Operação mira desvios de R$ 10 milhões na Câmara de Catanduva
Justiça expediu dez mandados de prisão e 47 de busca e apreensão em esquema de desvios, fraudes e lavagem de dinheiro

Promotores do Gaeco, técnicos da Receita Federal e policiais militares concederam entrevista coletiva nesta terça-feira, 2, sobre operação que mirou desvios e fraudes na Câmara de Catanduva. Denominada “Rei do Pix”, a operação foi deflagrada nesta terça com cumprimento de dez mandados de prisão preventiva. Oito mandados haviam sido cumpridos até a tarde desta terça.
A apuração é sobre desvios de R$ 10 milhões em recursos do Orçamento da Câmara de Catanduva, principalmente entre 2023 e 2024. No total, ainda foram cumpridos 47 mandados de busca e apreensão. Segundo balanço parcial divulgado na coletiva, são cerca de 50 celulares apreendidos, além de 16 veículos. Os mandados foram autorizados pela 1ª Vara Criminal de Catanduva. Também foram cumpridos mandados em Adamantina, Bauru, Jaboticabal e São Paulo.
A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 20 milhões de bens. Entre os alvos da operação estão os vereadores Marquinhos Ferreira e Carlos Alexandre Batista dos Santos. Também foram alvos os ex-vereadores Alan Figueiredo Marçal, Maurício Gouvea e Patrick Camelo Rolim César. Outros são Diego Arthur Borges, Thayslan Vinícius Marcondes Garcia, Marcos Aparecido Ferreira Filho, Hallan Kleber Aparecido Debiazi e Pedro Henrique dos Santos Virgili. A reportagem tenta contado com a defesa dos investigados.
De acordo com o Gaeco, foram criadas em torno de 60 empresas de fachada em nome de amigos e parentes. Essas empresas simulavam a prestação de serviços à Câmara Municipal, emitiam notas fiscais frias e recebiam recursos públicos que, posteriormente, eram devolvidos aos integrantes do esquema criminoso, com retenção de 90% a 95% dos valores, informou o Ministério Público.
Segundo o promotor Thomás Oliver Lamster, as empresas não prestavam o serviço para a Câmara. Na coletiva, ele citou um caso de uma empresa que foi criada num dia e no mesmo dia já recebeu pagamentos do Legislativo.
Uma pessoa era incumbida de realizar os pagamentos desses serviços de fachada, assim chamados na Câmara, segundo a apuração de “Rei do Pix”. A apuração teve início a partir de uma representação encaminhada ao Gaeco.
Uma das contratações que seriam irregulares, segundo o promotor, foi de R$ 100 mil para “hidratação” de bancos de couro.
“Uma das contratações foi de mais de 100 mil reais para hidratação de poltrona de couro de uma empresa que não tinha sede, não tinha funcionários,não tinha efetivamente nada”, afirmou o promotor do Gaeco.