SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 26 DE SETEMBRO DE 2021
INVESTIGAÇÃO

Marcondes pede acesso à carta com denúncia de suposta 'rachadinha' na Câmara de Rio Preto

Vereador licenciado e atual secretário de Esportes de Rio Preto, que está na lista de investigados, coloca em xeque a ausência de envelope no inquérito; pedido sobre carta foi protocolado na Polícia Civil

Rodrigo LimaPublicado em 13/09/2021 às 23:44Atualizado há 14/09/2021 às 12:57
Secretário de Esportes, Fábio Marcondes, é vereador licenciado pelo PL e pediu para ter acesso a envelope de carta enviada para a Polícia Civil; ele nega participação em
possível esquema na Câmara de Rio Preto (Rodrigo Lima – 19/12/2018)

Secretário de Esportes, Fábio Marcondes, é vereador licenciado pelo PL e pediu para ter acesso a envelope de carta enviada para a Polícia Civil; ele nega participação em possível esquema na Câmara de Rio Preto (Rodrigo Lima – 19/12/2018)

A defesa do secretário de Esportes, Fábio Marcondes, vereador licenciado do PL, pediu acesso ao envelope da carta encaminhada à Polícia Civil com denúncia anônima de suposto esquema de "rachadinha" na Câmara de Rio Preto. O pedido foi apresentado no dia 1º de setembro e foi anexado ao inquérito instaurado pelo Setor de Combate aos Crimes de Corrupção, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro (Seccold) para apurar o caso.

Marcondes cita que a carta foi recebida pelo delegado titular do 3º Distrito Policial, Renato Pupo, que é vereador do PSDB na Casa. Pupo alegou que encaminhou a correspondência para a Delegacia Seccional, que determinou a abertura do inquérito para apurar os possíveis crimes de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Além de Marcondes, que faz parte do governo do prefeito Edinho Araújo (MDB), são investigados: Anderson Branco (PL), Bruno Marinho (Patriota), Celso Peixão (MDB), Cláudia De Giuli (MDB), Francisco Júnior (DEM), Jorge Menezes (PSD), Julio Donizete (PSD), Odélio Chaves (Progressistas), Paulo Pauléra (Progressistas) e Rossini Diniz (PL). Diniz é suplente que ocupa a vaga de Marcondes no Legislativo.

O advogado de Marcondes, Edlênio Barreto, classificou a ausência do envelope no inquérito como "ponto macabro" da apuração. No pedido que apresentou ao Seccold para ter acesso ao documento, foi mostrado até como as correspondências são classificadas pelos Correios. "Pela leitura atenta dos autos, pode-se facilmente observar que a carta do correio que, segundo o delegado Renato Pupo, foi o meio idôneo para enviar e recepcionar a denúncia anônima, não se encontra amealhada aos autos", afirmou Barreto no pedido.

Marcondes queria acesso ao envelope com o objetivo de tentar identificar o autor da postagem da denúncia anônima. Como a Polícia Civil, o Diário também recebeu o envelope com a acusação. A correspondência foi postada no dia 20 de maio deste ano e tem como remetente: "João qsabetudo". O endereço da carta corresponde a sede de uma igreja evangélica da cidade.

Nesta segunda-feira, 13, o Diário esteve na Galeria Bassitt, na unidade dos Correios, com o objetivo de saber se haveria gravação de câmeras de segurança que pudessem identificar o autor da postagem. A reportagem foi informada no local que as gravações são guardadas por sete dias. Ou seja, não seria possível identificar quem postou a carta com a denúncia anônima contra os parlamentares, que negam as acusações.

Pupo afirmou que só se manifestará se for questionado pelo Seccold sobre o assunto.

Na semana passada, vereadores investigados e assessores forneceram dados bancários à polícia. Eles negam irregularidades e solicitaram ainda que o inquérito seja encerrado.

Ex-assessora nega crime

O delegado do Setor de Combate aos Crimes de Corrupção, Organização Criminal e Lavagem de Dinheiro (Seccold), Wander Solgon, desde o início do mês, colheu depoimento de assessores. No dia 2, a ex-assessora Nubia Beatriz Oliveira Faria, que trabalhava no gabinete de Cláudia De Giuli (MDB), prestou depoimento e negou participação no suposto esquema de "rachadinha" na Câmara de Rio Preto.

Acompanhada por sua advogada, a ex-assessora disse que atuou no gabinete da emedebista entre setembro de 2019 até julho deste ano. Questionada se fez o repasse de algum valor para a vereadora ou para outras pessoas ligadas a Cláudia, Nubia disse que "tal fato nunca ocorreu".

"Não sabe dizer se tal solicitação ou exigência teria sido feita para algum outro assessor da vereadora, ou a outras assessores de outros vereadores", afirmou Nubia.

A ex-assessora negou, ainda durante depoimento, que foi procurada pela vereadora do MDB após a instauração do inquérito policial. (RL)

 
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