SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | TERÇA-FEIRA, 09 DE AGOSTO DE 2022
EDITORIAL

Porto seguro

Casos de violência doméstica cresceram 63% entre janeiro e julho deste ano na comparação com o mesmo período em 2021

Publicado em 05/08/2022 às 23:38Atualizado em 06/08/2022 às 00:30

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EDITORIAL

Porto seguro

Casos de violência doméstica cresceram 63% entre janeiro e julho deste ano na comparação com o mesmo período em 2021

Publicado em 05/08/2022 às 23:38Atualizado em 06/08/2022 às 00:30

O que é um motivo de alívio a milhares de mulheres rio-pretenses, diariamente vítimas de abuso e de violência dentro dos seus próprios lares, serve também como um alerta preocupante. A Prefeitura de Rio Preto anunciou a abertura, nesta segunda-feira, 8, do 2º Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram), no bairro Eldorado.

O novo Cram será inaugurado devido ao aumento vergonhoso de casos de violência doméstica em Rio Preto, que cresceram 63% entre janeiro e julho deste ano na comparação com o mesmo período em 2021. Para se ter uma ideia, nos sete primeiros meses de 2018 foram registrados 476 casos de violência contra a mulher. Neste ano, no mesmo período, já são 1.293.

Há um lado a ser considerado nesta equação. O crescimento das notificações de abuso doméstico significa também que as mulheres estão perdendo o medo de denunciar as agressões. Mas isso não pode ser considerado um aspecto positivo – não há como ver algo bom no fato de mais de mil mulheres serem vítimas de violência doméstica em apenas sete meses.

O novo Cram será instalado no bairro Eldorado por uma questão estratégica. Isso porque a região Norte, infelizmente, concentra o maior índice de agressões contra as mulheres. Segundo a secretária da
Mulher, Maria Cristina de Godoi Augusto, a criação do novo centro foi planejada em 2019, mas somente agora foi possível concretizar a obra. “Estamos ampliando o serviço para atender uma necessidade apontada pelos índices de violência doméstica. Essa segunda unidade é uma reivindicação da carta de compromisso do Conselho Municipal de Direito das Mulheres e pelo Coletivo Feminino”, destaca Maria Cristina.

O Cram da região Norte vai contar com dois assistentes sociais, dois psicólogos, coordenador, advogado, assistente administrativo e auxiliar de limpeza. As mulheres vítimas de violência poderão procurar o centro diretamente e, ainda, serem encaminhadas ao local pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), pela Patrulha Maria da Penha, pela Vara de Violência Doméstica, pela Defensoria Pública do Estado e até mesmo pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Toda essa rede de apoio é essencial para romper o ciclo de agressões físicas, morais e sexuais. É triste constatar que neste domingo, 7, a Lei Maria da Penha completa 16 anos e a violência doméstica ainda se faça tão presente. Que o novo Cram seja um porto seguro para avós, mães, esposas e filhas vítimas de covardes.

 
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