COLUNA DO DIÁRIO

Edinho se filia ao PRD na tentativa de retomar protagonismo eleitoral em 2026

Ato oficial de filiação vai ocorrer nesta quarta-feira, 11, pondo fim nas especulações sobre destino político do ex-prefeito de Rio Preto

por Maria Elena Covre
Publicado há 9 horasAtualizado há 7 horas
Edinho Araújo: ex-prefeito de Rio Preto filia-se nesta quarta, 11, ao PRD (Divulgação)
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Edinho Araújo: ex-prefeito de Rio Preto filia-se nesta quarta, 11, ao PRD (Divulgação)
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Primeiro o ex-prefeito Edinho Araújo, 76 anos, movimentou o tabuleiro político ao deixar o MDB. Na terça-feira, 10, embora não fosse uma novidade para quem acompanha os bastidores da política local, ele pegou muita gente de surpresa ao anunciar que vai para o PRD de Ovasco Resende. O ato oficial de filiação ocorre nesta quarta-feira (11), pondo fim a especulações sobre o futuro do político com mais de meio século de estrada que muitos achavam que se aposentaria após concluir o quarto mandato à frente da Prefeitura de Rio Preto.

A notícia da saída do MDB e a escolha por uma legenda que não figura entre as protagonistas no cenário nacional gerou burburinho entre uma maioria que ignora cálculo político e estratégia numa disputa proporcional. Aqueles acostumados à hegemonia de Edinho no “gigante” MDB receberam o movimento com um misto de decepção, classificando a decisão como um possível "fim de carreira".

Tudo bem que não tem legendas vistosas dando sopa por aí a esta altura do campeonato, mas a filiação ao PRD representa uma jogada de Edinho para viabilizar sua volta ao protagonismo político numa eleição congestionada, polarizada, nacionalizada, digitalizada e com partidos grandes e consolidados dominados por outros figurões das urnas.

Os números convenceram o entorno de Edinho de que o MDB exigiria uma votação alta demais – o cálculo gira em torno de 120 mil votos – para conseguir uma cadeira na Câmara Federal. Brigar por vaga na Alesp chegou a ser cogitado, mas, aí, significaria bater de frente com o deputado estadual e também emedebista Itamar Borges dentro de casa, além de enfrentar uma concorrência direta também com lideranças como Valdomiro Lopes (MDB), Danilo Campetti (Republicanos), Coronel Helena (PSD) e João Paulo Rillo (PT), dentre outros.

Com a filiação ao PRD, Edinho Araújo busca exatamente o que o partido pode lhe oferecer: protagonismo na disputa a federal. A legenda, que hoje conta com mais de 1,3 milhão de filiados e é a quarta maior do país, precisa consolidar sua bancada em Brasília e ampliar sua influência no Legislativo. Numa federação com o Solidariedade, a expectativa é de que faça três federais. E 80 mil votos seriam suficientes para chegar lá.

Em 2022, o partido, que elegeu dois vereadores na Câmara de Rio Preto em 2024, lançou a deputado federal o médico Renato Silva, chefe do departamento de transplante de rim do Hospital de Base, que obteve 21 mil votos e não foi eleito. Com Edinho é outra história: ele vem com recall de quatro mandatos como prefeito de Rio Preto e um longo currículo de deputado federal e estadual. A direção do partido também já demonstrou que não vai poupar esforços para que Edinho logre sucesso. Ou seja, é um jogo de ganha-ganha. O partido tem um “nomão” para ostentar e Edinho volta a ganhar “prioridade” e a fazer campanha de forma pragmática, como sempre fez, pensando em resultado. Se vai dar certo? Aí, precisa combinar com o eleitor...

NOTAS 

CONVOCAÇÃO

A Mesa Diretora da Câmara de Rio Preto, presidida pelo vereador governista Luciano Julião (PL), publicou ato que restringe a convocação de autoridades municipais por comissões da Casa e também pelo Plenário. Segundo a medida, que provocou chiadeira entre vereadores da oposição, apenas autoridades diretamente subordinadas ao chefe do Executivo podem ser convocadas obrigatoriamente.

BLINDAGEM?

Daí que dirigentes da administração indireta, como autarquias e empresas públicas, poderão apenas ser convidados a prestar esclarecimentos. A justificativa é de que a medida segue entendimento do STF. O ato da Mesa também determina que regras da Lei Orgânica e do Regimento Interno sejam interpretadas conforme a Constituição e decisões do STF sobre o tema.

BATE-REBATE

Para a oposição, o objetivo do ato é blindar nomes do governo do Coronel Fábio Candido (PL), como o superintendente do Semae, Rodrigo Carmona. Embora ele também seja secretário de Governo, ficaria livre de encarar embates com a oposição sobre questões envolvendo a autarquia de água e esgoto.

RETALHOS 1

A Comissão Permanente de Obras da Câmara de Rio Preto, presidida pelo vereador Paulo Pauléra (PP), faz audiências públicas na manhã desta quarta, 11, sobre projetos que alteram a Lei de Zoneamento, o Plano Diretor e o Plano Viário, além de regras de contrapartidas para inclusão de áreas ao perímetro urbano. São cinco propostas no total: duas de autoria do chefe do Executivo, uma do vereador Bruno Moura (PRD), uma de Alex Carvalho (PSB) e uma de Jean Dornelas (MDB).

RETALHOS 2

Um dos projetos do Coronel determina que a área de proteção sanitária do aterro sanitário municipal desativado e da usina de compostagem seja de 200 metros - a lei atual prevê 500 metros. Dentre as propostas dos vereadores, projeto de Dornelas cria regras para prolongamento, supressão, desvio ou redefinição de ruas e avenidas. O de Alex Carvalho permite a instalação de estruturas de energia solar fotovoltaica sobre os recuos obrigatórios de imóveis comerciais. Já Bruno Moura quer mudar o zoneamento de uma única rua.

DE OLHO

As mudanças nas regras do Plano Diretor e também sobre zoneamento em discussão na Câmara serão acompanhadas com lupa pelo Ministério Público. “Já tivemos no passado leis que foram declaradas inconstitucionais. A insistência em fazer mudanças de forma irregular pode caracterizar má-fé e ter consequências”, disse o promotor Sérgio Clementino.

SANCIONOU...

O prefeito de Rio Preto, Coronel Fábio Candido (PL), sancionou nesta terça, 10, lei que cria regras para a divulgação e transparência das emendas parlamentares individuais incluídas na Lei Orçamentária Anual (LOA). O projeto, de autoria do vereador João Paulo Rillo (PT), prevê a publicação de informações como autor, valores, secretarias vinculadas e estágio detalhado da execução da proposta. Os dados deverão ser atualizados mensalmente.

... MAS VETOU

O prefeito vetou, porém, trecho da lei que determina que as informações devem ser publicadas no máximo 15 dias depois da publicação da Lei Orçamentária Anual (LOA). A justificativa foi de “prazo exíguo” e interferência “em áreas de competência exclusiva do Poder Executivo”.

MOVIMENTOS 1

Ex-secretário do Trabalho do governo Edinho Araújo (a caminho do PRD) e recém-nomeado a um cargo de terceiro escalão na gestão do Coronel Fábio Candido (PL), Rodrigo Demécio, o Beiço, anunciou em seus perfis nas redes sociais que está de saída do PSD. A notícia despertou interesse na política paroquiana. Com mais de 1,8 mil votos à vereança em 2020, ele não concorreu em 2024 para “ajudar” Júlio Donizete, que foi reeleito, o que elevou sua cotação no mercado de cabo eleitoral de luxo.

MOVIMENTOS 2

Questionado pelo Diário sobre sua próxima parada partidária, Beiço disse que ainda não sabe. Afirmou que tem três ofertas sendo avaliadas, mas que só decidirá após definir quem vai apoiar para deputado estadual neste ano. Para federal, seu passe já foi arrematado pelo deputado Luiz Carlos Motta (PL). “Mas isso não quer dizer que vou para o PL”, declarou.

Paulo Moura volta para a Educação 

Paulo Moura volta para a Educação (Edvaldo Santos 10/3/2026)
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Paulo Moura volta para a Educação (Edvaldo Santos 10/3/2026)

O prefeito de Rio Preto, Coronel Fábio Candido (PL), devolveu o Teatro Paulo Moura para a Secretaria da Educação um ano depois de tirá-lo da pasta hoje comandada por Rosicler Quartieri (foto) e levá-lo para a Cultura, de Robson Vicente. O primeiro decreto, que transferiu o Paulo Moura da Educação para a Cultura, é de 20 de março de 2025. Segundo o texto, caberia à pasta a gestão, programação e utilização do teatro. O novo decreto, de segunda-feira, 9, revogou o documento anterior, de forma que a Educação volta a realizar todas as atribuições acima. Segundo a Coluna apurou, essa alteração já vinha sendo amadurecida pelo núcleo duro do governo desde dezembro do ano passado, quando a Educação ainda estava sob o comando de Maíra Moraes. Entre as causas de “descontentamento” com a forma como o Paulo Moura vinha sendo “cuidado”, estaria a ineficiência na “manutenção da infraestrutura do teatro”.