Em Rio Preto, Haddad critica o Coronel e o governador Tarcísio
Pré-candidato ao governo do Estado, Fernando Haddad afirmou que Rio Preto está "em situação muito precária"

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), criticou o prefeito de Rio Preto, coronel Fábio Cândido (PL), eleito com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, e afirmou que a cidade vive uma situação “precária”, durante visita ao Hospital de Base na tarde desta sexta-feira, 17. Segundo ele, a administração municipal enfrenta dificuldades e há uma reação da população ao atual cenário
A comitiva de Haddad passou por Fernandópolis nesta quinta e, na manhã de sexta, esteve em Catanduva. Na visita ao Noroeste paulista, o pré-candidato estava acompanhado de seu vice na chapa, Márcio França (PSB), e das postulantes ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).
"Rio Preto está está sendo governado por um prefeito apoiado pelo Bolsonaro que está com muita dificuldade, realmente deixou a cidade em uma situação muito precária, com uma reação muito grande" disse Haddad. "Ele tem um padrinho que precisa responder pelo apoio que deu na última eleição para prefeito."
Na avaliação de Haddad, o interior paulista vive um ambiente de insatisfação que pode impulsionar um debate mais amplo sobre a relação entre Estado e municípios.
"Isso vai dar um grande impulso para um debate sério sobre o que está acontecendo no Estado, não só em relação aqui, Rio Preto, como em relação ao fato de que o Tarcísio está governando com baixa aprovação entre os prefeitos, muita reclamação dos prefeitos com falta de apoio aos municípios, no que diz respeito a estradas vicinais, por exemplo, apoio à saúde municipal, a questão do ensino médio de responsabilidade exclusiva do governo do estado, está em uma situação muito precarizada".
Saúde
Na área da saúde, Haddad destacou a sobrecarga enfrentada pelo Hospital de Base, referência regional em atendimentos de alta complexidade. Para ele, parte do problema está na falta de estrutura nos municípios menores, o que acaba direcionando casos de média e baixa complexidade para hospitais maiores.
“O hospital de alta complexidade não deveria absorver casos que poderiam ser resolvidos em unidades de menor porte. Isso gera sobrecarga e compromete o atendimento”, disse.
Como alternativa, ele defendeu a ampliação de hospitais-dia e uma maior integração entre os sistemas municipal e estadual. Segundo Haddad, a falta de articulação entre os entes públicos gera filas desorganizadas e retrabalho.
Segurança
Na segurança pública, o ex-ministro criticou a gestão da Polícia Militar no Estado, apontando falhas na cadeia de comando e defendendo critérios técnicos para promoções. Ele também afirmou que o combate ao crime precisa ser mais preventivo, com uso de inteligência e tecnologia.
“O policiamento precisa ser orientado por dados em tempo real. Hoje, o Estado atua de forma reativa, sempre correndo atrás do crime”, afirmou.
Haddad também defendeu investimentos na digitalização dos boletins de ocorrência e integração de dados entre forças de segurança, incluindo Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público.
Sobre a Polícia Civil, ele reconheceu déficit de efetivo e afirmou que será necessário discutir medidas de valorização e reestruturação da carreira.
Haddad ainda criticou promessas não cumpridas pelo atual governo estadual em áreas como população em situação de rua, segurança, educação e tarifas de serviços públicos. Segundo ele, cabe ao eleitor comparar o que foi prometido com os resultados apresentados.
A visita ao Hospital de Base reforça a estratégia do pré-candidato de ampliar o diálogo no interior paulista, onde tradicionalmente o PT tem menor desempenho eleitoral em comparação com a capital.