SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEXTA-FEIRA, 28 DE JANEIRO DE 2022
RIO PRETO EM FOCO

Documentário mostra como foram os protestos das 'Diretas Já' em Rio Preto

Discursos inflamados de personalidades políticas e shows com Zé Geraldo e Belchior pediram o fim da Ditadura Militar e a volta de eleições diretas; assista

Fernando Marques
Publicado em 04/12/2021 às 22:43Atualizado em 04/12/2021 às 23:22
Belchior foi uma das atrações durante o evento

Belchior foi uma das atrações durante o evento

Em 19 de março de 1984, Rio Preto comemorava 132 anos da sua fundação. O prefeito Manoel Antunes, o vice Antônio Figueiredo de Oliveira e vereadores percorrem várias obras que foram inauguradas no dia. Entre elas, a Praça Lisboa, no Parque Estoril, e a Praça Renor Pereira, na avenida Mirassolândia, no bairro Vale do Sol, que contou com discursos dos deputados Aloysio Nunes Ferreira Filho e Octacilio Alves de Almeida.

Mas a festa quase foi estragada. O avião que trazia o vice-governador Orestes Quércia e comitiva teve um dos pneus estourados e a aeronave só foi parar no final da pista de pouso. Que susto! Os ocupantes desceram em meio à grama lateral da pista e tiveram que caminhar a pé até o prédio do aeroporto. Quércia veio a Rio Preto para participar da maratona de inauguração de obras da administração municipal.

Mas o grande momento do dia foi à noite, quando aconteceu na Praça Dom José Marcondes o Comício das Diretas Já, produzido pelo PT (Partido dos Trabalhadores), sob a organização de José Carlos Galvão, que contou com a presença de mais de 12 mil pessoas. Uma loucura.

“Um, dois, três / quatro, cinco, mil / queremos eleger o presidente do Brasil” e “Um, dois, três / Maluf no xadrez”. Estes foram os refrões preferidos do povo, que aguentou firme mais de 3 horas de discurso dos 20 oradores, antes do grande show com Zé Geraldo e Belchior. Além de Aloysio e Octacilio, discursaram o atual prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo, o prefeito à época, Manoel Antunes, Toninho Figueiredo, Wilson Romano Calil, entre outros.

Nesse dia, eu, com uma câmera de vídeo VHS, fiz talvez as únicas imagens do evento e produzi, dias depois, o documentário “Vôo Livre” (naquela época ainda tinha acento na palavra voo). Pedi para o saudoso cinegrafista Celso Valsechi fazer também imagens da cidade, desde cedo. Eu fiz algumas de dentro do carro, no novo bairro São Deocleciano. Minha assistente, a também saudosa fotógrafa Ana Arantes, fuçada como era, disse: vamos fazer tomadas aéreas. Eu arrumo o avião em Paulo de Faria.

Dito e feito. Valsechi fez tomadas incríveis, inclusive da revoada das andorinhas na praça Dom José Marcondes, ao cair do dia. Que beleza! À noite, ele descansou e pude filmá-lo, acenando pra mim, de cima do caminhão. Passei a semana editando o filme numa produtora da cidade e na sexta fomos os três assistir. Foi a única vez que vimos o filme. A fita master sumiu, ninguém sabe, ninguém viu. Recentemente fui chamado na casa da inesquecível professora e historiadora Nilce Lodi, pela sua sobrinha Cristina. A família resolver doar a mim todo o acervo de fitas de vídeo da historiadora. Assisti uma a uma e, quando já encaminhava para o fim, vi uma fita sem nome, sem qualquer identificação. Era o meu filme “Vôo Livre”, perdido há 37 anos. Pena que Aninha e Celso não estão mais com a gente. Eles vibrariam… Barbaridade.

 
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