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PAINEL DE IDEIAS

Oitenta anos da vitória da FEB sobre o nazifascismo

A gloriosa Força Aérea Brasileira também teve uma atuação de destaque com o seu Grupo de Caça, um dos mais ativos, e o Esquadrão de Coligação e Observação

por Durval de Noronha Goyos Jr.
Publicado em 07/05/2025 às 03:34Atualizado em 07/05/2025 às 09:41
Durval de Noronha Goyos Jr (Divulgação)
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Durval de Noronha Goyos Jr (Divulgação)
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Há 80 anos, em 3 de maio de 1945, as numerosas tropas nazistas alemãs e fascistas italianas, no teatro de operações da Itália, renderam-se às forças aliadas, dentre as quais figurou com brio, bravura e brilhantismo o contingente da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Dentre os nossos militares estava o meu tio, sargento Ruy de Noronha Goyos, da artilharia. Naquela ocasião, o comandante brasileiro, o general Mascarenhas de Moraes afirmou, em sua Ordem do Dia: “...com orgulho sem jactância, e confiança sem exageros, retornamos... para prosseguirmos na faina sagrada de fazer um Brasil forte e respeitado, num mundo livre e feliz”.

O episódio acima foi por mim relatado no livro “A Campanha da Força Expedicionária Brasileira pela Libertação da Itália”, publicado em 2013, com edições também em italiano em inglês. O livro foi um sucesso e representou o Brasil na Feira do Livro de Frankfurt, com a presença de Luiz Alberto Moniz Bandeira e Umberto Eco, além de uma mensagem de Romano Prodi. Ele teve dezenas de lançamentos, dentre os quais 2 na Itália: na Embaixada do Brasil e pela ANPI, na Piazza del Popolo. O livro, pelo qual recebi uma condecoração da Presidência da República, no mandato Dilma Rousseff, integra alguns programas do Exército brasileiro.

No heroico combate contra o nazifascismo, a FEB percorreu 400 quilometros no encalço das formações inimigas, de Lucca a Alexandria, num percurso ao norte para a Toscana, daí para o leste, na Emília Romagna e, posteriormente para o noroeste, até Alexandria, acima de Gênova. Naquele sítio, em Fornovo, as forças da FEB, tendo na vanguarda o capitão Plínio Pitaluga, dos meios mecanizados, isoladamente forçaram a rendição da 148ª Divisão alemã, comandada pelo general Otto Fetter Pizzo, reforçada pelas forças fascistas da República de Salò, conduzidas pelo general Mario Carloni.

Na ocasião, a FEB acolheu um contingente de 20.573 combatentes inimigos e 5 mil viaturas, um número de pessoal equivalente ao total das forças brasileiras naquele teatro de guerra. Cerca de 1.000 feridos opositores foram tratados por nossos serviços médicos de campo. Naquele conflito, 33% das tropas alemãs na Itália renderam-se à FEB, que tinha apenas 5% do contingente aliado. Em seguida, as forças brasileiras avançaram até Turim, no Piemonte e alcançaram a fronteira de França, do dia 2 de maio de 1945, um dia antes da rendição inimiga.

A gloriosa Força Aérea Brasileira também teve uma atuação de destaque com o seu Grupo de Caça, um dos mais ativos, e o Esquadrão de Coligação e Observação. A aeronáutica brasileira ainda operou na costa do País e no Atlântico Sul, onde lutou com heroísmo e destaque a nossa Marinha de Guerra. Dezenas de milhares de militares brasileiros engajaram-se no conflito nestas estratégicas posições. No interior, os trabalhadores do exército da borracha produziam a mercadoria indispensável para o esforço de guerra aliado.

As condições do Brasil daqueles tempos eram muito inferiores àquelas dos dias atuais e, não obstante, nosso povo escreveu um capítulo da História que não pode e não deve ser esquecido, por tudo o que representa para a consciência nacional, pela definição de nossos melhores valores humanísticos, e para a comunidade internacional. A faina sagrada pela democracia, sabiamente referida pelo general Mascarenhas de Moraes, não pode cessar jamais.

DURVAL DE NORONHA GOYOS JR., Jurista, professor, historiador e escritor. Escreve quinzenalmente neste espaço às quartas-feiras