SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEGUNDA-FEIRA, 16 DE MAIO DE 2022
CÂMARA

O que esperar dos vereadores de Rio Preto em 2022

Vereadores retomam sessões nesta terça com alguns nomes já certos como pré-candidatos disputa eleitoral deve acirrar os ânimos

Rodrigo Lima, Maria Elena e Vinicius Marques
Publicado em 24/01/2022 às 23:13Atualizado em 25/01/2022 às 08:29
Fachada da Câmara Municipal de São José do Rio Preto (Divulgação/Câmara)

Fachada da Câmara Municipal de São José do Rio Preto (Divulgação/Câmara)

Um olho na sessão, outro na urna e muita turbulência no meio. A Câmara de Rio Preto começa de fato o segundo ano legislativo nesta terça-feira, 25, em meio à perspectiva de um 2022 com eleições nacionais ainda mais polarizadas do que em 2018. E com grande parte dos vereadores participando direta ou indiretamente da disputa.

Dois nomes são dados como certos na briga por uma cadeira a deputado estadual ou federal: João Paulo Rillo (Psol) e Renato Pupo (PSDB). Presidente do Psol no Estado, Rillo deve realizar, inclusive, debate interno, com a participação de Guilherme Boulos – pré-candidato ao governo de São Paulo – para definir qual cargo irá disputar.

Já Pupo deve tentar uma vaga na Assembleia Legislativa. "Recebi mais de um convite dentro do partido. Nas ruas também tenho ouvido apelos para que eu seja candidato. Isso me deixa animado e estou avaliando", afirmou.

Outros estão em compasso de espera. É o caso do presidente do Legislativo, Pedro Roberto (Patriota), que ainda não sabe o seu futuro político, inclusive, dentro da própria legenda. A definição deve ocorrer até o final de março, prazo final para definição dos pré-candidatos.

Pedro foi eleito para comandar a Casa a contragosto da direção da sigla na cidade e, por isso, não sabe se terá legenda. "Não tenho uma definição. Hoje, eu não seria candidato", afirmou Pedro ao enfatizar que um dos entraves é a gestão do Legislativo. "Quem é candidato tende a se expor um pouco mais.”

Anderson Branco (PL) também sonha com uma candidatura para a Assembleia, principalmente após a filiação do presidente da República, Jair Bolsonaro em seu partido. "Por se tratar de um ano eleitoral, será mais intenso e pragmático nos debates e discursos. Sou um soldado, se o capitão precisar de mim aqui na cidade estarei à disposição para lutar pelo meu Estado", afirmou o parlamentar, que já intensificou sua atuação nas redes sociais para tentar ganhar visibilidade.

A fala de Branco só reforça o quanto a cena nacional deverá influenciar nos ânimos dentro da Câmara de Rio Preto. As bancadas partidárias estão sendo orientadas em não deixar acusações ou colocações contra Bolsonaro (candidato à reeleição), o governador João Doria (pré-candidato a presidente do PSDB), o vice-governador Rodrigo Garcia (que vai disputar o Palácio dos Bandeirantes pelo PSDB) e Boulos passarem em branco. Em tese, o ex-presidente Lula (presidenciável do PT) ficaria vulnerável no plenário da Câmara de Rio Preto a ataques, já que os petistas não possuem representantes na Casa.

Rillo, por exemplo, pontua como pretende atuar neste ano na Casa. "Nosso mandato cumpre o papel de pautar as necessidades urgentes da população, como a melhoria do serviço de saúde, da educação, do transporte, além de expor e contrapor o governo anti-povo do prefeito Edinho Araújo", afirmou o vereador do Psol, que não comentou se irá ou não disputar a eleição neste ano.

Integrante da base governista, Jean Charles (MDB) não se ilude com um ambiente “paz e amor”, muito pelo contrário. "Projetar o comportamento do Poder Legislativo em situação normal já é difícil, quiçá em ano eleitoral. Tenho por mim que em termos de projetos polêmicos será mais tranquilo que 2021. Por outro lado, diante do ano eleitoral, em que a polarização deve continuar, tudo vai depender das composições partidárias que acontecerão", afirmou Jean.

E o emedebista continua: “Deveremos ter candidatos a deputado, o que, por si só, promoverá um ambiente mais quente nos debates, onde candidatos deverão buscar eleitores em seus discursos".

VEREADORES DE RIO PRETO

Anderson Branco (PL)

Se autointitula representante do presidente Jair Bolsonaro (PL) na Câmara de Rio Preto, dá a vida por uma polêmica que agrade o bolsonarismo e sonha com um chamado para disputar a eleição de 2022 como candidato a deputado estadual. 

 Celso Peixão (MDB)

Demonstra fidelidade a toda prova ao prefeito Edinho Araújo, faz parte da tropa de choque do governo municipal, mas se sente livre para acertar apoios a candidatos de partidos que não sejam o seu na campanha a estadual e federal. 

 Jorge Menezes (PSD)

É apontado por colegas como um parlamentar “indomável”, não se sabe como vai se portar nas votações, podendo acompanhar a base do governo ou a oposição. Tudo indica que vai apoiar o ex-vice-prefeito Eleuses Paiva (PSD) se este de fato for candidato a deputado federal

 Júlio Donizete (PSD)

Vai apoiar o ex-vice-prefeito Eleuses Paiva (PSD) para deputado federal na eleição deste ano, possui estreita relação política com Bruno Moura (PSDB) e Odélio Chaves (PP). Também sente forte apelo por manifestações pró-Bolsonaro 

 Karina Caroline (Republicanos)

Embora seu partido se posicione como de oposição ao governo Edinho, ela está cada vez mais alinhada aos governistas: participa de eventos da administração, passou a votar com a base e também ficou mais econômica nas críticas. Vai apoiar candidatos do partido escolhidos pela Igreja Universal em Rio Preto: Sebastião Santos (estadual) e Vinícius Carvalho (federal)

 Odélio Chaves (PP)

Colegas apontam que o vereador deverá apoiar candidatos alinhados com a Igreja Quadrangular, à qual ele pertence. Atua em grupo com os colegas Bruno Moura (PSDB) e Júlio Donizete (PSD), mas os pastores e religiosos têm forte influência nos seus posicionamentos, e votos, na Câmara

 Paulo Pauléra (PP)

Atua em dobradinha com o secretário de Governo, Jair Moretti, como “líder informal” de Edinho no Legislativo. Topa disputar a eleição para deputado estadual com o objetivo de alavancar a votação do deputado federal Fausto Pinato (PP) em Rio Preto

 Robson Ricci (Republicanos)

Segue atuando na oposição contra a gestão do prefeito Edinho Araújo (MDB). É fiel ao presidente do Republicanos em Rio Preto, Diego Polachini. Deve apoiar a reeleição do deputado federal Marcos Pereira e se engajar na candidatura da Coronel Helena à Assembleia Legislativa 

 Cláudia De Giuli (MDB)

Segue com atuação discreta no Legislativo, enquanto é investigada pela Polícia Civil por suposto esquema de “rachadinha”. Geralmente acompanha orientações do governo no momento da votação. Se seguir a orientação partidária, deverá apoiar Itamar Borges para estadual e Edinho Filho para federal

 Francisco Junior (DEM)

Deve seguir “apagado” nas sessões; geralmente não usa sequer o microfone, mas garante espaço político com a sua atuação junto a projeto social que o manteve no cargo; vai apoiar candidatos do partido a deputado

 Jean Charles (MDB)

Deve se manter fiel ao governo Edinho, sendo um dos porta-vozes do Executivo na Câmara. Sua atuação política segue mirando no apoio de policiais militares. Deve apoiar candidatos do MDB a estadual e federal  

 João Paulo Rillo (Psol)

É apontado como um dos principais vereadores de oposição ao governo Edinho na Casa. Será candidato a deputado - estadual ou federal - neste ano. Disposto a elevar o tom e partir para o enfrentamento com colegas governistas

 Pedro Roberto (Patriota)

Presidente da Câmara, ele tem atuação desvinculada dos interesses do governo do prefeito Edinho Araújo. Não tem no horizonte qual será o seu futuro político. Embora avalie convites de outras legendas, segue por enquanto no Patriota devido à lei da fidelidade partidária

 Rossini Diniz (PL)

É o suplente do secretário de Esportes, Fábio Marcondes (PL). Não conseguiu ainda se destacar em plenário, onde faz poucas intervenções. Deve apoiar candidatos indicados pelo partido

 Bruno Marinho (Patriota)

Filho do vereador José Carlos Marinho tem uma atuação também sem grande destaque até o momento. Fora da lista de pré-candidatos a deputado, é fiel ao governo e ao partido. Votou contra o colega da sigla na disputa da presidência da Casa

 Bruno Moura (PSDB)

Deve resolver o conflito interno com o PSDB neste ano. Parlamentar tem forte ligação com o bolsonarismo na cidade e, por isso, deve apoiar candidatos ligados ao presidente Bolsonaro. Mantém estreita relação com os colegas Júlio Donizete (PSD) e Odélio Chaves (PP)

 Renato Pupo (PSDB)

O vereador e delegado da Polícia Civil tem garantia de legenda para disputar como deputado estadual, embora o ex-deputado Vaz de Lima também se apresenta na área. Embora seu partido tenha a Secretaria de Habitação no governo municipal, e Edinho apoie os tucanos nas corridas pelo governo do Estado e Presidência da República, Pupo se apresenta como independente na Câmara.

 
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