Chefe da autoridade eleitoral do Peru renuncia após irregularidade
Cédulas em uma lixeira, atas eleitorais contestadas e acusações de fraude tumultuaram votação e afetaram a apuração na disputa presidencial

O chefe do órgão eleitoral que organizou as eleições gerais no Peru, Piero Corvetto, renunciou ao cargo nesta terça-feira, 21, poucas horas antes de se apresentar ao Ministério Público para ser interrogado sobre as falhas no processo.
“Espero que minha renúncia contribua para criar um clima de maior confiança nas eleições”, disse ele, em uma carta divulgada em sua conta na rede X. A carta é endereçada à presidente da Junta Nacional de Justiça (JN), órgão que aceitou sua renúncia “por unanimidade”.
Corvetto estava à frente do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) desde 31 de agosto de 2020. Em 2024, ele havia sido reconduzido no cargo.
“Considero necessário e urgente renunciar à responsabilidade que me foi conferida, no interesse de que o segundo turno da eleição presidencial seja organizado e realizado em um contexto de maior confiança da cidadania na ONPE”, acrescentou ao explicar sua saída.
‘Problemas’
A missão classificou como “problemas técnicos operacionais” as irregularidades registradas na distribuição do material eleitoral em Lima durante o dia 12 de abril.
Esses problemas causaram atrasos na abertura das seções eleitorais na capital peruana e impediram que mais de 50 mil pessoas votassem, o que obrigou a prorrogar o pleito por 24 horas — algo inédito no Peru.
A missão de observação da União Europeia (UE) referiu-se a “graves falhas”, mas precisou que não encontrou “nenhuma prova objetiva” de fraude, como alegou o candidato ultraconservador Rafael López Aliaga.
O Jurado Nacional de Eleições (JNE), a máxima autoridade eleitoral do país, estima que os resultados finais não serão conhecidos antes de 15 de maio devido aos atrasos na apuração realizada pela ONPE.
Cédulas em uma lixeira, atas eleitorais contestadas e acusações de fraude tumultuaram o dia das eleições e afetaram a contagem dos votos das eleições presidenciais, que está estagnada, o que alimenta a desconfiança em relação a instituições já enfraquecidas.
Os peruanos ainda não sabem quem disputará o segundo turno em 7 de junho contra a direitista Keiko Fujimori, a única com vaga garantida.
O radical de esquerda Roberto Sánchez e López Aliaga disputam voto a voto pelo segundo lugar, com uma ligeira vantagem de 14.000 votos para Sánchez, com cerca de 94% da contagem.
Violação
Corvetto deve comparecer esta tarde ao Ministério Público para responder à investigação contra ele, juntamente com outros três funcionários da ONPE, por violar o direito de voto.
A renúncia de Corvetto havia sido exigida pelos candidatos López Aliaga e Fujimori para conferir credibilidade ao segundo turno de 7 de junho. A queda do chefe da ONPE era questão de horas em meio a forte pressão política e da mídia para que ele deixasse o cargo.
O JNE também o denunciou criminalmente ao Ministério Público pelas falhas, em uma evidente perda de confiança no chefe da instituição que organiza o processo eleitoral.