SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 28 DE OUTUBRO DE 2021
Saúde

Ai, meu ciático

Problema atinge um lado do corpo e se espalha, causando dor nos quadris, nádegas ou pernas

Gisele Bortoleto
Publicado em 13/06/2020 às 20:42Atualizado em 07/06/2021 às 01:22

Certamente você já sentiu ou ouviu alguém reclamar de dor no nervo ciático. Também chamada de lombociatalgia ou apenas ciática, é uma queixa comum nos consultórios médicos. Mas, o que nem todo mundo sabe é que a dor ciática não é uma doença, mas um sintoma de alguma outra condição médica. É preciso avaliar o paciente para entender se a dor está ou não relacionada ao nervo ciático. A dor pode piorar quando a pessoa senta ou levanta.

O ciático é o maior nervo do corpo. "Quando alguém tem um problema relacionado a ele, pode sentir dores extremas e ter uma certa paralisia do corpo, já que ele começa na coluna lombar e se estende pela perna até o dedão do pé, impedindo que haja movimento sem sofrimento, quando inflamado", explica o fisioterapeuta Sérgio Bastos Jr.

A dor ciática geralmente aparece quando existe compressão ou inflamação do nervo. E pode provocar dor intensa no fundo das costas, na região dos glúteos ou pernas, e dificuldade em manter a coluna ereta.

Hérnia de disco

A dor ciática é mais comum em pessoas entre 45 e 64 anos. Este é o único fator de risco não-evitável. Segundo o neurocirurgião Iuri Weinmann, especialista em medicina da coluna, em 90% dos casos a dor está relacionada à hérnia de disco com compressão do nervo.

"A dor ciática ocorre quando há modificações anatômicas degenerativas ou traumáticas na coluna vertebral, que podem levar à compressão nervosa causandoo incômodo na perna que, muitas vezes, o paciente identifica como dor no nervo ciático", explica o médico.

Não há uma incidência nem uma prevalência exata da dor ciática, mas estima-se que de 5% a 10% das queixas relacionadas à dor nas costas têm origem no nervo ciático, o mais longo e espesso nervo do corpo humano. Ele se estende do quadril até o dedão do pé e controla as articulações do quadril, joelho, tornozelo, assim como dos músculos posteriores das coxas e da perna.

Apenas um lado do corpo

Frequentemente, a dor ciática atinge apenas um lado do corpo e se irradia, ou seja, se espalha causando dor nos quadris, nádegas ou pernas. A dor tende a piorar ao sentar-se e pode vir acompanhada de dormência, formigamento e sensação de ardência. "A dor ciática pode também gerar fraqueza e dificuldade para movimentar as pernas ou os pés. Quando a dor é aguda, pode dificultar o ato de levantar-se ou ainda de andar. Os sintomas e sua intensidade dependem da localização da compressão do nervo", explica Iuri Weinmann.

Em pessoas jovens, a causa mais comum é a rotura discal parcial ou das fibras externas dos discos intervertebrais. Estes são como amortecedores naturais entre as vértebras (ossos da coluna). São compostos pela camada interna, chamada de núcleo pulposo, e da externa, chamada de anel fibroso. "O anel fibroso é a parte mais rígida do disco e é repleto de inervações, sendo responsável por manter o núcleo pulposo simétrico para distribuir de maneira uniforme a pressão. Quando o anel fibroso sofre alguma lesão ou se degenera, podem ocorrer as roturas discais. A hérnia de disco se desenvolve quando há rotura completa do núcleo pulposo. Essas modificações anatômicas comprimem a raiz nervosa das articulações levando aos quadros dolorosos", explica o médico.

Em pessoas com mais idade, a dor ciática está relacionada à degeneração progressiva da coluna associada à própria idade. Esses dois fatores levam ao aumento das articulações, à mudança da posição dos discos e à redução do espaço entre os nervos na saída da coluna vertebral, ou ainda na simples passagem pelo canal vertebral

Tem tratamento

O diagnóstico é feito levando-se em conta os sinais e sintomas apresentados, exames de imagem como radiografia, ressonância magnética e, ocasionalmente, exames neurofisiológicos como eletroneuromiografia dos membros inferiores que pode identificar e localizar o conflito nervoso. O tratamento inicia-se com a tentativa de redução dos sintomas com o uso de medicações, repouso relativo e medidas físicas, como compressas mornas. Normalmente os sintomas têm duração de três a seis semanas podendo exigir outras medidas para melhora, tais como bloqueios nervosos e procedimentos cirúrgicos.

De olho na prevenção

Peso: Manter o peso adequado é fundamental para a saúde da coluna. O excesso de peso está ligado ao desgaste e às lesões dos discos intervertebrais; Tabagismo: Fumar aumenta o risco de dor lombar e dor no nervo ciático; Estresse: Procure maneiras de gerenciar o estresse adotando bons hábitos, como se alimentar de forma saudável, praticar atividades físicas ou fazer atividades de lazer; Riscos ocupacionais: Algumas profissões exigem maior esforço da coluna. Siga as recomendações de segurança do trabalho, faça os exames periódicos e procure manter posturas corretas, de acordo com o tipo de função ocupada; Esportes: Levantamento de peso, ciclismo e outros esportes são importantes fatores de risco para a dor ciática e desgaste dos discos. O alongamento e o fortalecimento dos músculos podem ajudar a prevenir lesões.

Fonte: Iuri Weinmann, neurocirurgião e especialista em medicina da coluna

 
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