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VOTUPORANGA

Desistência de Carlão Pignatari de buscar reeleição dispara disputa por sua bênção e pelo controle de seu capital político

Deputado estadual de Votuporanga anunciou ao seu grupo político na última quinta-feira, 30, que não vai tentar o quinto mandato na Alesp

por Maria Elena Covre
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
Carlão Pignatari é deputado estadual (Divulgação)
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Carlão Pignatari é deputado estadual (Divulgação)
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O anúncio de que o deputado estadual Carlão Pignatari, recém-filiado ao PSD, não disputará a reeleição neste ano desencadeou, de imediato, duas corridas silenciosas: uma pela sua bênção política e outra pelo espaço de influência que ele conquistou e manteve sob controle na região durante esses quase 16 anos na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Há algum tempo a desistência de Carlão já agitava os bastidores políticos, como antecipou a Coluna do Diário em duas oportunidades, mas até esta quinta-feira, 30 de abril, o deputado evitava uma resposta clara e direta.

A confirmação de que Carlão vai dar um tempo nas urnas, mas já se prepara para disputar a sucessão de Jorge Seba (PSD) na Prefeitura de Votuporanga em 2028, se deu na véspera do feriado numa reunião do parlamentar com lideranças do seu grupo político.

Questionada pela Coluna nesta sexta-feira, 1º de Maio, a assessoria de Carlão Pignatari afirmou que o parlamentar ainda não definiu sobre quem pretende “apadrinhar” e que uma série de reuniões deverá ocorrer na próxima semana para conversas neste sentido.

A Coluna apurou, no entanto, que ainda durante o período em que acompanhava a fase terminal do pai, que morreu em 27 de abril, Carlão passou a se reunir reservadamente com ao menos três deputados – Carla Morando (PSDB), Caio França (PSB) e Delegado Olim (PP).

A aliados, ainda segundo a Coluna apurou, ele relatou que “o momento o levou a refletir sobre a vida, a buscar maior proximidade com a família e, simultaneamente, a avaliar quem teria condições de assumir, com consistência, a condução de seu capital político”.

Enquanto o ex-presidente da Alesp ainda calibra sua decisão sobre quem será o destinatário prioritário de seu apoio, o sistema político não espera. Deputados com atuação não só pela região como por todo o Interior passaram a intensificar movimentos junto a prefeitos, vereadores e operadores políticos historicamente ligados ao grupo do parlamentar.

O objetivo é claro: ocupar, ainda que parcialmente, o espaço deixado por uma das estruturas mais organizadas da política regional.

Em busca da reeleição à Alesp, Itamar Borges (MDB), Valdomiro Lopes (PSB) e Analice Fernandes, que tem em Fernandópolis e Jales, parte de sua base eleitoral, já se mobilizam neste sentido.

Outro é Danilo Campetti (Republicanos), que tenta voltar como titular à Alesp e é apontado como pivô de um racha no chamado grupão político de Votuporanga, que por anos era fechado exclusivamente com Carlão.

ASSÉDIO

Com a saída de Carlão Pignatari (PSD) da briga por cadeira na Alesp, um dos prefeitos da região que entram na lista dos mais assediados é o de Olímpia, Geninho Zuliani (União Brasil), que havia dividido o apoio dele entre o parlamentar de Votuporanga e Itamar Borges (MDB). Enquanto os demais tentam ocupar o lugar do pessedista, o emedebista já entrou em campo para ficar como nome único de Geninho.

DESABAFO 1

A Coluna apurou que numa conversa reservada com prefeitos ligados a ele, Carlão demonstrou insatisfação com o estilo de relação institucional adotado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Uma das frases atribuídas a ele nessa reunião: “Eu sou um deputado de entrega e não de promessa”. O fato é que o parlamentar se sentiu órfão dentro no Palácio dos Bandeirantes com a derrocada do PSDB, período em que desfrutava de grande poder naquele espaço.

DESABAFO 2

“Eu fico angustiado no domingo à noite de ter que ir segunda-feira para a cidade-fantasma que a Alesp se tornou.” Esta foi outra fase de Carlão no encontro com esses prefeitos, vista como uma crítica ao esvaziamento do papel dos deputados estaduais como elo entre Estado e municípios na gestão Tarcísio de Freitas. Algo, aliás, recorrente em declarações privadas de outros deputados que, como ele, se sustentam politicamente como “despachante de luxo de prefeitos”.