A continência
Em nosso dia a dia, ao encontrarmos um amigo, conhecido ou um colega, automaticamente esboçamos uma reação respeitosa, qual seja, o cumprimento, a saudação pelo reencontro.
Dentre nós, militares, a questão assume um cunho regulamentar, ou seja, desde que devidamente fardados, a continência é a nossa reverência, obrigatória, em sinal de respeito, a um símbolo nacional, a um superior hierárquico ou a uma autoridade constituída.
Tendo em vista nossa proximidade com a comunidade, a quem prestamos auxílio diuturnamente, tal gesto vem se tornando um cumprimento cordial voluntário de chegada e/ou despedida, quando do atendimento de uma ocorrência ou de uma fiscalização de trânsito urbano ou rodoviário, e devido ao viés "comunitário" de nossa atividade, tem se tornado cada vez mais utilizada, por todos os integrantes dos diversos segmentos da Instituição, não sendo rara, a retribuição pelo saudado, por um gesto semelhante, que nos enche de satisfação.
Segundo uma publicação pretérita na revista Super Interessante (Editora Abril), a continência militar tem sua origem na Idade Média, representada pela abertura da viseira do elmo, parte integrante da armadura medieval, pela ponta dos dedos da mão direita do cavaleiro, em reverência ao rei, no início de grandes batalhas. Ato que também representava o desejo de paz, tendo em vista a mão utilizada para a execução do gesto não estar empunhando uma espada.
A continência se divide em três fases sendo elas: a atitude (ato proativo do militar ao identificar o destinatário e tomar iniciativa do início do movimento), o gesto (movimento propriamente dito) e a duração (tempo necessário para se consumar a saudação).
Está regulamentada pelo inciso I do artigo 3º do Decreto nº 2.243, é a manifestação de respeito e apreço do militar aos seus superiores, pares e subordinados. Sua espontaneidade e a correção de atitudes são índices seguros do grau de disciplina das corporações militares e da educação moral e profissional dos seus componentes.
Curiosidades sobre a continência:
É errado dizer "bater continência", o correto é "prestar continência";
Em trajes civis, o PM está desobrigado de prestar a continência;
Entre dois militares, ela deve partir do subordinado hierárquico.