coluna do diário

Formação do novo Conselho de Cultura agita meio artístico e governo coronelista

Atual presidente e desafeto do Coronel, Lawrence Garcia diz que não integrará próximo colegiado e defende redução de cadeiras 

por Maria Elena Covre
Publicado em 08/08/2025 às 21:00Atualizado em 09/08/2025 às 00:03
Lawrence Garcia, presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC), que terá nova composição a partir de setembro (Divulgação)
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Lawrence Garcia, presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC), que terá nova composição a partir de setembro (Divulgação)
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No último dia 31 de julho, a atual formação do Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC) de Rio Preto fez sua penúltima reunião mensal ordinária, já em clima de despedida. Neste mês de agosto ocorrerá não só o último encontro dos conselheiros com mandato em vigência, mas também o processo de composição dos novos membros do colegiado.

Alvo do primeiro e polêmico projeto do governo do Coronel Fábio Candido (PL) protocolado na Câmara, e posteriormente retirado, dada a confusão que provocou, o Conselho em questão é uma instância política forte e barulhenta. Daí que nos bastidores já começou a movimentação visando a ocupação de espaço dentro do novo CMPC.

Um dos fatores que tornam o colegiado forte é o fato de o mesmo ser consultivo e deliberativo, ou seja, tudo que o governo municipal fizer em termos de políticas culturais com recursos públicos precisa ser submetido, e aprovado, pelo Conselho.

Para se ter ideia do quanto esse caráter deliberativo incomoda os governantes municipais de plantão, o primeiro projeto assinado pelo Coronel Fábio e levado à Câmara, logo que ele assumiu, em janeiro, tinha por objetivo tirar do Conselho o caráter deliberativo, tornando-o apenas consultivo.

Além da grita de artistas, ativistas e gestores culturais, amplificada por vereadores ligados a este ecossistema, o governo descobriu que, se limitasse o poder do colegiado, perderia recursos do PNAB (Política Nacional Aldir Blanc). Ou seja, um montante de recursos nada desprezível na ordem de R$ 3,2 milhões ao ano repassados pelo Ministério da Cultura a Rio Preto.

Outra característica que o torna poderoso é o fato de ser tripartite, ou seja, seus atuais 39 integrantes (com outros 39 suplentes) são divididos em 13 representantes do poder público, 13 representantes da classe artística e 13 representantes da sociedade civil. Além do mais, a presidência nunca pode sair do grupo que representa o governo.

A fama de barulhento fica por conta da capacidade de mobilização de seus integrantes e daqueles que gravitam o meio cultural em movimentar redes sociais e outras modalidades de acesso ao público.

A Coluna apurou que, há algumas semanas, os grupos de trabalho do Conselho (são mais de 30) começam a receber um número “acima do normal” de gente nova, a maioria oriunda do universo da música clássica e erudita, não por acaso o mesmo em que atua o secretário municipal de Cultura, Robson Vicente, sargento licenciado da PM e maestro. As novas caras são sugestivas de uma mobilização para ocupar cadeiras no colegiado, que, aliás, deverão ser reduzidas por iniciativa dos atuais conselheiros.

NOTAS 

MENOS É MAIS

Presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, Lawrence Garcia pretende levar à Conferência Municipal de Cultura, que vai ocorrer entre 12 e 15 deste mês, a proposta de enxugamento de cadeiras do colegiado. A avaliação é que os trabalhos ficaram menos dinâmicos em razão do grande número de integrantes (39 titulares e 39 suplentes). Para Lawrence, cadeiras como artistas de rua, moda e gastronomia não têm funcionado, nem mobilizado os respectivos representados.

SEM MAIS

Lawrence, que é ligado ao teatro, afirmou à Coluna que não pretende integrar o próximo CMPC. “Preciso cuidar das minhas coisas”, disse ele. Ex-aliado de João Paulo Rillo (Psol), de quem se afastou na eleição passada, ao apoiar o deputado estadual Itamar Borges (MDB) na disputa pela Prefeitura de Rio Preto, Lawrence é visto como “adversário político” do atual governo. Por isso mesmo, no comando do Conselho alguém mais simpático à gestão atual é um dos desafios dos coronelistas na formação do novo colegiado.

ESCALOU

Com a expectativa da publicação nos próximos dias da decisão da quinta turma do STJ ao recurso de Rubem Bottas, na ação em que ele responde por violência doméstica, escalaram dentro do governo e na Câmara as especulações sobre uma eventual substituição dele na Secretaria Saúde de Rio Preto. O secretário, que já acumula condenação em primeira e segunda instâncias, virou réu em ação impetrada pela ex-mulher. Ela o acusa de ameaça de morte.

IMPASSES

Uma manutenção da condenação de Bottas no STJ leva o prefeito de Rio Preto, Coronel Fábio Candido, a um duplo impasse. O primeiro é que ele vê no titular da Saúde, ex-capitão da Polícia Militar, um aliado leal. O segundo é que o governo não consegue detectar disponível no “mercado” alguém de total confiança e alinhamento ideológico para tocar a complexa secretaria.

AFAGO

Logo que terminou a sessão da Câmara da última terça-feira, 5, Coronel Fábio Candido (PL) telefonou pessoalmente para agradecer cada um dos 19 vereadores que votaram a favor do mérito do projeto das PPPs (Parcerias Público-Privadas), aprovando a proposta sem emendas.

ANIMADÃO

A animação é tamanha com o “cheque em branco” que recebeu, que o prefeito de Rio Preto anunciou em suas redes sociais nesta sexta-feira, 8, que vai reformar os prédios das 150 unidades escolares do município por meio de PPP. Só não disse ainda qual será a contrapartida.

SEMINÁRIO

O deputado federal bolsonarista Paulo Bilynskyj (PL) vai comandar um seminário na próxima quarta-feira, 13, no Parque Tecnológico de Rio Preto, sobre “os desafios contemporâneos da segurança pública no Brasil”. O parlamentar, que preside a Comissão de Segurança da Câmara dos Deputados e viralizou nas redes sociais nesta semana por pegar pelo pescoço um jornalista que tentava entrevistá-lo, em Brasília, pretende, com a iniciativa, “propor soluções legislativas e administrativas, voltadas à sua melhoria”.

GRATIDÃO 1

O ex-deputado Vaz de Lima, que optou por se fazer presente na cena política local por meio das redes sociais, protagonizou uma rara aparição em carne e osso na última quarta-feira, 6, durante evento da Santa Casa de Rio Preto. Além de Nadim Cury, provedor do hospital, Vaz confraternizou com o prefeito Coronel Fábio Candido (PL), a quem apoiou nas eleições do ano passado. Aliás, muitos estranham a ausência do experiente político, ou de alguém ligado a ele, na gestão coronelista.

GRATIDÃO 2

Ao discursar, o Coronel, que já foi ajudante de ordens de Vaz quando este presidiu a Alesp, se derreteu em agradecimento ao ex-deputado. “Já falei e falo de novo, ele (Vaz) salvou minha mulher num dos momentos mais desafiadores da vida dela”. Claro que a curiosidade dos presentes entrou em ebulição à espera de detalhes sobre o motivo de toda a gratidão ali reafirmada, mas as revelações acabaram por aí.

Na fila da Fatec...

Na fila da Fatec... (Divulgação)
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Na fila da Fatec... (Divulgação)

O presidente do Centro Paula Souza, Clóvis Dias, visitou nesta sexta-feira, 8, o prefeito de Mirassol, Edson Ermenegildo (PSD), por intermédio do deputado estadual Itamar Borges (MDB). O trio fez junto uma visita ao prédio localizado na região central da cidade onde funcionava a antiga escola FEM (Fundação Educacional de Mirassol). A ideia é que o local, fechado há anos, desde que a escola foi desativada, abrigue uma unidade da Fatec, além de novos cursos da Etec. Ermenegildo ofereceu o prédio ao Estado para tal finalidade, o que levou Clóvis Dias a determinar à sua equipe uma avaliação das condições físicas do imóvel e das reais demandas do município em relação a um campus da Faculdade de Tecnologia, além de cursos técnicos.