SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 18 DE MAIO DE 2022
REAJUSTE DE POLICIAIS

Para líder de bancada no Congresso, é melhor Bolsonaro não recuar decisão de reajuste salarial

Segundo Capitão Augusto, veto ao reajuste causaria ‘ruído na base’

Agência Estado
Publicado em 13/01/2022 às 00:50Atualizado em 13/01/2022 às 08:50
Deputado Capitão Augusto (PL-SP) espera pela sanção do reajuste aos policiais federais apesar dos sinais do próprio presidente Jair Bolsonaro (Divulgação/Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

Deputado Capitão Augusto (PL-SP) espera pela sanção do reajuste aos policiais federais apesar dos sinais do próprio presidente Jair Bolsonaro (Divulgação/Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

O líder da 'bancada da bala' no Congresso, deputado Capitão Augusto (PL-SP), afirmou que espera pela sanção do reajuste aos policiais federais apesar dos sinais do próprio presidente Jair Bolsonaro de que todas as categorias podem ficar sem aumento, já que não há espaço no Orçamento para contemplar a todos os servidores.

"Não acredito que o presidente vai recuar. Nós já tivemos uma série de perdas nesse mandato, reforma da Previdência, PEC Emergencial, a reforma administrativa que está vindo, sem nenhuma revisão inflacionária. O aceno de dar essa reestruturação das carreiras já gerou uma expectativa. Recuar seria pior", disse.

Bolsonaro tem até o próximo dia 21 para sancionar ou vetar a verba no Orçamento. O ministro da Economia se manifestou contrário à concessão de aumento salarial para o funcionalismo federal em 2022.

Na avaliação de Guedes e sua equipe, será “explosivo” se governo fizer o reajuste às forças policiais do Executivo porque no dia seguinte “todo mundo” vai querer em meio às restrições fiscais. "Não dá para saber o que se passa lá, mas sempre prevalece a vontade do Bolsonaro. Teve vários outros impasses entre o Bolsonaro e o Paulo Guedes e acaba prevalecendo a vontade do Bolsonaro", disse o deputado.

A verba de R$ 1,7 bilhão foi aprovada após o presidente entrar em campo para garantir o reajuste no Orçamento de 2022. Tecnicamente, o recurso não é destinado a uma categoria específica, mas foi negociado para atender os policiais federais após um aceno do governo a uma categoria estratégica para Bolsonaro em ano eleitoral. E, como mostrou o Estadão, esse dinheiro é insuficiente para atender até mesmo a reestruturação dos salários da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e agentes penitenciários, carreiras que o presidente acenou com o reajuste.

O Ministério da Economia é contra o reajuste, mas, em dezembro, cedeu à pressão do presidente e enviou um ofício ao Congresso solicitando o recurso. Agora, a pasta tenta barrar a revisão salarial mais uma vez. Se Bolsonaro vetar a verba, o veto ainda poderá ser derrubado no Legislativo.

A proposta causou um efeito cascata de outras categorias, que começaram a abandonar cargos no Executivo. Mobilizações e operações-padrão, principalmente de auditores da Receita, causaram uma série de transtornos em portos e também na fronteira Norte do País. No sábado, 8, Bolsonaro afirmou que o impasse pode fazer com que nenhum servidor tenha reajuste salarial neste ano.

"A reivindicação das demais categorias é justa, porém, nunca se dá aumento para todo mundo de uma vez só. A bancada da segurança foi uma área base do presidente Bolsonaro", disse Capitão Augusto.

O líder da Frente Parlamentar da Segurança Pública alerta que um veto de Bolsonaro ao reajuste vai causar um ruído nessa base. Capitão Augusto minimizou, porém, o efeito eleitoral de um eventual recuo. "Se ele não conceder, obviamente haverá um descontentamento, mas não acredito que esse descontentamento vai influenciar no palanque das eleições."

Polícia indica preocupação

Policiais federais e rodoviários demonstraram preocupação nesta segunda-feira, 10, com um possível recuo do presidente Jair Bolsonaro (PL), que afirmou no fim de semana ser possível que nenhuma categoria tenha reajuste este ano. Membros dos órgãos já falam em "traição" e "golpe" do presidente, caso ele descumpra o compromisso firmado no fim de 2021.

Com a adesão em massa dos servidores públicos federais ao movimento de operação-padrão e entrega de cargos comissionados no governo, Bolsonaro pediu no fim de semana "sensibilidade" ao funcionalismo e argumentou que não há espaço no Orçamento para dar aumento para todos. "Pode ser que não tenha reajuste para ninguém", disse o presidente no sábado, 8.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, recomendou que Bolsonaro vete o reajuste aos policiais. O Orçamento tem uma reserva de R$ 1,7 bilhão para atender reajustes em 2022, mas auditores da Receita Federal, não contemplados com o reajuste prometido, estão entregando seus cargos. (AE)

 
Grupo Diário da Região.© Copyright 2022É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por