Diário da Região
COLUNA DO DIÁRIO

Coronel recorre a manobra administrativa e política contra escalada da crise do IPTU

Ao anunciar revisão geral e 'capturar' Dornelas, prefeito tenta ganhar tempo para 'consertar' PGV, e ainda implodir oposição na Câmara

por Maria Elena Covre
Publicado há 5 horasAtualizado há 2 horas
Coronel Fábio Candido entre os vereadores Luciano Julião (de amarelo) e Jean Dornelas (Reprodução/Vídeo)
Galeria
Coronel Fábio Candido entre os vereadores Luciano Julião (de amarelo) e Jean Dornelas (Reprodução/Vídeo)
Ouvir matéria

Quando percebeu o desafio hercúleo que seria convencer a base aliada na Câmara a se lançar de vez no precipício da impopularidade votando contra o projeto da oposição que revoga a Nova Planta Genérica de Valores de Rio Preto, num momento em que a crise do IPTU escala, Coronel Fábio Candido (PL) partiu para uma manobra administrativa e política capciosa. Mas com resultados ainda imprevisíveis.

Com ar contrito e abatido fisicamente - que não se sabe se é efeito do Mounjaro ou da pancadaria que vem sofrendo nas redes sociais de adversários e até de “aliados” –, o prefeito chamou a imprensa em seu gabinete nesta sexta-feira, 27, para anunciar a reavaliação da nova PGV em toda a cidade, ou seja, mais de 260 mil imóveis cadastrados.

O anúncio se dá depois de todas as demais “estratégias” para desmontar os questionamentos e convencer a população de que estava “tudo absolutamente certo”, apesar de uma série de distorções em valores venais de imóveis, impactados pela PGV, e suas consequências.

Enquanto ainda não aceitava admitir que errou, o que fez nesta sexta -, Coronel acusou jornalistas que se debruçavam sobre números e situações reais vividas e narradas pela população de fazerem fake news, anunciou dois pacotes de revisões (um de 14 mil imóveis e outro de 10 mil imóveis), culpou o governo federal, entrou na guerra de narrativas com a oposição na Câmara, dentre outras peripécias.

Nada disso melhorou o humor da população nem evitou que a oposição avançasse no Legislativo com o projeto de resgate da PGV aprovada em 2022 até que uma nova regra fosse redesenhada pelo governo.

Daí que o tiro desta sexta foi uma tentativa de tirar o projeto da pauta de votação da próxima sessão. Não rolou. A medida vai a Plenário quanto à legalidade. Mas, ainda assim, o prefeito arrumou uma “justificativa” para a base salvar o Executivo: esperar a revisão prometida.

Além disso, o prefeito tenta ainda ganhar tempo para arrumar uma solução que permita ao governo sair dessa encrenca sem passar mais recibo de que mandou para a Câmara um projeto de lei tecnicamente comprometido.

Ao mesmo tempo, o Coronel e seus “estrategistas” políticos conseguiram, com a colaboração do vereador Jean Dornelas (MDB) - chamado de “líder da oposição” pelo chefe do Executivo - jogar uma granada de desconfiança na trincheira dos opositores. Mesmo minoritário, o grupo vem conseguindo fazer barulho nas redes sociais, um ativo importante hoje em dia para angariar votos dentro do Legislativo.

NOTAS 

RACHOU 1

A “captura” do vereador Jean Dornelas (MDB) pelo Coronel Fábio Candido (PL) se revelou uma artimanha eficaz para rachar a oposição. Ao gravar um vídeo para as redes sociais ao lado do prefeito e do presidente da Câmara, Luciano Julião (PL), legitimando o anúncio de revisão integral da PGV, o emedebista virou alvo de críticas públicas dos vereadores Pedro Roberto (Republicanos) e Alexandre Montenegro (PL), dois dos sete parlamentares que assinam o projeto de revogação da nova PGV.

RACHOU 2

“Jean não representa qualquer liderança de oposição e não conversou com qualquer outro vereador que se opõe aos atos absurdos desse governo sobre sua posição (...). Lamentável a posição do vereador Jean Dornelas, eu não esperava por isso. Mas faz parte da política brasileira”, bateu Montenegro. Pedro Roberto emendou: “Esta posição do vereador Jean não representa minha opinião e posição. Queremos votar na próxima terça-feira o projeto que revoga a atual planta genérica. Peço que a população continue mobilizada pra participar da sessão no dia 3, às 14h”.

DUAS CANOAS

Dornelas, que ora defendeu “aguardar” os 30 dias para a prometida revisão, ora disse que a “collab” com o prefeito não muda sua posição em relação ao projeto da oposição, tenta se equilibrar com um pé em cada canoa. “Fico feliz pela solução encaminhada e deixo claro que os méritos são de toda a população que se manifestou nas redes sociais, dos vereadores da base que mostraram insatisfação. Fruto de um movimento iniciado pelo projeto de lei apresentado pelo vereador João Paulo Rillo, que prevê a derrubada da Planta Genérica e que teve adesão, inclusive, dos vereadores do governo”, disse o vereador do MDB em nota oficial.

Santa Casa 1

A Secretaria de Saúde de Rio Preto assinou o oitavo aditivo de um contrato com a Santa Casa iniciado em 2022, que prevê a “compra” de serviços de saúde vinculados ao SUS. O convênio visa a manutenção de 243 leitos para atendimento de pacientes atendidos pela rede pública do município. O valor é de R$ 9,9 milhões para até 30 de abril.

Santa Casa 2

O secretário de Saúde, Rubem Bottas, assinou mais um aditivo, em outro convênio, com a Santa Casa. Neste caso, o contrato prevê gastos de até R$ 25,9 milhões, também com prazo até 30 de abril, para serviços de saúde hospitalares e ambulatoriais, incluindo apoio diagnóstico e terapêutico.

SUSPENDEU 1

O Tribunal de Justiça concedeu efeito suspensivo a recurso da Prefeitura de Rio Preto em disputa sobre a eleição do Conselho Afro. A decisão do desembargador Paulo Cícero Augusto Pereira suspendeu ordem que permitiu a candidatura da atriz e diretora teatral Beta Cunha. A participação de Beta foi questionada pelo Executivo no rastro de um episódio polêmico que a colocou em rota de colisão com o governo coronelista. Ela acusou o secretário de Cultura, Robson Vicente, de censurar trabalho que conduzia em projeto afeto à pasta.

SUSPENDEU 2

Ao analisar o caso, o relator apontou que a candidata já havia exercido dois mandatos consecutivos, o que impede nova recondução imediata, conforme a legislação. Mesmo diante da falta de candidatos suficientes para preencher as vagas, o magistrado entendeu que a exceção legal não autoriza descumprir a regra que veda mandatos sucessivos.

REAÇÃO

Questionada pela Coluna, a advogada e presidente do Conselho Afro, Claudionora Tobias, afirmou que a medida é liminar e que o colegiado fará os recursos necessários. “Nós vamos, por óbvio, tomar todas as medidas jurídicas para reverter a decisão."

Flávio Bolsonaro vem aí... 

Flávio Bolsonaro vem aí... (Divulgação)
Galeria
Flávio Bolsonaro vem aí... (Divulgação)

Pré-candidato à Presidência da República, o senador pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), se prepara para um périplo pelo interior de São Paulo, reduto dos mais leais ao bolsonarismo. O deputado federal Luiz Carlos Motta (PL), que esteve com o senador (foto) em encontro de lideranças nacionais do partido na noite da última quarta-feira, 25, iniciou as tratativas para a realização de um encontro regional em Rio Preto, embora ainda sem data definida. A ideia, segundo a assessoria de Motta, é atrair prefeitos, vereadores e gente de grosso calibre da política no interior paulista. Tudo, claro, com a preciosa colaboração do prefeito de Rio Preto, Coronel Fábio Candido (PL), e do vice-prefeito, Fábio Marcondes (PL).