SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEGUNDA-FEIRA, 16 DE MAIO DE 2022
JÁ FOI PROCESSADO POR ISSO

Bolsonaro volta a afirmar que negro é pesado em 'arrobas'

Presidente perguntou quantas "arrobas" um apoiador negro, que estava presente no momento, pesava. "Conseguiram te levantar, pô? Tu pesa o quê, mais de sete arrobas, não é?", perguntou Bolsonaro

Agência Estado
Publicado em 12/05/2022 às 23:56Atualizado em 13/05/2022 às 09:05
Presidente Bolsonaro perguntou quantas ‘arrobas’ um apoiador negro pesava (Divulgação/Agência Brasil)

Presidente Bolsonaro perguntou quantas ‘arrobas’ um apoiador negro pesava (Divulgação/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou, nesta quinta-feira, 12, a usar uma expressão considerada racista durante conversa com simpatizantes no cercadinho do Palácio da Alvorada. Rindo, o presidente perguntou quantas “arrobas” um apoiador negro, que estava presente no momento, pesava. “Conseguiram te levantar, pô? Tu pesa o quê, mais de sete arrobas, não é?”, perguntou Bolsonaro.

Logo depois, o presidente lembrou que já foi processado pelo crime de racismo anteriormente, por ter usado a mesma expressão. O episódio ocorreu em abril de 2017, em visita ao Clube Hebraica, no Rio de Janeiro.

"Fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles”, disse Bolsonaro na ocasião.

O episódio de 2017 causou indignação em grupos e organizações de defesa de quilombolas. A Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e a organização Terra de Direitos protocolaram uma representação contra Bolsonaro na Procuradoria-Geral da República (PGR) pela suposta prática de racismo. Também parlamentares do PT e do PCdoB representaram contra o então presidenciável.

O caso virou uma denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Mas ela foi rejeitada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no mesmo ano por 3 votos a 2. O argumento foi o de que Bolsonaro tinha imunidade parlamentar.

Bolsonaro foi condenado na primeira instância da Justiça Federal a pagar R$ 50 mil de indenização a comunidades quilombolas e à população negra, em outubro de 2017. A defesa do presidente recorreu. Os desembargadores do TRF-2 reformaram a sentença. Anularam a condenação.

 
Grupo Diário da Região.© Copyright 2022É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por