PT prevê ‘guerra’ por suplências de Tebet e Marina
Disputa é impulsionada pela possibilidade de as duas ex-ministras retornarem ao governo em eventual vitória de Lula por quarto mandato

Depois de superar o impasse em torno da chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo, com a definição de Márcio França (PSB) como candidato a vice, ainda que a contragosto, o PT já se prepara para uma nova disputa entre os partidos da base: a escolha dos suplentes das pré-candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).
O interesse dos partidos tem uma razão prática: caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito para o seu quarto mandato, tanto Tebet quanto Marina podem voltar à Esplanada dos Ministérios, abrindo espaço, caso eleitas, para que seus suplentes assumam os mandatos no Senado.
As ambições são reforçadas pelo bom desempenho das duas nas pesquisas. No último levantamento da Paraná Pesquisas, divulgado este mês, ambas aparecem na liderança da corrida ao Senado, que terá duas vagas neste ano. A ex-ministra do Meio Ambiente tem 35,1% das intenções de voto, seguida pela ex-titular do Planejamento, com 32,4%.
O instituto ouviu 1.600 eleitores em 80 municípios do Estado entre os dias 16 e 18 de junho. A margem de erro é de 2,5 pontos porcentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SP-08639/2026.
NEGOCIAÇÕES
As negociações em torno das quatro suplências ainda não começaram oficialmente, mas o PT considera “razoável” ficar ao menos com a primeira suplência de Tebet. Segundo um integrante do partido ouvido reservadamente, a federação formada por PT, PCdoB e PV estaria “sub-representada” na chapa, com apenas a vaga de Haddad.
O PT trabalha pela indicação do advogado Laio Correia Morais, que foi chefe de gabinete de Haddad no Ministério da Fazenda e é coordenador executivo da campanha ao Palácio dos Bandeirantes. Interlocutores confirmaram que Laio foi procurado por integrantes do PT e se colocou à disposição. Procurada, a assessoria da pré-campanha de Haddad não respondeu.
Outro nome ventilado é do advogado Marco Aurélio de Carvalho, fundador do grupo Prerrogativas e coordenador da campanha de Lula em São Paulo. Ele participou da articulação para que Tebet trocasse o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo. Por isso, a ex-ministra costuma se referir a ele como “padrinho”.
O PSB considera uma afronta a vaga ficar com outra sigla. Integrantes da legenda argumentam que o partido abriu mão da candidatura de França ao Senado, mesmo com o ex-governador bem posicionado nas pesquisas. Também avaliam que Tebet, recém-filiada ao PSB, foi uma indicação da “cota de Lula” na chapa.
No PSOL, um dirigente ouvido reservadamente pela reportagem afirmou que a expectativa do partido é dialogar pela indicação do primeiro suplente de Marina. A ministra é filiada à Rede, legenda que integra uma federação com o PSOL.
A Executiva Nacional do PSOL deve se reunir no próximo dia 18 para discutir o assunto e, a partir disso, formalizar um encaminhamento ao PT. Outro partido que vai entrar nessa disputa é o PDT. O argumento central para ficar com vaga é o fato de ter ficado de fora da chapa majoritária em São Paulo.
Durante as negociações, o PDT chegou a reivindicar a vaga de vice de Fernando Haddad e cogitou indicar a pecuarista Teresa Vendramini, conhecida como Teka. Ela, no entanto, recusou o convite. Agora, a estratégia é buscar espaço nas suplências tanto de Marina quanto de Tebet.
DESGASTE
A negociação da chapa de Haddad foi marcada por desgaste entre os partidos da base, com direito a críticas públicas do PSB à condução do processo. A legenda, comandada nacionalmente pelo ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos, defendia a manutenção da pré-candidatura de Márcio França ao Senado. O PT, no entanto, não concordava em ceder duas vagas ao mesmo partido e avaliava que Tebet era um nome mais competitivo do que o ex-ministro do Empreendedorismo.
O impasse levou França a retomar os planos de disputar o governo de São Paulo, o que foi prontamente rejeitado pelo entorno de Haddad. O presidente estadual do PSB em São Paulo, deputado Caio França, divulgou uma nota pelas redes sociais pedindo respeito às instâncias partidárias e dizendo que o PSB teria autonomia para definir seus caminhos.
O xadrez acabou sendo resolvido após o presidente Lula convocar uma reunião em Brasília com os principais envolvidos na articulação paulista.