Diário da Região
COLUNA DO DIÁRIO

‘Gabinete do Ex’ na Alesp garante R$ 30 mil de salário à primeira-dama de Olímpia

Acomodada no gabinete do ex-presidente da Casa, Carlão Pignatari (PSDB), Ana Cláudia Zuliani desfruta de ascensão salarial meteórica

por Maria Elena Covre
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
O prefeito de Olímpia, Geninho Zuliani, e a mulher dele, Ana Cláudia Zuliani, que recebe salário de R$ 30 mil como assessora especial em "gabinete de (Reprodução/Instagram)
Galeria
O prefeito de Olímpia, Geninho Zuliani, e a mulher dele, Ana Cláudia Zuliani, que recebe salário de R$ 30 mil como assessora especial em "gabinete de (Reprodução/Instagram)
Ouvir matéria

Enquanto prefeitos de muitas prefeituras paulistas passam o pires nos andares de cima do poder público atrás de recursos para atender o básico da população, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) mantém uma estrutura escandalosa que drena R$ 830 mil mensais dos cofres públicos para sustentar o que se convencionou chamar de "Gabinete do Ex".

Trata-se de um benefício sem paralelo nas grandes capitais brasileiras, que funciona como um porto seguro para nomeações que ignoram a lógica da eficiência, priorizando o conforto da classe política. Bem na linha "de camarada para camarada".

No centro desse balcão de benesses está Ana Cláudia Zuliani, mulher do prefeito de Olímpia, Geninho Zuliani (União Brasil). Acomodada no gabinete do ex-presidente da Casa Carlão Pignatari (PSDB), ela desfruta de uma ascensão salarial meteórica. A nomeação em julho de 2023, divulgada à época por esta Coluna, revelava inicialmente vencimentos de R$ 17,9 mil. No entanto, em uma escalada impressionante, seus ganhos atingiram R$ 29.928,31 em dezembro de 2025.

Regulamentado em 1991, esse modelo garante uma estrutura administrativa paralela e robusta a ex-membros da Mesa Diretora, mesmo após deixarem o comando da Casa. Sob a atual presidência de André do Prado (PL), reeleito em 2025, a engrenagem continua girando para beneficiar o trio formado pelo ex-presidente Carlão Pignatari, o ex-1º secretário Teonilio Barba (PT) e o ex-2º Secretário Rogério Nogueira (PSDB).

A justificativa oficial, que fala em "continuidade de atribuições institucionais", cai por terra diante da escancarada sobreposição de gastos. Cada um desses deputados já dispõe de gabinetes parlamentares próprios, com verbas e assessores suficientes.

Há, ainda, uma afronta geográfica. Como uma figura política central de Olímpia consegue exercer um cargo estratégico na Capital, a 430 km de distância? O que o gabinete de Pignatari classifica como "atribuições compatíveis", o bom senso do cidadão pagador de impostos chama de privilégio.

O que se vê é o uso perverso da máquina pública, com a acomodação de aliados após o revés nas urnas. Com a derrota da chapa de Rodrigo Garcia e Geninho Zuliani na eleição estadual de 2022, o "Gabinete do Ex" de Carlão Pignatari, aliado de primeira hora do grupo, se tornou um refúgio para garantir a sobrevivência financeira e política de lideranças que perderam espaço no Poder Executivo. E o pior, o arranjo, no caso de Geninho, se estende mesmo com a volta dele ao comando da Prefeitura de Olímpia.

Por meio de nota, a Prefeitura de Olímpia emitiu a seguinte nota: "A função de primeira-dama, de presidente do Fundo Social de Solidariedade, tem caráter institucional e voluntário. Não há remuneração, vínculo empregatício, subordinação funcional ou carga horária formal. As atividades desempenhadas no município são compatíveis com as atribuições profissionais de Ana Cláudia Zuliani na Assembleia Legislativa de São Paulo, entre elas, auxiliar a atividade do parlamentar em suas esferas de atuação, sem prejuízo às responsabilidades funcionais".

NOTAS 

TRETADOS 1

É prudente evitar, por ora, convidar para a mesma roda o secretário de Governo, Anderson Branco (PP), e o vereador Eduardo Tedeschi (PL), ambos coronelistas. O clima azedou entre os dois porque, na terça-feira, 3, o pepista, ainda inconformado com o fato de a base aliada ter votado a favor da prorrogação da CPI das Terceirizadas, resolveu tirar satisfações com o parlamentar.

TRETADOS 2

Branco foi até o restaurante San Remo, onde dez vereadores almoçavam no intervalo da sessão e, diante do grupo, esbravejou com Tedeschi, lembrando-o que ele é “suplente”, o que foi entendido pelos demais como uma ameaça. Outros vereadores aliados que estavam presentes e também votaram contra o governo não sofreram constrangimento semelhante. Resultado: Tedeschi, que foi o único a defender o governo durante os ataques da oposição em relação ao IPTU e à planta genérica, decidiu se calar quando os trabalhos foram retomados na parte da tarde.

DILIGENTE 1

Diligente, a secretária de Desenvolvimento Social de Rio Preto, Sandra Reis, não perdeu tempo diante da ordem dada pelo chefe, o prefeito Coronel Fábio Candido (PL), em reunião com o secretariado na semana passada: a de que todos assumissem a defesa do governo nas redes sociais em meio ao bombardeio digital desencadeado pela nova planta genérica, IPTU e valor venal de imóveis.

DILIGENTE 2

Tão logo voltou ao batente, a secretária enviou áudios via WhatsApp orientando os comissionados sob sua tutela. “Oi pessoal, bom dia, quase boa tarde, tudo bem? Vamos lá, a gente teve uma reunião essa semana com o prefeito e é muito importante diante de todas essas ondas, dessas invenções que a gente está sofrendo da oposição, nós nos posicionarmos”, iniciou.

MILÍCIA?

“E algo bastante, bastante importante nas redes sociais, é criarmos essa milícia da força, do fortalecimento. Precisamos demais fazer isso. Então, por favor, é muito importante que vocês comentem positivamente, repostem”, completou. Sim, ela literalmente usou a palavra "milícia".

NA ONDA 1

Na crista da onda anti-IPTU do Coronel, o vereador João Paulo Rillo (PT), pré-candidato à Alesp, acabou forçando os deputados estaduais Danilo Campetti (Republicanos) e Valdomiro Lopes (PSB) a entrarem na polêmica também, além do MDB de Itamar Borges e Edinho Araújo.

NA ONDA 2

O pessebista foi às redes dizer que não concorda com a lei do Executivo “aprovada às pressas” na Câmara, os emedebistas recomendaram aos seus três vereadores que se posicionem em favor de invalidar a nova planta genérica e os republicanos chamaram uma reunião na próxima sexta com seus vereadores para debater o tema com a presença de Campetti.

MEIO VAZIO

Tem vereador alinhavado ao governo do Coronel Fábio Candido que não botou muita fé na notificação da Prefeitura para que a Fipe faça revisões pontuais na nova planta genérica de valores. "Tem hora que dá PT (perda total). Não tem mais conserto. Tem que revogar essa planta e pronto", disse um parlamentar da base que, óbvio, não quis aparecer.

MEIO CHEIO

Já Paulo Pauléra (PP), vice-presidente da Câmara e também governista, foi mais otimista. “Não é a solução desejada, mas resolve os problemas graves que foram criados pelos erros da Fipe”, declarou o pepista.

ALECRIM

O presidente da Câmara, Luciano Julião (PL), chamou a atenção dos colegas durante evento na Santa Casa nesta quarta-feira, 4, ao apresentar a testa brilhante e umas nuances entre dourada e esverdeada (a depender da luz) nos cabelos. Questionado sobre o efeito “modernoso”, ele não se avexou: disse que há algum tempo vem usando um unguento feito com alecrim e orégano para evitar a queda acelerada dos fios. “Acho que exagerei, né?”, concluiu diante da risada coletiva.

Caldeirão...

Caldeirão... (Divulgação)
Galeria
Caldeirão... (Divulgação)

Incansável caçador de emendas, o provedor da Santa Casa de Rio Preto, Nadim Cury, reuniu 12 vereadores e ex-vereadores no hospital na manhã desta quarta-feira, 4, com o objetivo de homenagear todos aqueles que destinaram emendas impositivas à instituição nos últimos dois anos. Com isso, juntou parlamentares da oposição e de situação, além de contar com as presenças do prefeito, Coronel Fábio Candido (PL), e do vice-prefeito, Fábio Marcondes (PL). Claro que, diante de um grupo tão eclético, haveria troca de farpas, o que acabou se dando entre o Coronel e o vereador Renato Pupo (Avante). Apesar das fustigadas, ninguém foi parar na emergência.