, me senti mais frágil ainda. E não era "só cabelo”, era o meu cabelo!!!
Passar pelo câncer de mama é enfrentar muitos monstros. É ter que lidar com pensamentos do tipo: “Será que vou morrer?” É ter que trabalhar a autoestima e manter a vaidade, apesar das mudanças na aparência.
Passar pelo câncer de mama é colocar em pauta todas as decisões tomadas em sua vida. É refletir sobre o sentido de viver. É reconstruir a fé e aprender a ser feliz em meio à tempestade.
Minha família e amigos foram muito importantes em todo o processo - essa rede de apoio é essencial para amenizar as duras fases do tratamento.
Cabelos e seios não definem quem somos de verdade e, sim, pensar, agir e resistir. Nunca deixe que a doença te limite. A vida é cheia de desafios e no meio deles a gente segue lutando até o final. Peço que também acredite: Não há mal nenhum que dure para sempre. Passar pelo câncer foi colocar em pauta todas as decisões tomadas em minha vida e me fez refletir muito sobre o sentido de tudo. Me fez enxergar a vida de uma forma diferente.
Eliane Toledo Galhardo, Farmacêutica – José Bonifácio
A MAIOR DOR NÃO É NO CORPO, É NA ALMA

Eu descobri o câncer de mama quando tinha 35 anos. Senti que o seio direito estava meio avermelhado e saiu um líquido do bico. A princípio, achei que não era nada, mas meu marido me aconselhou a procurar um médico. E, assim, depois de alguns dias recebi o resultado dos exames: Foi um choque. Você pensa primeiro na morte e como seus filhos vão ficar.
Com a graça de Deus, estava no início e não precisei fazer tratamento de quimioterapia e radioterapia, mas tive que tomar uma medicação por cinco anos. Retirei toda a mama e coloquei prótese.
A maior dor não é no corpo, é na alma. Você se sente incapaz de fazer o que fazia antes, se sente impotente. Você se questiona se vai ser capaz de cuidar de seus filhos, como vai lidar com sua nova aparência e como seu companheiro vai lidar com toda essa mudança.
Com toda certeza a gente pensa que vai morrer, mas Deus nos acompanha e a gente se apega a cada dia, pedindo uma segunda oportunidade, pois quer ver os filhos crescer. Isso dá força. As pessoas ao seu lado te ajudam a ver tudo de uma forma diferente - minha família, meu marido, minhas amigas e muitas outras pessoas orando por mim.
Depois de um tempo procurei algo para não entrar em depressão. Fiz terapia em grupo, com outras mulheres que tiveram câncer de mama, o que me ajudou a ver que não estava sozinha.
A minha força veio de Deus e da minha família. Todos, em geral, tiveram grande importância na minha cura. Não diga: Por que comigo? ou Deus não está comigo. Pelo contrário, ele está mais próximo do que você pensa. O câncer não é culpa de ninguém. É uma célula doente.
Siga adiante e, por mais que tenha dias ruins, agradeça a Deus por mais um dia. Fale: Tudo isso vai passar. Foi assim que passei, não só por um câncer mais por dois. Depois de um tempo, tive linfoma.
Lislaine Fernandes de Paula, aposentada – Rio Preto
MINHA CASA VIROU DE PONTA-CABEÇA

Em 2007, comecei a me sentir muito cansada e a ter dor no braço. Fiz o autoexame e percebi a presença de um nódulo. Tudo aconteceu muito rápido. Pouco tempo após o diagnóstico, fiz a cirurgia de retirada da mama. Como complemento do tratamento, passei por 6 sessões de quimioterapia, tomei medicação via oral por quase seis anos e injeção por cerca de 4 anos.
Tive alta agora, depois de 15 anos. Foi uma fase muito difícil, minha casa virou de ponta-cabeça. Mas desde o início passei a ter uma fé em Deus muito grande, acreditando que iria vencer. Também acreditei e segui tudo o que o médico disse para fazer. Passei por isso, estou aqui e venci. Não coloquei prótese e sou feliz assim. Aconselho que as mulheres se amem e se cuidem, acima de tudo, e que valorizem o autoexame das mamas.
Cleusa Moreira, manicure – Rio Preto
ESTIVE CONFIANTE DE QUE SERIA ALGO SIMPLES

No final do ano passado, fui fazer a mamografia como parte dos exames de rotina, a médica percebeu algo diferente dos resultados anteriores. Ela pediu uma biópsia, que confirmou a presença de um carcinoma de apenas 1,5 cm. Por ter sido detectado em estágio inicial, graças ao diagnóstico precoce, a cirurgia foi suficiente e não houve a necessidade de radioterapia ou quimioterapia.
Consultei vários oncologistas e o diagnóstico era sempre o mesmo: Que precisava ser retirado. Fiz todos os exames pré-cirúrgicos solicitados, escolhi a equipe médica e fiz a opção de retirar as duas mamas e já colocar as próteses. Por isso a grande importância de se tocar, fazer o autoexame e realizar os preventivos todo ano. No meu caso foi bem tranquilo, pois descobri e resolvi muito rápido. Foi uma loucura, mas sempre estive muito confiante de que seria algo bem simples de resolver. Hoje, tenho uma vida normal, embora ainda seja necessário fazer o acompanhamento semestral.
Célia Maria Rodrigues Castilho de Souza, empresária – Rio Preto
SAÚDE EMOCIONAL
O impacto psicológico que um diagnóstico de câncer e a agressividade do tratamento provoca pode afetar o paciente de diversas formas, inclusive sua autoestima. Cuidar da saúde emocional é tão importante quanto tratar a doença, contribuindo para o sucesso do tratamento e aumentando a chance de cura.
“Sabemos que o sistema imunológico está intimamente relacionado às nossas emoções. Quando temos emoções fortes, negativas, isso pode atrapalhar de alguma forma o seu funcionamento. No entanto, se ele estiver trabalhando bem, a chance de o paciente se dar bem diante do diagnóstico de câncer aumenta significativamente. Um tratamento adequado será proposto, seja ele cirúrgico ou sistêmico, e com o sistema imunológico da paciente trabalhando a nosso favor, certamente a tendência é ter melhores resultados”, orienta. (LV)