SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2021
OPERAÇÃO CARGA IMPLOSIVA

PF faz buscas em Rio Preto em inquérito de suposta fraude

Agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão em sede de empresa e casa de empresário; apuração é de irregularidade para montar hospital de campanha em Paulínia em licitação de R$ 4 milhões

Marco Antonio dos Santos e Rodrigo Lima
Publicado em 22/09/2021 às 00:08Atualizado em 22/09/2021 às 08:33
Policiais deixam a sede da PF de Rio Preto na manhã desta terça para cumprir mandados de busca e apreensão na cidade (Divulgação/PF)

Policiais deixam a sede da PF de Rio Preto na manhã desta terça para cumprir mandados de busca e apreensão na cidade (Divulgação/PF)

A Polícia Federal de Rio Preto cumpriu mandados de busca e apreensão nesta terça-feira, 21, no âmbito da Operação Carga Implosiva, contra suposta fraude em licitação para contratação de empresa de montagem de dois hospitais de campanha na cidade de Paulínia durante a pandemia da Covid-19, entre abril e maio de 2020. O gasto previsto era de R$ 4 milhões.

A investigação, iniciada a partir da abordagem de um caminhão suspeito de transportar uma carga roubada dia 6 de abril de 2020, revelou irregularidades em processos licitatórios abertos para selecionar e contratar empresa especializada na montagem de hospitais de campanha. A PF investiga a suspeita de que as empresas tenham participado de concorrência para locação de material para construção de hospital de campanha em Paulínia. No entanto, a empresa que venceria a licitação já estava definida devido ao acordo entre as participantes. O pagamento não foi efetivado.

Na manhã desta terça, 60 policiais federais cumpriram 14 mandados de busca e apreensão autorizados pela 9º Vara Federal de Campinas, em Paulínia, Sumaré, Rio Preto e São Paulo e Santa Catarina, em endereços ligados a empresários com à licitação fraudadas. Objetivo é colher provas e identificar todos os envolvidos.

Agentes federais cumpriram dois mandados de busca e apreensão na cidade nesta terça. Eles foram até a residência do empresário Marco Zanovelo, no condomínio Quinta do Golfe e na sede da empresa, na avenida Romeu Strazzi. Ele tem uma empresa de eventos.

De acordo com o delegado-chefe de Campinas, Edgar Geraldo de Souza, a empresa rio-pretense estaria "supervisionando" a execução do projeto. Ele mencionou ainda que outra empresa estaria sendo investigada. Ele não citou nomes das empresas.

"E as duas empresas de Rio Preto já teriam uma ligação provável com servidores do município de Paulínia. E, na verdade, elas estariam supervisionando, assinando o laudo técnico, essas pessoas de Rio Preto, para essa empresa do sul que estava sendo contratada por uma outra empresa aqui da região", afirmou o delegado durante entrevista coletiva ao dizer que não divulga o nome das empresas ou empresários investigados na operação.

Ao Diário, a empresa de Zanovelo informou que "não participou da licitação e que não possui vínculo com a prefeitura de Paulínia e se colocou à disposição das autoridades para contribuir com as investigações."

Dentro da mesma investigação, a PF cumpriu outros 12 mandados de busca e apreensão em Campinas, Paulínia, Sumaré e São Paulo, Florianópolis e Biguaçu, como parte da Operação Carga Implosiva, autorizada pela 9º Vara Federal de Campinas. Todo o material apreendido, inclusive documentos encontrados na casa do empresário de Rio Preto, foram enviados para PF de Campinas.

Delegado: empresas eram especializadas em shows

Delegado-chefe da Polícia Federal de Campinas, Edgar Geraldo de Souza, durante coletiva de imprensa nesta terça

O delegado-chefe da Polícia Federal de Campinas, Edgar Geraldo de Souza, afirmou nesta terça-feira, 21, durante coletiva, que empresas investigadas na Operação Carga Implosiva eram especializadas em montagem de estruturas metálicas para eventos e shows. Ele citou que a Secretaria de Saúde de Paulínia alertou que as empresas não tinham capacidade técnica para atender as condições sanitárias para executar a montagem de hospitais de campanha por conta da pandemia da Covid-19.

Souza explicou que a denominação da operação foi pelo fato de o caminhão ter chegado no município antes do tempo. O delegado citou ainda que funcionários de empresa, que estavam com a carga, chegaram na cidade antes da conclusão do processo licitatório.

Além de fraude em licitação, a Polícia Federal vai apurar ainda a ocorrência de possíveis crimes de corrupção - ativa e passiva -, concussão, falsidade ideológica entre outros. O delegado descartou, neste momento, participação do prefeito no caso.

De acordo com o delegado, com base na documentação apreendida na operação será possível verificar possível ligação entre as empresas e, inclusive, se houve combinação de resultados da licitação. "Segundo as investigações, não temos nenhum dado e, é por isso, que essas buscas foram extremamente necessárias. Não havia como fazer de outra forma para entendermos a relação", afirmou.

Souza disse ainda que o dinheiro foi empenhado, mas as fraudes foram impedidas a partir da descoberta do caso pelas autoridades. (RL)

 
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