Diário da Região

Deic busca pista do assassino de Pablo em Ribeirão Preto

Polícia tenta descobrir se chefe de gabinete recebia ameaças do tempo em que gerenciou casa lotérica, onde, inclusive, foi testemunha de assalto

por Marco Antonio dos Santos
Publicado em 07/01/2026 às 03:32Atualizado há 18 horas
Pablo Lourenço Barbarelli Frazato, que foi executado com tiro na cabeça dentro de casa (Reprodução/Redes Sociais)
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Pablo Lourenço Barbarelli Frazato, que foi executado com tiro na cabeça dentro de casa (Reprodução/Redes Sociais)
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A Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Rio Preto investiga se o assassinato de Pablo Lourenço Barbarelli Frazato, então chefe de gabinete do vereador Irineu Tadeu (União Brasil), tem relação com fatos ocorridos antes do crime.

Pablo foi morto a tiros dentro de casa, no último dia 19 de dezembro e, até o momento, a Polícia Civil não identificou a autoria nem a motivação do homicídio.

A vítima foi assassinada um dia após ser demitida do cargo na Câmara Municipal. Em depoimento à polícia, o vereador Irineu Tadeu (União Brasil) afirmou que a demissão ocorreu exclusivamente por motivos profissionais.

Antes de atuar na Câmara, Pablo era gerente de uma casa lotérica localizada na avenida Jerônimo Gonçalves, na Vila Tibério, em Ribeirão Preto. O estabelecimento foi alvo de um assalto em 3 de fevereiro de 2022. Na ocasião, um homem armado rendeu os funcionários. Apesar disso, nada foi levado, de acordo com boletim de ocorrência.

Após a fuga do suspeito, Pablo acionou a Polícia Militar. Com base em imagens fornecidas por funcionárias, policiais realizaram patrulhamento pela região e localizaram o autor próximo à lotérica. Durante a abordagem, o suspeito confessou o crime e afirmou ter usado apenas um simulacro de arma de fogo, que teria sido repassado a um terceiro antes da prisão. Pablo consta como testemunha no processo que resultou na condenação do assaltante.

LIGAÇÃO

Segundo o delegado Fernando Tedde, a equipe apura se o homicídio pode ter ligação com esse episódio. “Precisamos saber se, por conta dessa ocorrência, ele vinha sofrendo algum tipo de ameaça de pessoas ligadas ao assalto ou ao autor”, afirmou.

Em relação ao trabalho de Pablo na Câmara, a polícia já ouviu o vereador Irineu Tadeu e outra assessora demitida. De acordo com o delegado, o parlamentar disse que dispensou o assessor por não atender mais às expectativas do cargo. A outra funcionária relatou que não tinha conhecimento de qualquer fato relacionado à morte do ex-colega de trabalho e que não recebeu ameaças.

Também estão em andamento perícias no computador utilizado por Pablo na Câmara e em seu telefone celular. Segundo a Deic, os técnicos enfrentam dificuldades para acessar o conteúdo do aparelho. “Não estão conseguindo acesso ao iPhone da vítima por questões de segurança. Como nenhum familiar possui a senha, os peritos tentam obter imagens, conversas em aplicativos e arquivos de áudio por meio de programas especializados”, explicou Tedde.

Quatro semanas após o crime, a Deic segue sem pistas concretas sobre a autoria e a motivação do assassinato.