Ministério Público denuncia três envolvidos no ataque hacker contra a Empro
Eles foram denunciados por associação criminosa, invasão de dispositivo informático qualificada e inserção de dados falsos em sistema de informações

O Ministério Público de Rio Preto denunciou três homens por envolvimento no ataque cibernético que paralisou os sistemas da Prefeitura de Rio Preto entre 5 e 11 de junho do ano passado.
Embora o processo esteja em segredo de justiça, em consulta ao Diário de Justiça eletrônico (DJe), consta em publicação do dia 26 que a denúncia foi apresentada na Vara de Garantias e distribuída para a Vara Criminal, para apreciação do juiz que conduzirá as audiências de instrução e julgamento.
A reportagem apurou que os três envolvidos foram denunciados por associação criminosa, invasão de dispositivo informático qualificada e inserção de dados falsos em sistema de informações - todos em concurso material (quando um agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não).
O trio foi alvo da Operação Caim, que cumpriu mandados de busca e apreensão e de prisão contra dois dos suspeitos. Na ocasião, foram apreendidos computadores e celulares que foram periciados e subsidiaram inquérito conduzido pelo delegado Adriano Pitoscia, da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Rio Preto.
No curso das investigações, os dois tiveram a prisão preventiva decretada, mas, na segunda quinzena de outubro, a Justiça de Rio Preto revogou as prisões, substituindo por medidas cautelares.
O promotor autor da denúncia solicitou o encaminhamento de cópia do processo para a Promotoria Cível a fim de apurar possível conduta de improbidade administrativa.
A reportagem tenta contato com a defesa dos denunciados.
APAGÃO
Durante o ataque, a Prefeitura perdeu acesso à sua rede de computadores, porque o acesso foi bloqueado. Os responsáveis pelo sequestro dos dados pediam um resgate de R$ 500 mil em bitcoin, (moeda eletrônica), para fornecer a senha e devolver o sistema à administração municipal.
A invasão afetou todos os setores da Prefeitura e desabilitou plataformas essenciais do serviço público, dentre as quais o telefone do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o da Guarda Civil Municipal.
“O ataque gerou transtornos significativos, principalmente na área da saúde, onde médicos e enfermeiros ficaram sem acesso a prontuários e fichas de pacientes. Isso dificultou o atendimento e afetou diretamente os serviços prestados à população”, explicou o diretor do Deinter, José Luís Ramos Cavalcanti, durante entrevista coletiva no ano passado.
Segundo o delegado seccional Everson Contelli, tratam-se de pessoas com larga experiência em informática.
Responsável pela investigação do caso, Adriano Pitoscia descartou que a intenção dos funcionários tivesse motivação política.