Sindicato acusa Funfarme de liderar articulação com hospitais para forçar escala de trabalho 12h/36h
Objetivo da articulação, segundo o sindicato, é se antecipar ao fim da escala 6XI, que impactaria diretamente o setor; Funfarme não nega debate, mas diz que age dentro da legalidade

Presidente do SinSaúde (Sindicato dos Trabalhadores da Saúde), Reinaldo Dalur acusa a Funfarme - complexo de saúde que inclui, dentre outros, o HB (Hospital de Base) e o HCM (Hospital da Criança e Maternidade) - de liderar uma articulação com outras instituições hospitalares de Rio Preto para driblar o eventual fim da escala de trabalho 6x1, em debate no Congresso Nacional.
Segundo Dalur, que vem tentando mobilizar os trabalhadores do setor, a Funfarme sugere a todos que, de forma coordenada, promovam mudanças no caso dos contratados pela escala 6x1, “forçando-os” a aceitar o modelo 12x36. De acordo com ele, participaram da discussão sobre o tema representantes do Hospital Santa Helena, Beneficência Portuguesa, Santa Casa e Hospital Austa.
O objetivo dos hospitais de se antecipar ao possível fim da escala 6x1, impondo a jornada 12x36, segundo o SinSaúde, é evitar a obrigação futura de dar ao menos dois dias de folga semanal aos funcionários caso a nova regra seja aprovada e vire lei. De acordo com o sindicato, o setor emprega entre 18 mil e 20 mil trabalhadores somente em Rio Preto.
O dirigente sindical diz que notificou as instituições e deu prazo de 24 horas para explicações, alegando que a mudança pode causar prejuízos aos trabalhadores, especialmente por se tratar de uma categoria composta majoritariamente por mulheres, que passam a não ter dias certos para folga, tendo de trabalhar muitas vezes aos domingos e feriados.
“A escala rotativa pode prejudicar o descanso quinzenal aos domingos, garantido pela CLT e reconhecido pelo STF”, diz Reinaldo Dalur. Ele vem orientando os funcionários a não assinarem documentos concordando com a mudança e afirmou que o sindicato vai adotar medidas legais se os hospitais insistirem na alteração.
Questionada pela Coluna, a Funfarme não negou o movimento, mas afirmou que atua dentro da legalidade. A fundação rebateu as críticas do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde e disse que qualquer possível mudança na escala de trabalho será feita dentro da lei e com negociação com os funcionários.
A Funfarme afirma ainda que a adoção do modelo 12x36 é comum em hospitais públicos, privados e filantrópicos do país. Segundo a fundação, a prioridade é garantir a continuidade dos atendimentos e a segurança dos pacientes, sem decisões “arbitrárias”.
Ainda segundo a Funfarme, revisões em escalas e fluxos fazem parte da rotina de um hospital de referência regional. A fundação destacou que serviços de saúde funcionam de forma contínua e, por isso, ajustes operacionais são constantemente avaliados.
A possível implantação da jornada 12x36, segundo a direção da Funfarme, “seguirá critérios técnicos, assistenciais e legais, além de passar por diálogo com os colaboradores”.