Diário da Região
Apuração de vazamento de dados

Associação afirma que auditores não podem ser 'bodes expiatórios'

Auditor fiscal da Receita Federal de Rio Preto foi alvo de mandado de busca e apreensão em investigação de suposto vazamento de dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal

por Vinícius Marques
Publicado há 12 horasAtualizado há 3 horas
Ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou as buscas e apreensões (Divulgação/Agência Brasil)
Galeria
Ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou as buscas e apreensões (Divulgação/Agência Brasil)
Ouvir matéria

A Associação Nacional dos Auditores-Fiscais (Unafisco) divulgou nota na qual manifesta "preocupação com a adoção de medidas cautelares gravosas contra auditor-fiscal em contexto ainda classificado como análise preliminar pela própria Receita Federal."

Um auditor-fiscal da Receita Federal que mora em Rio Preto foi um dos alvos das medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) na terça, 17. O mandado foi cumprido pela Polícia Federal em investigação sobre suposto vazamento de dados fiscais de ministros do STF e de parentes deles.

Ricardo Mansano de Moraes foi um dos quatro servidores federais alvos dos mandados de Moraes. Ele prestou depoimento na PF e terá de cumprir medidas cautelares, como afastamento imediato das funções, uso de tornozeleira eletrônica, além da proibição de deixar o País.

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão no Guarujá, Salvador e no Rio de Janeiro. O inquérito tramita em sigilo no STF. Os nomes dos investigados foram divulgados pelo Supremo. Não foi detalhada qual seria a conduta colocada em xeque de cada um dos quatro investigados.

Em nota, a Unafisco afirma que auditores não podem ser “transformados em bodes expiatórios”.

“Os auditores fiscais da Receita Federal não podem, mais uma vez, ser transformados em bodes expiatórios em meio a crises institucionais ou disputas que não lhes dizem respeito. A instrumentalização de servidores públicos para deslocar o foco do debate público compromete a credibilidade das instituições e enfraquece o Estado de Direito.”

Auditor da Receita há 19 anos, Mansano disse a interlocutores que acessou por “acidente” dados de uma enteada do ministro Gilmar Mendes, filha da mulher do ministro, Guiomar Feitosa. Ele afirmou a investigadores da PF que não vazou dados de autoridades ou mesmo de parentes deles.

Sindicato

O Sindifisco Nacional (Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal) também divulgou nota na qual afirma que vê com “preocupação” desdobramentos da operação da Polícia Federal. " Vemos com preocupação o suposto vazamento, visto que o dever de proteção das informações tributárias constitui garantia legal do contribuinte e é pilar essencial da confiança na Administração Tributária", diz a nota.

"Vale ressaltar, porém, que o acesso devidamente motivado aos dados dos contribuintes não constitui quebra de sigilo e faz parte da rotina de trabalho dos auditores fiscais da Receita Federal, sendo prática essencial para a realização de auditorias e fiscalizações. Já a divulgação de tais dados é crime, sendo um desvio incomum que deve ser punido", complementa. O sindicato afirma, ainda, que "todos os envolvidos devem ter seu direito ao contraditório e à ampla defesa preservado e espera que o caso seja esclarecido o quanto antes ".

Receita

A Receita Federal, por sua vez, afirmou que há "prévio procedimento investigatório em parceria com a autoridade policial, cujos resultados poderão ser divulgados oportunamente." "A auditoria, que envolve dezenas de sistemas e contribuintes, está em andamento, sendo que desvios já detectados foram preliminarmente informados ao relator no STF", afirma a nota.

"Os sistemas da Receita Federal são totalmente rastreáveis, de modo que qualquer desvio é detectável, auditável e punível, inclusive na esfera criminal", diz a Receita Federal.