SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 05 DE DEZEMBRO DE 2021
EDITORIAL

Sensatez sem hipocrisia

A não-realização do carnaval é uma decisão acertada, mas é necessário que a população não seja contaminada pelo vírus da hipocrisia

Publicado em 24/11/2021 às 23:03Atualizado em 24/11/2021 às 23:22

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EDITORIAL

Sensatez sem hipocrisia

A não-realização do carnaval é uma decisão acertada, mas é necessário que a população não seja contaminada pelo vírus da hipocrisia

Publicado em 24/11/2021 às 23:03Atualizado em 24/11/2021 às 23:22

As prefeituras da região, inclusive a de Rio Preto, cederam ao bom-senso e resolveram cancelar a realização do carnaval 2022. Mais de 20 municípios optaram por suspender a festa que ocorre no dia 1º de março do próximo ano, inclusive em cidades onde a folia é tradicional, como Potirendaba e Ibirá.

Motivos para evitar o carnaval não faltam. Mesmo que a cobertura vacinal na região de Rio Preto esteja alta – 77% da população está completamente imunizada – e tenha havido uma queda vertiginosa de casos, internações e mortes pelo coronavírus nos últimos meses, ainda é preciso cuidado com grandes aglomerações. Isso porque a vacina é essencial para evitar casos graves e mortes, mas não impede a transmissão do vírus.

O momento ainda inspira atenção com a chegada da 4ª onda da Covid na Europa. Os países mais atingidos pelo aumento de casos e mortes são aqueles em que a imunização ainda patina, como Rússia e Bulgária. Na Bulgária, que tem sido o país epicentro da Covid no momento, apenas 16% da população está completamente imunizada. Na Rússia, esse índice também é baixo – 37%.

Mas até mesmo em países com cobertura vacinal maior, como é o caso da Alemanha e da Áustria (ambos acima de 65%), os casos têm voltado a preocupar. Importante destacar que o aumento da transmissão e as mortes têm sido verificados sobretudo entre o público que se recusa a tomar a vacina. Para o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a 4ª onda na Europa pode ser explicada por três fatores: lentidão na vacinação, antecipação da flexibilização de medidas restritivas e a variante Delta.

A não-realização do carnaval é uma decisão acertada dos municípios, mas é necessário que a população que defendeu essa medida não seja contaminada por outro vírus: o da hipocrisia. De nada adianta ser contra a folia de momo e abandonar as medidas básicas de higiene – como o uso de máscaras em locais fechados e aglomerados – e, pior ainda, continuar com o discurso negacionista e antivacina.

Na sessão de terça, 23, o vereador Anderson Branco (PL) usou a tribuna da Câmara de Rio Preto para cobrar a suspensão do carnaval e evitar que “vidas sejam ceifadas”. O mesmo Branco, em maio de 2020, chegou a entrar em uma cova no cemitério da Vila Formosa, em São Paulo, para supostamente denunciar o “grande terrorismo da mídia”, além do “pânico” e do “exagero” que envolveriam a pandemia. Mas é preciso dar o benefício da dúvida ao parlamentar: quem sabe, depois de 600 mil mortes no Brasil e mais de 5 milhões ao redor do globo, ele tenha se convencido de que realmente a Covid é algo terrível. E que, neste cenário, a suspensão do carnaval 2022 é a melhor opção.

Qualquer vírus, incluindo o da insensatez e o da hipocrisia, precisa ser combatido como se combate o coronavírus. Afinal, ignorância e negacionismo também matam.

 
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