SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 05 DE DEZEMBRO DE 2021
ENTREVISTA

A mulher como protagonista de sua longevidade

Ginecologista Odilon Iannetta fala sobre seu novo livro, ‘Climatério para mulheres modernas’

Jéssica Reis
Publicado em 21/11/2021 às 17:17Atualizado em 22/11/2021 às 14:46

O climatério é o período de transição em que a mulher passa da fase reprodutiva para a fase de pós-menopausa. A menopausa (última menstruação) é um fato que ocorre durante o climatério. No climatério há uma diminuição das funções ovarianas, fazendo com que os ciclos menstruais se tornem irregulares, até cessarem por completo. Estatisticamente, a menopausa ocorre, em média, aos 50 anos. O climatério tem início por volta dos 40 anos e se estende até os 65 anos.

Para ressaltar a importância dos cuidados durante o período mais decisivo para a mulher, o climatério, o ginecologista Odilon Iannetta escreveu um livro sobre o tema. ‘Climatério para Mulheres Modernas’ (Editora Pandorga) é uma obra que, segundo o autor, tem o objetivo de ajudar as mulheres a passar por este período de forma leve. O autor apresenta em sua obra um conjunto de sinais e sintomas que possuem como causa principal as amplas variações hormonais femininas.

Segundo o especialista, para que as mulheres mantenham uma boa saúde na pós-menopausa, o correto é iniciar os rastreamentos multidisciplinares a partir dos 40 anos. Em entrevista à revista Bem-estar, o ginecologista Odilon Iannetta fala sobre a tão temida menopausa e quais são os sinais e sintomas do climatério.

 Bem-estar - Falar sobre climatério ainda é um tabu para as mulheres? Por quê?

Odilon Iannetta - No caso das mulheres que são atendidas sem o devido acolhimento, com certeza se torna um tabu, pois elas precisam ser educadas sobre o tema e a longa fase de transição, o que gera desconforto.

 Bem-estar - Qual o objetivo do seu livro ‘Climatério para mulheres modernas’?

Odilon Iannetta - Fazer as mulheres entenderem que todas, em diferentes atividades profissionais, poderão eliminar a infeliz tarja, erradamente utilizada pelos médicos, de que o climatério se refere apenas a uma data(dia), a da menopausa, bem como ensinar tudo sobre o tema, desde questões importantes de quais são os órgãos mais acometidos com a idade, até falar sobre todo o sistema hormonal, desvendando mitos e verdades que podem alterar todo o curso para uma longevidade saudável.

 Bem-estar - Quem pode se beneficiar com os ensinamentos de seu livro sobre climatério?

Odilon Iannetta - Mulheres de todas as idades, até mesmo aquelas que já passaram pela menopausa, talvez assim consigam entender muito do que aconteceu e que ainda pode acontecer com elas. Os colegas profissionais que buscam uma comunicação mais acessível ao tema também podem se beneficiar, bem como, os homens que possam se interessar com o momento de sua parceira.

 Bem-estar - Qual a diferença entre climatério e menopausa?

Odilon Iannetta - O climatério representa um período entre 40 e 65 anos, o último preventivo da vida feminina, em que elas poderão ter a oportunidade de realizar o rastreamento completo e prevenir 80% das doenças que se originam na senilidade. Já a menopausa significa apenas o dia que a mulher menstruou pela última vez.

 Bem-estar - Quais são os primeiros sinais e sintomas do climatério, e a partir de que idade eles começam a surgir?

Odilon Iannetta - Entre 35 e 40 anos a mulher pode começar a observar algum tipo de alteração com seu corpo e saúde, que vão de ondas de calor, sudorese excessiva (principalmente a noturna), palpitações e tonturas, alterações nos órgãos sexuais como secura da mucosa vaginal, diminuição de libido até depressão e irritabilidade.

 Bem-estar - Quais são as principais mudanças na vida da mulher quando chega ao climatério? É necessário orientação médica, algum tratamento?

Odilon Iannetta - A mulher, primeiro, precisa estar atenta a esses sinais, para quando o climatério chegar, ela estar preparada para procurar um bom profissional que possa fazer as devidas reposições para os diferentes compartimentos endócrinos, sanar as carências do metabolismo intermediário, assim como fazer a reposição dos oligoelementos, nutrientes básicos, e etc. Todas são seres humanos pensantes: vão das pontas de cada fio de cabelo às pontas dos dedos dos pés. Orientações com relação a H2O, pasta de dente, alimentos, hábitos, costumes, entre outras são fundamentais nesse período, bem como acertar as dosagens hormonais seguidas das diferentes repostas diante das mínimas queixas. Os hormônios no plasma se encontram em nível de picogramas a nanogramas, por fim, os exames rigorosos são necessários.

 Bem-estar - É possível passar por essa fase da vida de uma forma mais leve e saudável?

Odilon Iannetta - É sim. A mulher consegue otimizar o climatério atuando no meio em que vive, em seu corpo e modulando o potencial evocado cerebral, combinados com as avaliações concomitantes aos níveis hormonais.

 Bem-estar - Esse é um período importante para ter acompanhamento médico, especialmente para a prevenção de doenças que podem surgir no futuro?

Odilon Iannetta - O acompanhamento médico é essencial e imprescindível. A mulher pode e precisa ser acolhida por um grupo multidisciplinar que trabalhe em conjunto, imbuídos do compromisso com a finitude saudável dela. Aproveito para chamar a atenção quanto à comercialização de produtos na internet, que prometem milagres, remédios que tratam de tudo, desde o calor à impotência e, pior, até o câncer. O consumo destas substâncias tem contribuído de forma expressiva para a negação da abordagem investigativa, multidisciplinar e preventiva do climatério.

 Bem-estar - E a vida sexual, como fica durante essa fase da vida da mulher?

Odilon Iannetta - Quando há entendimento real sobre a longa fase do climatério é possível viver uma vida conjunta; o orgasmo emerge de várias formas. Tudo na vida, se resume a tríade de sustentação do corpo humano: mente, corpo e meio ambiente.

Capa livro: Climatério para mulheres modernas (Divulgação)
Capa livro: Climatério para mulheres modernas (Divulgação)
 
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