SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | TERÇA-FEIRA, 09 DE AGOSTO DE 2022
EDITORIAL

Rio Preto na rota ilegal

Alto lucro e baixa punição tornam o contrabando de ouro, que passa por Rio Preto, uma prática atrativa

Publicado em 05/07/2022 às 00:20Atualizado em 05/07/2022 às 00:37

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EDITORIAL

Rio Preto na rota ilegal

Alto lucro e baixa punição tornam o contrabando de ouro, que passa por Rio Preto, uma prática atrativa

Publicado em 05/07/2022 às 00:20Atualizado em 05/07/2022 às 00:37

Dados obtidos com exclusividade pela reportagem do Diário, e publicados na edição do último domingo, 3, revelam que Rio Preto se tornou passagem obrigatória da bandidagem na rota do ouro ilegal.

De acordo com informações da Polícia Federal, a cidade se tornou o destino de boa parte do metal extraído ilegalmente de garimpos no Amazonas, no Mato Grosso, no Pará e no Tocantins. O ouro chega a Rio Preto em pó ou em barras rústicas, para depois ser transformado em barras segundo o padrão mundial de comercialização que são vendidas posteriormente para empresas brasileiras ou enviadas para países como Emirados Árabes, Suíça, Turquia e Índia.

A extração ilegal de ouro é um crime contra o patrimônio nacional. Assim como os portugueses na época do Brasil colonial roubavam nossas riquezas e as enviavam para a Europa, sem qualquer benefício ao País, agora esse trabalho é realizado por meio de um intrincado esquema que envolve pequenos garimpeiros, que atuam em áreas de extração proibida, e grandes criminosos, que são aqueles que realmente lucram com a rede de ilegalidade. Rio Preto está justamente no centro desta estrutura do mal.

Somente no mês passado, a cidade foi alvo de dois mandados de busca e apreensão, cumpridos nos dias 14 e 28 de junho pela Polícia Federal. O alvo da operação foi um casal de ourives, suspeito de comprar ouro de garimpos ilegais localizados em terras de preservação ambiental no Mato Grosso e no Tocantins. Já em 2021, uma empresa de joalheria rio-pretense foi investigada na Operação Ruta 79, que desmontou um megaesquema que teria tirado ilegalmente uma tonelada de ouro do Brasil.

O fato de Rio Preto ser conhecida como polo joalheiro tem levado criminosos a procurar na cidade profissionais inescrupulosos do setor. Mas é importante separar o joio do trigo, como bem aponta o presidente da Associação dos Joalheiros e Relojoeiros do Noroeste Paulista (Ajoresp), Sergio Iorio. “Não compactuamos com tal situação, representamos as indústrias da cidade. A nossa imagem, como um todo, fica em evidência de forma negativa. Porém, quem conhece um pouco mais do setor, sabe do trabalho sério que fazemos”, destaca Iorio.

O negócio ilegal costuma ser atrativo por ter alto lucro e baixa punição, como destaca o procurador Bruno Silva Domingos, do Ministério Público Federal (MPF). “O ouro tem um valor agregado muito alto. O grama está em R$ 353, muito maior do que a cocaína pura (aproximadamente R$ 50). É um jeito fácil de fazer dinheiro”, diz o procurador do MPF, que critica a pena extremamente baixa para quem for pego contrabandeando ouro, de um a cinco anos de prisão. Isso sem contar o prejuízo ambiental: segundo Domingos, a cada quilo de ouro extraído ilegalmente é gerado R$ 1,7 milhão em prejuízo ecológico.

A ação da PF e do MPF, junto à fiscalização e a orientação da Ajoresp, é essencial para retirar Rio Preto de vez desta rota criminosa que rouba o País, destrói o ambiente e exaure covardemente nossas riquezas.

 
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