SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEGUNDA-FEIRA, 16 DE MAIO DE 2022
POR ORDEM DE MINISTRO DO STJ

Médico da 'Máfia das OSSs' é mandado para prisão domiciliar

O ministro afirma que "diante das peculiaridades do caso concreto, é recomendável a concessão de prisão domiciliar, como medida de cunho humanitário lastreada no princípio da dignidade da pessoa humana"

Agência Estado
Publicado em 12/05/2022 às 23:55Atualizado em 13/05/2022 às 09:06
Médico Cleudson Garcia Montali, autorizado pelo STJ a migrar para o regime domiciliar (Reprodução)

Médico Cleudson Garcia Montali, autorizado pelo STJ a migrar para o regime domiciliar (Reprodução)

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Ribeiro Dantas determinou que o médico Cleudson Garcia Montali deixe a prisão e migre para o regime domiciliar. Condenado a mais de 200 anos sob a acusação de liderar uma organização criminosa que desviou R$ 500 milhões da Saúde de municípios paulistas, Montali estava preso desde setembro de 2020.

Por uma questão técnica processual, o ministro negou seguimento ao habeas corpus, mas decidiu conceder a ordem de ofício ao levar em consideração o estado de saúde de Cleudson. O pedido é assinado pelo presidente nacional da OAB, Beto Simonetti.

Em sua decisão, Ribeiro Dantas levou em consideração um laudo médico assinado em maio de 2021. No documento, o clínico que atendeu Cleudson constatou “atrofia severa de membros inferiores, atrofia de membros superiores, perda de vitalidade da pele, alteração da pressão arterial e glicemia, desidratação, alteração cognitiva e insônia”.

O ministro afirma que “diante das peculiaridades do caso concreto, é recomendável a concessão de prisão domiciliar, como medida de cunho humanitário lastreada no princípio da dignidade da pessoa humana”.

Cleudson é o pivô da Operação Raio-X, que mira desvios em contratos de Prefeituras e do Estado com o uso de Organizações Sociais de Saúde. Um desdobramento da investigação motivou a Justiça a autorizar buscas e apreensões em endereços do ex-governador Márcio França (PSB), em janeiro.

Grampos na mesma investigação identificaram conversas entre graduados políticos da Assembleia Legislativa e integrantes da Organização Criminosa da Saúde. Um deles foi o presidente da Casa, Carlão Pignatari (PSDB), que foi flagrado em conversas com Cleudson nas quais o parlamentar intermediou a entrega da administração de dois hospitais para organizações sociais ligadas ao médico.

Em outra interceptação, a Polícia flagrou o deputado estadual Roque Barbieri (Avante) tratando Cleudson como “chefe”. Também apontou a ligação do ex-deputado Geraldo Vinholi (PSDB), pai do líder tucano na Alesp Marco Vinholi, com integrantes da organização.

Procurada, a defesa de Cleudson não se manifestou. O ex-governador Márcio França tem afirmado que conheceu Cleudson apenas “como um médico e administrador de várias Santas Casas do interior”. O ex-deputado Geraldo Vinholi negou ter prestado qualquer auxílio à organização de Cleudson. E Carlão Pignatari alega que “as supostas conversas questionadas pela reportagem são datadas de 2019, antes de qualquer denúncia ou suspeita pública contra o médico Cleudson Garcia Montali”, e ressalta que não é investigado pela Operação Raio-X.

 
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