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INVESTIGAÇÃO

PF faz buscas contra Ciro Nogueira em ação que apura crimes do Master e de Vorcaro

Operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça

por Agência Estado
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Ciro Nogueira foi alvo da operação (Divulgação)
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Ciro Nogueira foi alvo da operação (Divulgação)
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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira, 7, mais uma fase da Operação Compliance Zero e mira pela primeira vez o núcleo político por suspeitas de crimes envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. Foi cumprido mandado de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do partido.

A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Como revelou o Estadão, a PF tinha encontrado no celular de Vorcaro diálogos com o senador e ordens de pagamento do banqueiro para uma pessoa de nome Ciro, citado sem sobrenome. Na época, o senador disse conhecer Vorcaro, mas afirmou não ter proximidade e negou ter recebido pagamentos.

A Polícia Federal encontrou mensagens no celular de Vorcaro nas quais ele se refere ao senador como um "grande amigo de vida" e comemora uma iniciativa legislativa de Ciro que beneficiava o Master.

A data da mensagem de comemoração ao que chamou de "bomba atômica no mercado financeiro", 13 de agosto de 2024, coincide com a da emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de autonomia financeira do Banco Central, apresentada por Ciro Nogueira, para aumentar o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil por CPF para R$ 1 milhão.

A proposta foi identificada por políticos e integrantes do mercado financeiro como uma das primeiras "digitais" de favorecimento ao Master no Congresso.

A cobertura do FGC era uma das principais estratégias do Banco Master para alavancar os investimentos em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs),como mostrou o Estadão em agosto do ano passado.

Mesada

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou as diligências com base em provas reunidas pela PF, afirma que o senador recebia uma mesada de R$ 300 mil de Vorcaro. Segundo a investigação, "há relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil".

Os investigadores também apontam que Vorcaro teria disponibilizado gratuitamente ao senador, por tempo indeterminado, um imóvel de alto padrão, além de custear hospedagens, deslocamentos e outras despesas ligadas a viagens internacionais de luxo. Entre os gastos mencionados, estão estadias no Park Hyatt New York, restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e à sua acompanhante. A investigação cita ainda a disponibilização de um cartão para cobertura de gastos pessoais.

Outro ponto apurado pela PF envolve a aquisição, por Ciro Nogueira, de participação societária estimada em cerca de R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão, operação que, segundo os investigadores, teria sido viabilizada por Vorcaro.

Segundo as investigações, o negócio, com subvalorização das ações adquiridas, envolvia a venda de 30% da empresa Green, que teria participação na empresa Trinity, para a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., formalmente administrada pelo irmão do parlamentar, Raimundo Nogueira - também alvo de mandado de busca e apreensão. A defesa dele não se manifestou.

"A narrativa policial enfatiza que os elementos colhidos demonstrariam a existência de um arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade", diz a PF.

Quem é Ciro Nogueira

Nascido em Teresina, em 21 de novembro de 1968, Nogueira é formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Iniciou a trajetória política no Piauí e foi eleito deputado federal por quatro mandatos consecutivos antes de chegar ao Senado, em 2011. Em 2018, foi reeleito para a Casa.

Desde 2013, preside nacionalmente o Progressistas (PP). Ao longo da carreira, participou de articulações políticas em diferentes governos e ampliou a influência do partido em negociações no Legislativo.

Entre 2021 e 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocupou o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, se tornando um dos principais articuladores políticos da gestão.

Nos últimos anos, o parlamentar se consolidou como uma das lideranças da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado e mantém atuação em debates sobre economia e articulação partidária.

Operação

Essa é a quinta fase da operação e foi deflagrada na mesma semana em que a defesa do banqueiro entregou à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de acordo de delação premiada, ainda sob análise dos investigadores. A nova fase não tem relação com os fatos apresentados na proposta de delação, que no estágio atual não possui valor probatório.

Na quarta fase, deflagrada em 16 de abril, a PF prendeu o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, que também decidiu buscar um acordo de delação.