Deputada exonera assessor alvo de operação de desvios na Câmara de Catanduva
A deputada estadual Beth Sahão (PT) afirma que a operação não tem relação com seu mandato e anuncia a exoneração de filho de vereador investigado em suposto esquema de desvios

A deputada estadual Beth Sahão (PT) decidiu exonerar o assessor que foi alvo da operação “Rei do Pix”, deflagrada pelo Gaeco nesta terça-feira, dia 2, em investigação de desvios de recursos da Câmara de Catanduva. A Justiça expediu dez mandados de prisão e 47 mandados de busca e apreensão em quatro cidades diferentes.
O ex-presidente da Câmara de Catanduva Marquinhos Ferreira (PT) foi preso na operação, assim como o vereador Carlos Alexandre Batista dos Santos (PP), conhecido como Gordo do Restaurante. Vinte promotores participaram da operação, além de agentes da Receita Federal e policiais militares. Três ex-vereadores também foram alvo da operação.
Marcos Aparecido Ferreira Filho, que é filho do vereador preso, é assessor da deputada estadual Beth Sahão (PT) na Assembleia Legislativa de São Paulo. Ele também foi preso na operação.
A deputada divulgou nota sobre a decisão de exonerar o assessor.
“Informo que Marcos Aparecido Ferreira Filho foi exonerado do cargo que ocupava em meu gabinete, na data de 3 de junho de 2026. Com relação às acusações que lhe são imputadas, esclareço que não possuem qualquer relação com meu mandato, dizendo respeito exclusivamente a atos envolvendo a Câmara Municipal de Catanduva”, afirma a nota.
“Seguirei acompanhando o caso, esperando que seja devidamente investigado, respeitando-se o direito à ampla defesa dos envolvidos, e que os eventuais culpados sejam responsabilizados”, complementa a parlamentar. “Por fim, lembro que tenho mais de três décadas de atuação na vida pública, marcada pela conduta ilibada. A população conhece minha trajetória pessoal, meu caráter e meu compromisso com a honestidade e a ética na política”, finaliza Beth Sahão.
A reportagem tenta contato com o advogado do filho do vereador.
Operação
A apuração é sobre desvios de R$ 10 milhões em recursos do Orçamento da Câmara de Catanduva, principalmente entre 2023 e 2024. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 20 milhões. As investigações seguem em sigilo.
Segundo comunicado divulgado pelo Ministério Público, as empresas “simulavam a prestação de serviços à Câmara, emitiam notas frias e recebiam recursos públicos, posteriormente devolvidos a integrantes do esquema criminoso, em uma taxa de 90% a 95%”.
“A investigação identificou ainda fraudes em licitações e contratações superfaturadas usadas para viabilizar repasses a integrantes do esquema, de até 30% do valor pago pelo Poder Legislativo”, afirma o MP.