Nova presidente do CMPC diz que quer diálogo, mas, se precisar, vai para o embate
Conselho da Cultura, que passou por nova eleição após renúncias, terá quatro mulheres na diretoria, capitaneadas por Elis Bohrer

Eleita presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC) de Rio Preto na última quinta-feira, 23, Elis Bohrer acena para um “diálogo institucional” com o governo do Coronel Fábio Candido (PL), com o qual o colegiado anda em pé-de-guerra.
Ela avisa, no entanto, que se o conselho continuar sendo “atropelado”, vai ser difícil depor as armas. “Se for preciso, vamos para o embate. Espero que não precise”. E emenda: “Queremos que o conselho seja ouvido e respeitado".
Elis foi eleita presidente do CMPC 12 dias depois de renunciar ao cargo de segunda secretária do colegiado. Ela apresentou a carta de renúncia exatamente uma semana depois de a então presidente, a violinista Camila Schneck, deixar a presidência.
As duas renúncias deixaram o Conselho paralisado e caótico, uma vez que o então vice-presidente, Érick Soares, assumiu interinamente o comando da Secretaria de Cultura do município e, como tal, não poderia presidir o CMPC.
A renúncia de Elis, ex-vice-presidente municipal do Solidariedade, foi estratégica, forçando a realização de nova eleição para os dois cargos vagos. Ao deixar a segunda secretaria, ela se viabilizou para a disputa à presidência.
A nova eleição resultou num fato curioso, com toda a diretoria formada por mulheres. Além de Elis, que representa o segmento Promoção Cultural, Sociedade Criativa e Eventos, o grupo é composto ainda por Cibele Moretti na vice-presidência (representando a Secretaria da Cultura, em substituição a Érick Soares), Flávia Brasil Bueno na primeira-secretaria (representante suplente da pasta de Cultura), e Solange Santos na segunda-secretaria (correpresentante do segmento Territórios).
Com 42 integrantes (21 titulares e 21 suplentes), o Conselho Municipal de Políticas Culturais de Rio Preto é tripartite e paritário, formado por representantes do governo (14 indicações), de artistas e gestores culturais (14) e da sociedade civil (14). O colegiado é também deliberativo, prerrogativa que o governo atual tentou derrubar no seu primeiro projeto enviado ao Legislativo logo que assumiu. A proposta foi retirada posteriormente, uma vez que contrariava regras para recebimento de recursos federais na forma de fomento para o setor.
A relação entre o CMPC e o governo coronelista, até aqui, vem sendo tensa. Tanto Elis como Camila saíram atirando: ambas relataram dificuldades em se relacionar com os representantes da atual gestão, nomeando Érick Soares como o principal obstáculo.
Dentre as críticas ao colegiado estão os gastos milionários com atrações artísticas nacionais em detrimento de artistas locais sem discussão prévia com o Conselho. A contratação de celebridades sertanejas e afins para o Carnaval, ao custo de R$ 6 milhões, por exemplo, virou alvo de representação no Ministério Público.
NOTAS
DESCONEXÃO
Segundo membros do CMPC, o governo usa os recursos para eventos com artistas nacionais como investimento na Cultura. Mas este tipo de ação não tem, segundo eles, nada a ver com o que se produz no município. “Somos uma cidade que exporta arte e cultura. Precisamos fortalecer isso. Esse gasto não é investimento, não fica aqui”, declarou Elis Bohrer.
PLANO...
Em seu plano de ação, Elis Bohrer, que trata a cultura como direito e motor de desenvolvimento, reforça o papel do conselho como espaço de decisão e fiscalização. “A ideia é dar mais musculatura institucional ao órgão e aproximar sociedade civil, artistas e poder público nas decisões."
...DE AÇÃO
No diagnóstico, ela aponta velhos gargalos da cultura em Rio Preto: pouco dinheiro, políticas que não se sustentam entre gestões e falhas na execução do Plano Municipal de Cultura. Também cita baixa integração entre conselho e governo e pouca transparência no uso de recursos. Entre as prioridades, Elis destaca fortalecer o conselho e ampliar o orçamento da Cultura gradativamente até 1% do orçamento.
‘FUI’
O médico emergencista e capitão da Polícia Militar Rodrigo Tadeu Silvestre deixou, a pedido, a coordenação do Samu de Rio Preto. Ele assumiu o posto em janeiro de 2025, com a missão dada pelo governo do Coronel Fábio Candido (PL) de reestruturar o serviço. Questionado pela Coluna sobre a decisão de sair, apontou motivos de ordem pessoal: “Trabalho muito e minha família pediu. Fiz uma opção”. O médico Isaac Machado é o escolhido para substituir Silvestre na função. Ainda não se sabe se como titular ou interino.
MOTTA 1
O prefeito de Rio Preto, Coronel Fábio Candido (PL), confirmou presença em uma espécie de plenária com lideranças políticas locais e regionais que o deputado federal Luiz Carlos Motta (PL) promove na cidade neste sábado, 25, já de olho na reeleição. A ideia, segundo a assessoria do parlamentar, é “começar a desenhar os movimentos para 2026”.
MOTTA 2
O evento vai servir para medir também quais os vereadores de Rio Preto que já estão fechados com a candidatura de Motta. E não falta motivação para os interessados enterrarem o sabadão numa reunião política. Depois do “trabalho pesado” tem diversão garantida. O deputado vai receber o pessoal que se mobilizou para contribuir com sua pré-campanha com um almoço reservado, cujo mote oficial é a comemoração “atrasada” pelo seu aniversário, que foi ontem (sexta-feira, 24).
#GRATIDÃO 1
Em sua primeira sessão após voltar à Câmara de Rio Preto, Klebinho Kizumba (PL) fez um discurso de quem não queria arrumar confusão com os colegas. O secretário agradeceu o prefeito (que o exonerou da Secretaria de Esportes após o escândalo do estacionamento na Cidade da Criança), a “família” que o auxiliou quando comandou a pasta, os colegas de vereança e até o Ministério Público. O promotor Carlos Romani abriu inquérito para investigar a autorização dada por Kizumba para exploração da área pública, alvo de suspeitas de irregularidades.
#GRATIDÃO 2
Kizumba também agradeceu o atendimento que teve no hospital no qual passou por cirurgia na vesícula após deixar a Secretaria. No discurso de três minutos, afirmou que está “muito feliz”. “Estamos iniciando hoje um trabalho maravilhoso”, afirmou. Detalhe: logo que pisou na Câmara, ao retornar, a primeira pessoa que ele procurou para pedir conselhos sobre como se posicionar foi o veteraníssimo Paulo Pauléra (PP), que recomendou o tom conciliatório.
MULHERES 1
A médica de Rio Preto Regina Chueire, diretora do Instituto Lucy Montoro, que integra o Complexo Funfarme, é uma das 19 homenageadas em cerimônia que será realizada na próxima terça-feira, dia 28, na Alesp. O evento “Mulheres que Movem a História” é uma iniciativa da deputada estadual Beth Sahão (PT), por meio da Frente Parlamentar pela Defesa da Vida e Proteção de Mulheres e Meninas. Regina, que também é professora adjunta da Famerp, estará ao lado de nomes como o da empresária Luiza Helena Trajano, da geneticista Mayana Zatz e da professora e gestora pública Ana Estela Haddad.
E aí, companheiro?

O deputado estadual Itamar Borges arrumou mais um motivo para circular pelos corredores do Palácio dos Bandeirantes. Nesta quinta-feira, 23, ele postou fotos nas redes sociais com o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, agora seu colega de partido. “Fui dar um abraço pessoalmente pela sua chegada ao MDB, uma grande honra tê-lo conosco, fortalecendo ainda mais o nosso time”, escreveu. E, claro, aproveitou o novo “companheiro” para pleitear liberação de recursos, atendimentos, convênios e programas para os municípios “até o prazo limite da campanha eleitoral”. “Também conversamos sobre os desafios das eleições de 2026”, completou.