Costa Júnior deixa comando do Baep de Rio Preto após anúncio de pré-candidatura
Tenente-coronel foi colocado numa função administrativa no CPI-5 após aceitar disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo a convite do Coronel Fábio Candido

O tenente-coronel Costa Júnior foi afastado do comando do Baep de Rio Preto (9º Batalhão de Ações Especiais de Polícia) e colocado numa função administrativa no CPI-5 (Comando de Policiamento do Interior). A medida, determinada pelo comando-geral da Polícia Militar, se deu tão logo Costa Júnior confirmou que havia aceitado o convite do Coronel Fábio Candido (PL) para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Como policial militar da ativa, Costa Júnior não é obrigado a deixar a função em abril, como acontece com secretários, por exemplo. Policiais militares têm a prerrogativa de permanecer na função até julho. E não precisam também estar vinculados a algum partido até lá. Daí as conversas de bastidores de que, dentro da instituição, a “transferência” dele neste momento foi um aviso de que a candidatura do oficial não foi vista com bons olhos por alguém “lá em cima”.
Estratégia
Ao tirar Costa Júnior da cartola, o Coronel pegou muita gente de surpresa, mostrando que nomes inicialmente cogitados, como os dos também policiais militares e atuais secretários Amália Pacci (Bem-Estar Animal) e Robson Vicente (Cultura), estão, por ora, congelados.
O fato é que Costa Júnior está perto da aposentadoria, diferentemente de Amália e Robson, o que, no caso de insucesso nas urnas, não comprometeria sua carreira dentro da PM.
A iniciativa prova que o Coronel quer alguém do seu “quintal” e sob seu absoluto controle político para investir.
Ou seja, não pretende alimentar gente com vida própria na política que pode se tornar seu adversário ali na esquina, casos, por exemplo, de Danilo Campetti (Republicanos) e Coronel Helena, também do Republicanos, mas a caminho do PSD.
Paralelo
Impossível não traçar um paralelo entre o movimento atual e a estratégia adotada pelo Coronel em 2022. Naquele ano, ainda oficial da ativa, Fábio Candido utilizou sua candidatura a deputado estadual como vitrine política. Aliás, sua candidatura pelo PL pegou até mesmo os então caciques exclusivos da legenda – Fábio Marcondes e Luiz Carlos Motta – de surpresa. Ele conseguiu a vaga “por cima” e fez uma campanha totalmente desconectada da dupla.
Apesar de ter obtido 38.463 votos, o Coronel ficou como suplente. A campanha, porém, cumpriu um objetivo de médio prazo: projetar seu nome para a conquista da Prefeitura de Rio Preto dois anos depois.
O que foi exitoso para o projeto individual de Candido, no entanto, é visto como fator determinante para que Helena e Campetti batessem na trave, ficando respectivamente como primeiro e segundo suplentes do Republicanos. Ela com 53.482 votos e ele, com 52.293.
Ao lançar Costa Jr., Fábio Candido reabre a ferida da pulverização de votos e reforça o caráter multifacetado do coronelismo local, dividido em grupos e lideranças que disputam entre si.