SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 27 DE JANEIRO DE 2022
MAIS TRANSPARÊNCIA

Congresso Nacional recua sobre emendas de relator

Agência Estado
Publicado em 03/12/2021 às 23:37Atualizado em 04/12/2021 às 07:28
Rodrigo Pacheco vai acatar em parte decisão do Supremo (Divulgação/Senado Federal)

Rodrigo Pacheco vai acatar em parte decisão do Supremo (Divulgação/Senado Federal)

Em um recuo estratégico, o Congresso informou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira, 3, que cumprirá parte da decisão da Corte para dar transparência ao orçamento secreto. Um documento encaminhado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) à ministra do STF Rosa Weber, por meio da Advocacia da Casa, destaca que foi solicitado ao relator-geral do orçamento de 2021, senador Márcio Bittar (PSL-AC), o detalhamento dos nomes dos parlamentares por trás dos repasses feitos neste ano no esquema que dá sustentação ao governo do presidente Jair Bolsonaro.

O recuo na queda de braço com o Supremo em torno do esquema de compra de apoio ao presidente Jair Bolsonaro veio acompanhada, porém, de uma declaração pouco clara do comprometimento com a transparência dessas informações. No documento encaminhado à corte, e também ao senador Bittar, é dito somente que devem ser "adotadas as providências possíveis". Foi dado ao relator do orçamento 180 dias para adotar as medidas necessárias. O pedido, porém, não foi enviado ao relator-geral do orçamento de 2020, deputado Domingos Neto (PSD-CE), em omissão do Congresso aos valores indicados no passado.

"Apesar da inexistência de obrigação legal anterior de registro dos pedidos formulados ao Relator-Geral (…) sejam adotadas as providências possíveis e necessárias para individualizar e detalhar as indicações das emendas de sua autoria e declinar as respectivas motivações, apresentando, caso detenha, registros formais, informações pretéritas ou atuais sobre essas indicações, ou justifique a impossibilidade de fazê-lo", diz o documento assinado pelos advogados do Senado com anuência de Pacheco.

O Congresso tem sustentado o discurso de que é impossível cumprir a decisão provisória do Supremo, que suspendeu os repasses do orçamento secreto e determinou ampla publicidade dos nomes dos parlamentares envolvidos, porque não há registros das destinações e não é possível identificar os responsáveis pelas indicações de forma retroativa.

Somente em 2020, foram empenhados R$ 20 bilhões em emendas de relator-geral do orçamento, sem que se saiba os responsáveis por esses repasses e se houve aplicação de critérios técnicos na destinação do dinheiro. A falta de informação referente ao exercício de 2020 descumpre a decisão do Supremo.

 
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