Projeto do governo estadual prevê R$ 1,2 bi para buscar água no rio Grande
Programa será debatido em audiência pública no dia 15 em Rio Preto; Semae diz que ainda "estuda" viabilidade de adesão à iniciativa

O governo estadual marcou para o próximo dia 15, no Parque Tecnológico de Rio Preto, uma audiência pública para debater um projeto de saneamento que pode atingir 146 cidades. A previsão é de investimento bilionário que inclui megaobra em Rio Preto, que já foi debatida por mais de uma década, com possibilidade de seguir adiante: a captação de água no rio Grande, com custo estimado em R$ 1,2 bilhão.
Segundo o governo estadual, o programa irá movimentar R$ 29 bilhões em investimentos até 2033, cifra que chegará a R$ 100 bilhões até 2060. Para tanto, será aberta uma concorrência internacional.
A iniciativa integra o programa UniversalizaSP, que, segundo o Estado, “promete levar água tratada e coleta de esgoto a milhões de paulistas, reduzir perdas hídricas e garantir mais segurança hídrica para diferentes regiões”. Um balanço foi apresentado na última semana pela secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende. Em maio, também serão realizadas audiências em São Caetano do Sul, Americana e São Carlos. O decreto que criou esse programa foi assinado pelo governador Tarcísio de Freitas em julho de 2023.
Segundo o estudo técnico realizado pelo Estado, a concessionária ficará “responsável pela execução das obras relacionadas ao aumento da produção de água e, consequentemente, da segurança hídrica relacionada ao Sistema Produtor do Rio Grande, bem como pela prestação de todos os serviços a ele relacionados”. Ainda de acordo com o estudo, o Governo do Estado de São Paulo promoveu “reuniões com representantes dos municípios, visando discutir e validar o projeto e obra proposta”.
O assunto já rende acaloradas discussões nas redes sociais. O Semae, a cargo de Rodrigo Carmona, que também é secretário de Gabinete do Coronel Fábio Candido (PL), afirma que ainda “estuda” viabilidade de adesão. “O Semae Rio Preto informa que mantém interlocução ativa com a Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo para análise técnica do programa UniversalizaSP", diz a nota. "A autarquia ainda estuda a viabilidade de adesão à iniciativa para estruturação de projetos pontuais. O Semae tem como foco elevar a eficiência operacional, consolidar a segurança hídrica e intensificar as metas de redução de perdas em nosso município", complementa o Semae.
NOTAS
BERLINDA
O feriado não suavizou nem um pouco a tensão no governo do Coronel Fábio Candido (PL) em função da enxurrada de críticas pelo convênio assinado pelo secretário de Saúde, Rubem Bottas, com a Santa Casa de Casa Branca. A contratação de R$ 11,9 milhões — sem licitação — para mutirão de 62,9 mil exames em três meses, anunciada na sexta, 24, criou crise no governo. E a Saúde já pagou R$ 4,7 milhões à Santa Casa. Já se fala que das duas uma: ou o secretário deixa o governo ou o convênio vai para o espaço. Por ora, a tendência é a segunda opção.
NO ATAQUE 1
Se na crise do IPTU, Valdomiro Lopes (PSB) foi o primeiro a puxar a fila de deputados da cidade a se posicionarem contra a nova Planta Genérica de Valores implantada em Rio Preto por meio de projeto do Executivo aprovado na Câmara, Itamar Borges (MDB) saiu na frente na crítica ao contrato com a Santa Casa de Casa Branca. O emedebista ocupou suas redes sociais na quinta, 30, para criticar o convênio sem licitação. Chamou de “contrato absurdo”.
NO ATAQUE 2
Neste sábado, 2, foi a vez de Valdomiro criticar a contratação. Em postagem no Instagram, o parlamentar afirmou que zerar a fila de exames deve ser uma prioridade, mas disse que o governo escolheu o “caminho errado”. “Prefeito, ainda dá tempo de corrigir. Cancele esse convênio”, declarou o deputado na postagem.
ELEVADOR
O elevador da Câmara, famoso por apresentar constantes falhas, será substituído. O Legislativo abriu uma concorrência que prevê gastos de até R$ 88 mil para contratar empresa que ficará a cargo de elaborar projeto de substituição do elevador e instalação de plataforma elevatória no Legislativo.
OBSOLETO
Na justificativa da contratação, o Legislativo cita a “necessidade de solucionar problemas estruturais relacionados ao elevador em operação no prédio principal, que apresenta condição que demanda substituição integral, seja em razão de obsolescência tecnológica, aumento da frequência de falhas, dificuldade de obtenção de peças de reposição, custos crescentes de manutenção”. Também aponta problemas de acessibilidade. Ou seja, a situação está precária, pelo visto.
BR-153
O deputado federal Luiz Carlos Motta (PL) protocolou uma indicação direcionada ao Ministério dos Transportes para que o governo federal implemente terceira faixa no trecho urbano da BR-153 que passa por Rio Preto. O deputado, que é de Rio Preto, pediu estudos técnicos para viabilizar a ampliação da capacidade da rodovia. Citou, por exemplo, que dados da Polícia Rodoviária Federal “reforçam o cenário de alerta”. Segundo o deputado, em 2025, foram registrados mais de 250 acidentes no trecho urbano.
GUARDA
Projeto do Executivo que segue na Câmara sem que seja votado entrou na pauta da sessão de terça, 5, mais uma vez. Será a sexta tentativa de aprovar, no mérito, projeto de lei que cria 50 vagas para a Guarda Municipal. Uma emenda do vereador João Paulo Rillo (PT) tenta ampliar o número para 90 agentes, mas há entendimento no governo de que a medida seria inviável.
DESOBRIGA
Projeto protocolado na Câmara de Rio Preto desobriga o uso de uniforme escolar na rede pública e privada de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A medida é autorizada, segundo iniciativa de Julio Donizete (PSD), com apresentação de laudo médico que comprove a necessidade da adaptação. A proposta será lida na terça, 5, e começa a tramitar na Casa.
'Foi um tratamento intenso', diz Abner

Na próxima terça-feira, 5, o vereador de Rio Preto Abner Tofanelli (PSB) irá participar da primeira sessão depois de um período de internação para tratamento de depressão. O parlamentar ficou 45 dias internado em hospital psiquiátrico em Itapira, na região de Campinas. Na última semana, Abner (á esquerda na foto) foi à Câmara e reencontrou colegas de Legislativo, como Paulo Pauléra (PP). Em uma rápida entrevista, o vereador disse que “está bem melhor”. “Foram 45 dias de tratamento intenso, com psicólogos, psiquiatras, conselheiros. A medicação foi muito importante e eu sigo o tratamento aqui fora”, afirmou. Segundo o parlamentar, ele pesava 58 quilos quando foi internado e agora está com 70 quilos. “Tive uma melhora muito grande no meu humor e nas práticas esportivas. Então, eu tô bem animado para esse retorno”, disse. O alerta para casos de depressão será uma das principais bandeiras no retorno à Câmara. Durante a licença de Abner, o suplente do PSB Nenê da Zona Norte assumiu a cadeira na Câmara.