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POLÍTICA

PF vai investigar suspeita de tráfico de influência de Lulinha no governo

Ministro André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para investigar o filho de Lula; em podcast, presidente defendeu que o filho não tenha tratamento diferenciado

por Agência Estado
Publicado em 31/07/2026 às 09:07Atualizado em 31/07/2026 às 09:07
Fabio Luis da Silva, o Lulinha (Reprodução)
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Fabio Luis da Silva, o Lulinha (Reprodução)
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência no governo federal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Relator do caso, Mendonça atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF).

Procurada, a defesa de Lulinha disse que recebeu "com tranquilidade" a informação e afirmou que o filho do presidente não obteve nenhum pagamento por negócios de empresários com o governo Lula.

A autorização de Mendonça para a abertura da investigação formal ocorre às vésperas do lançamento oficial da campanha de Lula à reeleição. O PT vai realizar na manhã deste domingo, em São Paulo, a sua convenção nacional, que vai homologar a chapa Lula/Geraldo Alckmin (PSB) para a disputa presidencial deste ano

A solicitação da PF foi enviada à presidência do STF com a sugestão de distribuição livre na Corte, o que tiraria o caso das mãos do ministro André Mendonça. A presidência, porém, remeteu o caso ao ministro, por entender que havia conexão com as investigações sobre desvios e descontos ilegais de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Após Lulinha entrar no alvo da PF, o presidente afirmou em fevereiro que teve uma conversa com seu filho sobre o assunto. Lula disse na ocasião que a orientação do governo era que se "investigue o que tiver que investigar".

"Quando saiu o nome do meu filho, eu chamei meu filho aqui. Falo isso com todo mundo. Olhei no olho dele e falei: ‘Só você sabe a verdade, se você tiver alguma coisa, vai pagar o preço de ter alguma coisa, se não tiver, se defenda’. Eu trato as coisas com muita seriedade", afirmou o presidente.

TRÂNSITO

Mendonça havia feito cobranças à PF nas últimas semanas sobre o andamento das investigações envolvendo Lulinha, o que vinha gerando descontentamento na corporação. No pedido de investigação, a PF cita suspeitas de tráfico de influência de Lulinha no Palácio do Planalto e no Ministério da Saúde.

O objetivo do inquérito é investigar se o filho do presidente vendia acesso ao governo federal, em troca de pagamentos. O nome de Lulinha surgiu nas apurações sobre desvios de aposentadorias por causa de sua relação com um dos empresários investigados como líder do esquema, Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".

Lulinha chegou a admitir em documento protocolado no STF que viajou a Portugal com as despesas pagas pelo "Careca do INSS" para prospectar um negócio de cannabis medicinal. Esse negócio seria intermediado pela empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e responsável por apresentá-lo ao "Careca do INSS". Ela recebeu pagamentos de R$ 1,5 milhão do empresário e afirmou que prestou serviços de consultoria para regulação do mercado de cannabis medicinal no Brasil.

Como revelou o Estadão, a PF suspeita que Lulinha seria sócio oculto do "Careca do INSS" e, por causa disso, informou no final do ano a André Mendonça que iria aprofundar as suspeitas sobre o filho do presidente.

Agora, os investigadores entenderam que os fatos encontrados sobre Lulinha não têm relação direta com os desvios do INSS e, por isso, decidiram pedir um inquérito autônomo para investigar o assunto.

‘PESCA PROBATÓRIA’

O advogado Marco Aurélio Carvalho, que representa Lulinha, considerou "estranha" a instauração do novo inquérito e falou em "pesca probatória". "Importante dizer que o presidente Lula devolveu as instituições de Estado à sociedade brasileira, notadamente a Polícia Federal, que tinha sido capturada pelo governo anterior por interesses políticos e eleitorais. A PF recuperou a independência e autonomia que são determinantes para a manutenção da credibilidade da instituição, mas ela precisa usar com responsabilidade", afirmou Carvalho.

"É estranha a notícia sobre a instauração de novo inquérito, a impressão que passa é que a Polícia Federal está promovendo uma espécie de pesca probatória. ‘Não achei nada aqui e vou procurar ali’. Isso é muito grave. Não acharam nada do Fábio no bojo das investigações do INSS, como não vão achar em relação a esses fatos."

Provar inocência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou nesta quinta-feira, 30, sobre as investigações em torno de um de seus filhos. Em entrevista ao Podcast Inteligência Ltda, o presidente afirmou que Lulinha é utilizado para atacá-lo de várias formas desde 2006 e defendeu que o filho não tenha tratamento diferenciado, caso fique comprovado seu envolvimento em esquemas de corrupção.

"Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa, como eu. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado, para um juiz, não fazerem as coisas corretas. Se ele tiver certo, ele vai ter ajuda minha. Se ele fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei", disse o petista.

Lula afirmou ainda que acredita na inocência do filho e que o empresário, que hoje reside na Espanha, retornará ao Brasil para responder a um eventual processo judicial.

"Ele jura para mim todo dia, se for julgado, ele virá para cá, não vai ficar escondido. Eu não vou utilizar meu cargo para proteger. Ele vai ter que provar que é inocente como eu provei. E, se for culpado, vai ter que pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra", destacou o presidente.