Conheça as personalidades que fizeram a Famerp se tornar realidade em Rio Preto
Empenho dos vários atores da sociedade rio-pretense durante anos foi o responsável pela criação da faculdade de medicina em Rio Preto, instituição que mudaria os rumos da saúde na cidade

A Instalação de uma faculdade de Medicina na cidade de Rio Preto era sonho que se arrastava desde 1955, quando foi criado o Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), hoje Campus de São José do Rio Preto – Unesp.
Quem começou tudo foi a Sociedade de Medicina e Cirurgia, fundada em 4 de março de 1926, sendo uma das entidades médicas mais antigas do Estado, anterior inclusive à Associação Paulista de Medicina.
A primeira reunião sobre a implantação ocorreu na sede da entidade, na rua Marechal Deodoro, entre as ruas Voluntários de São Paulo e XV de Novembro. Um dos grandes motivos para a implantação, segundo matéria do Jornal “A Notícia”, de 2 de março de 1956, é que haviam 1.510 candidatos para 270 vagas nas faculdades de São Paulo.
A faculdade de Ribeirão Preto já não possuía mais vagas naquele ano e isso provocou muitos rio-pretenses a buscar uma vaga no Rio de Janeiro, Curitiba ou Porto Alegre. O jornal já provocava os políticos da época: “Os nossos homens públicos que meditem sobre o assunto e não tardem a providenciar”, diz a matéria do jornal. Mas ninguém se mexeu.
Quando em 10 de maio de 1958, o jornal “Correio da Araraquarense” anunciou que o governador Jânio Quadros aprovou a instalação de faculdades de medicina nas cidades de Bauru e Botucatu foi uma tristeza geral na cidade. “É realmente contristador para os rio-pretenses tomar conhecimento de que, com toda boa vontade que o governador Jânio Quadros vem demonstrando para com o interior, nossa terra está sendo esquecida no que diz respeito ao ensino superior”, diz a matéria.
E a coisa arrastou-se por mais quase uma década. Em 10 de fevereiro de 1967, o Diário da Região deu destaque de capa: “Universitários iniciam movimento pela instalação de nossa Faculdade de Medicina”.
Os universitários pediam uma união de forças e empenho de todos. Dessa vez os homens públicos atenderam os pedidos dos estudantes, inclusive o prefeito Lotf João Bassitt e a nova Câmara, que tomou posse no dia 20 de janeiro de 1967: Adail Vettorazzo (presidente), Arthur Nonato (vice), Norberto Buzzini (primeiro secretário) e Raul Francisco Tauyr (segundo secretário).
Em 30 de janeiro de 1968 o Conselho Federal de Educação autorizou o funcionamento da Farme (Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto). Em setembro de 1969, equipamentos importados, adquiridos da Hungria, desfilavam de caminhão pelas ruas do centro da cidade.
Em 1970 o nome original foi substituído e adotado o de Hospital de Base, ou seja, base para a Faculdade de Medicina. No início da década de 1990 a instituição foi estadualizada sob o título de Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto).